Tempestade no olhar 
 
   capítulo 01  
 

Autora:  Anushka  

Email dark_angel_delta@yahoo.com.br

Gênero:. Romance, Angústia leve.

Censura: PG   

Série: Saint Seiya

Casal:  Kamus x Milo x Hyoga

Advertências: Yaoi Lemon, AU.

Retratações: Os personagens principais são propriedades de Masami Kurumada e das empresas japonesas que os fabricam. Eu não ganho dinheiro nenhum dinheiro com eles.

 

 

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Capítulo 01

Era uma madrugada fria... No meio do deserto gelado que era a Sibéria, uma tempestade de neve encobria todas as casas de uma pequena aldeia. Do lado de fora o termômetro chegava a trinta e cinco graus negativos, parecia congelar o tempo...

            Em uma das casinhas de madeira da aldeia, um menino se escondia debaixo das cobertas... Ouvindo ao longe o vento forte bater portas e janelas, fazendo a casa inteira vibrar. O garoto, em seus quatorze anos, ouvia atento... Temeroso que algo pudesse acontecer.

            Em outro quarto um rapaz dormia profundamente, completamente alheio à tempestade que congelava ao lado de fora. Envolto em cobertores quentinhos e macios, ele chegava a suspirar de satisfação por entre o sonho. Os cabelos ruivos se espalhavam pela seda branca do lençol, formando cascatas avermelhadas e brilhantes na pouca luz que penetrava no quarto.

            Um barulho o fez abrir os olhos, dois profundos poços frios e sonolentos... Enfim, dera-se conta de que uma tempestade ocorria, assim que seus olhos se prenderam a uma figura loira ao pé de sua cama. O rapaz sorriu e chegou para o lado, deixando espaço para que o menino deitasse consigo.

            O barulho do vento gélido era amedrontador, finas lâminas cortando o ar com rapidez incrível. O loirinho deitou-se debaixo dos pesados cobertores, abraçando o rapaz ruivo, se esquentando no corpo dele. Suas mãos frias procurando as mechas vermelhas e finas como seda, enroscando os dedos entre elas. O corpo nu do outro, se arrepiava com o contato de seus pés frios e suas pernas que procuravam se esquentar.

             O menino nunca entendia porque o rapaz dormia sem roupas naquele frio absurdo. Mas agora agradecia por isso, ao sentir aquela pele macia de encontro a sua, esquentando seu corpo e seus sentidos. O perfume suave que os cabelos ruivos exalavam estava por toda parte, no travesseiro, nos lençóis, nos cobertores e naquele corpo musculoso que o abraçava com carinho.

             “Mestre?” A voz ainda em mudança chamou baixinho, temendo falar mais alto que um sussurro. O ruivo se remexeu e sorriu.

             “Sim?”

            “Estou com medo.”

            “Eu sei... Já vai passar.” Sim, tudo sempre passa... Era só dormir que passava.

            Mas e aquele calor em seu corpo? Passaria também? Aquele calor que se acumulava entre suas pernas ao sentir os músculos definidos do peito do outro... Esse calor passaria? Passaria junto com a vontade agoniante de tocar as coxas grossas que prendiam uma das suas?

            “Mestre Kamus?” Novamente o ruivo sorri para o aluno, puxa o corpinho menor para entre suas pernas e o abraça apertado, encostando a cabeça loira em seu peito.

            “Não tenha medo.” Hyoga piscou os olhos, tentando não prestar atenção na batida lenta e calma do coração do Mestre, mas era impossível.

            “Não estou com medo...” Um sussurro talvez fosse alto demais, apenas um sopro seria melhor... Um sopro que fez a pele do ruivo se arrepiar. Cisne sentiu as mãos fortes o apertarem, entrarem por dentro da blusa de seu pijama. “Mestre...”

Fazia tempo que o francês sentia-se tentado pelo aluno. Hyoga era esforçado, bonito e a falta de Milo o deixava ainda mais carente e impelido a ceder. Porém sua consciência sempre o perturbava, lhe dizendo que o garoto era seis anos mais novo, quase uma criança. Mas agora, aquela criança entre suas pernas não parecia tão jovem assim... Parecia Milo quando eram mais novos. O mesmo corpo definido, porém ainda com poucos músculos, a pele macia, cabelos loiros, olhos azuis... Só faltava a pele bronzeada. E aquele menininho com cara de anjinho era mesmo um diabinho provocador... Vindo no meio da noite deitar-se em sua cama, se esfregando em seu corpo, deixando que sentisse seu sexo rijo de encontro às suas coxas.

“Então...?” Kamus deixou suas mãos descerem, tocando as nádegas redondinhas e macias por cima do pijama. Hyoga se arrepiou com aquilo, levantou o rosto corado, pedindo por mais, com o olhar.

Aquário sabia que não deveria ceder, mais era mais forte que si. Suas mãos entravam por dentro do pijama do menino, sentindo a falta de uma cueca, reconhecendo as curvas macias e ainda infantis. Seu corpo o desobedecia, trazia o russo mais para perto, puxando seus lábios rosados para um beijo quente.

Hyoga não pensava em sair daquele abraço, apenas se entregava, deixando que a língua experiente de Kamus forçasse passagem por entre seus lábios. Sem perder nenhum movimento daquelas duas mãos que abriam suas nádegas, procurando sua entrada virgem... O vento já não amedrontava mais... Na verdade ele era quase um sussurro.

oOoOo

Como dizem... Depois da tempestade vem a calmaria. Kamus e Hyoga não tocaram no assunto daquela noite de nevasca, a relação mestre-aluno continuou como sempre fora. A chegada de Milo se aproximava e o aquariano gostaria de não pensar em mais nada que não fosse o amante.

Para Hyoga eram os últimos dias para tentar se aproximar novamente do mestre. Assim que Milo chegasse os dois ficariam trancados juntos no quarto durante pelo menos um dia. Porém Kamus estava frio e distante, freqüentemente distraído e o céu azul não ajudava... Deixando o loiro sem expectativas de uma nova tempestade de neve.

Com tempestade ou não, era melhor esquecer a idéia de uma outra noite com Kamus, seria impossível. Ainda mais que Milo estava vindo para a Sibéria e tudo seria muito mais difícil com aquele escorpiano por perto. O francês ficava totalmente inacessível com o grego por lá.

Já era tempo de saber que aquela noite seria a única com Kamus. Lá vinha Milo, chegando em meio à neve branca, usando uns quatro casacos, no mínimo. Os cachos loiros voando soltos ao vento frio e cortante, enquanto ele se aproximava a passos rápidos. Kamus não estava em casa, tinha saído depois de receber uma carta do Santuário, mas segundo ele próprio, estaria de volta ao anoitecer.

Porém, contar a Milo que deveria ficar naquele “deserto gelado” sem o amante para aquecer seu corpo seria o mesmo que dizer a uma criança que Papai Noel não vai trazer presente no Natal.

“Olá.” O escorpiano abriu um sorriso enorme como sempre e Hyoga o retribuiu, convidando-o a entrar. A lareira já estava acesa, coisa que só acontecia quando Milo estava lá. “Cada vez mais frio...” Ele murmurou ao tirar dois de seus casacos e as botas de neve.

“Sim... O tempo está esfriando aqui...” Hyoga à frente de Milo, usando só uma calça e uma camiseta. “Meu Mestre saiu.” O grego pareceu que ia chorar ao encarar Hyoga... “Ele recebeu uma carta do Santuário... Disse que volta ao anoitecer.”

Ao menos o francês voltaria ainda naquele dia. Não que não gostasse de Hyoga, mas era realmente entediante aquele lugar tão branco e frio. E aquele loiro ainda não ajudava, estando sempre olhando pro nunca.

“Então, Hyoga... Como vai a vida?” O loirinho dirigiu seu olhar a Milo e suspirou.

“Você sabe... O de sempre... Treino e mais nada...”

“Mais nada? Por Zeus que vida chata você tem aqui... Nenhum amigo? Ou... Amiga?” Cisne ergueu uma sobrancelha ao ver o sorriso malicioso de Milo.

“Não... Nenhum amigo... E certamente nenhuma... Amiga.”

“Entendo... Elas não fazem a sua cabeça... Normal, a minha também não.” Hyoga sentiu o rosto corar diante daquele sorriso tão largo e sincero. Milo era tão diferente de Kamus... Era aberto, quente, estava sempre sorrindo e era muito mais fácil de lidar que o francês.

“Hum... Quando você e o Mestre Kamus eram da minha idade... Vocês treinavam no Santuário, né?”

“Não. Na verdade nós tínhamos outros locais de treinamento, mas a gente voltava ao Santuário de seis em seis meses.” O Escorpiano se ajeitou melhor no sofá grande e macio e sorriu. “Quer saber do que, moleque?”

“Que?! De nada!”

“Sei... Se perguntou é porque quer saber... Kamus não fala muito dele, não é?”

“É... Ele é fechado, nunca me conta nada de sua infância.”

“Senta aqui...” Milo deu um tapinha no sofá, ao seu lado. Hyoga levantou-se e se sentou ao lado do outro. “Ele era bem quietinho quando criança, responsável... Nunca fazia besteiras.” O escorpiano deu um sorriso, parecia estar novamente vivendo aquela época.

“E como vocês ficaram juntos?”

“Hum... Nós sempre fomos muito amigos e quando acabamos nosso treinamento voltamos a morar no Santuário de vez. Estávamos sempre juntos e um belo dia eu vi que estava apaixonado por ele... Kamus sempre teve esse jeitinho de rapaz bem comportado e educado, mas eu queria que comigo ele fosse solto, sabe?” Hyoga concordou com a cabeça e sorriu, encostando no sofá. “Então eu fui até a Casa de Aquário uma noite que chovia muito... Eu entrei no quarto dele e me deitei na cama com ele, fingindo estar com medo dos trovões.”

“E... Ele acreditou?”

“Não... Na verdade ele me expulsou, mas eu acabei agarrando ele e o beijando... Desde então estamos juntos...” Cisne surpreendeu-se com aquilo... Não imaginava seu mestre sendo agarrado assim desse jeito...

“E você conseguiu que ele se soltasse?”

“Claro. Comigo ele é outra pessoa, ele é mais espontâneo. Está sempre sorrindo, fala um monte de bobagem... É inocente, ingênuo, doce, bobo e mais quente do que eu podia imaginar... Sempre quer inventar alguma coisa nova... Mas é um anjo...” Os olhos azuis do grego brilharam, fitando um ponto no espaço que Hyoga não podia enxergar, mas podia imaginar o que seria...

Era incrível ver o quanto Milo amava Kamus e vice-versa, apesar do francês só demonstrar isso quando acha que está sozinho com o amante. Os dois eram perfeitos juntos... E Hyoga não queria se meter entre eles, apesar de já ter feito isso de certo modo.

“Você o ama muito, não é?”

“Sim... Amo.”

“Você confia nele?” O escorpiano ergueu uma sobrancelha, Hyoga sentiu seu sangue gelar diante daquele olhar.

“Por quê?”

“Por nada...”

“Nada disso... Agora você vai me contar.” Cisne entrou em desespero, sabendo que trairia a confiança do mestre ao contar o que acontecera e ainda tinha medo do que o escorpiano poderia lhe fazer, afinal ele era muito mais forte que si.

“Não houve nada, Milo, eu só tava perguntando.”

“Então porque está nervoso e corado? Me fala logo o que é e eu te deixo em paz...”

“É que...” Por que cedera tão facilmente? Era tão manipulável assim? “Há uma semana atrás teve uma tempestade de neve aqui...”

“Eu soube... O que tem a tempestade?”

“Eu... Fui até o quarto do mestre porque tava com medo do vento e... Dormi lá com ele.” Já podia se considerar morto pelo ciumento cavaleiro de Escorpião, mas este apenas riu.

“Só isso?”

“Não está com ciúmes?”

“Serei sincero com você Hyoga... Não. Na Grécia antiga a coisa mais comum que tinha eram os discípulos dormirem com os mestres em troca de ensinamento. Na época moderna não fazemos mais isso... Mas os mestres costumam ensinar seus alunos em tudo, até mesmo na cama.” Hyoga abriu a boca, sentindo que aquilo era um sonho. Milo, o cavaleiro mais ciumento do Zodíaco, estava na sua frente lhe dizendo que não via problema em Hyoga ter dormido com Kamus uma noite.

“Mas... Eu achei que você... E ele... Er...”

“Não me leve à mal... É claro que eu não gosto de saber que meu amante dormiu com outro... Mas você é só um menino, Hyoga... Ele não vai me trocar por você... Ele é apenas seu mestre.”

“É... É verdade... Mas...” Era melhor concordar e aceitar o fato de que Milo tinha razão sobre aquilo... Mas não lhe pareceu que Kamus o estivesse querendo ensinar algo.

“Não se preocupe... Ao menos foi bom?” Os olhos de cisne se estreitaram.

“Você não acredita em mim...”

“Ahahahahahaha... Desculpe, mas acho difícil imaginar Kamus e você... Ahahahahaha...”

“Aconteceu, eu não estou mentindo! Foi uma noite só, mas eu juro que aconteceu.”

“Está bem... Mas não vai passar disso.” Agora Milo estava sério, seu sorriso sumira, dando lugar a um olhar ofuscante e perigoso.

“Sim, senhor.”

oOoOo

Não tocou-se no assunto o resto do dia. Milo ficou calado o tempo inteiro, de olho na porta e Hyoga andava de um lado para o outro, comia alguma coisa e voltava à sala. Já escurecia quando ouviram o telefone, Hyoga correu a atender e voltou-se para Milo com uma cara nada boa.

“Era ele... Mestre Kamus disse que vai demorar um pouco... Está ameaçando outra tempestade...” Milo olhou pela janela o céu negro que encobria a Sibéria.

“Droga, é só uma nevasca...” Mas a nevasca era mais forte que Milo pensava e em poucos minutos até ele tremia de medo ao lado de Hyoga.

“Relaxa.. Ela passa rápido.” Mas estava difícil de crer que aquilo passaria. Milo afundou-se no sofá com quatro cobertores por cima, fora seus dois casacos.

“Está frio...”

“É...” Hyoga sentou-se ao lado dele puxando um cobertor para se enfiar debaixo. “Eu... posso ficar aqui?” Milo tinha cara de ser quentinho...

“Claro... No que está pensando moleque? Eu não sou seu mestre...” Cisne se indignou diante da afirmação e cruzou os braços, mal humorado. “Estou brincando... Enquanto esperamos... Me conta o que vocês fizeram...”

“Contar?”

“É... Como foi? Me fala... Eu não vou ficar com ciúmes, pode contar.”

“Bem..” Hyoga ficou um pouco envergonhado de ter que contar a Milo, mas seria um bom passa-tempo. “Ah... Na verdade não fizemos nada...”

“Nada? Então... O que ele fez?”

“Só... Me tocou...” Seu rosto estava tão vermelho quanto o edredom que os cobria. Desviou o olhar para a lareira, o fogo era mais interessante agora.

“Só? Esse não é o Kamus que eu conheço... Ele não deixou você tocar ele?”

“Deixou...”

“Ahn... Então, ele te tocou só com as mãos ou com a boca também?” Que perguntas eram aquelas? Hyoga sentia-se mais envergonhado, e excitado agora, só de lembrar as loucuras que Kamus tinha feito com a língua.

“Com a boca também...” Milo também estava se excitando com a idéia... Aquele menino loirinho até que era bonitinho... E tão inocente...

“Hum... Ele é muito bom nisso... É o que mais gosto...” Hyoga virou o rosto, encarando o sorriso malicioso do outro, que fechava os olhos lentamente. “Faz tanto tempo que não nos vemos... Mas eu não esqueço nenhum detalhe daquele corpo... Não esqueço de como é tocar ele e de como é ser tocado por aquelas mãos...” Os lábios rubros se entreabriram, enquanto Milo respirava suavemente... Hipnotizando o loirinho. “Queria que ele estivesse aqui... Faria loucuras com ele sem me preocupar com o tempo...”

“Ahn... Milo?” Ele sabia que Hyoga estava lá?

“Você não está apaixonado, está?” A pergunta fora tão de repente que Hyoga até engasgou.

“Não... Não...”

“Bom. Porque ele é meu... Só eu posso amá-lo e falar assim dele, entendeu?”

“Sim...” Cisne já sentia sua calça apertar... Reparava agora em Milo e em como o grego era bonito e... Quente.

“O que foi? Por que me olha desse jeito?” Ele não tinha percebido, mas estava de boca aberta, admirando o outro cavaleiro... Que vergonha...

 “Nada.”

“Sei... Quer aprender o resto que Kamus não te ensinou?” O sorriso de Milo era constrangedor, deixava Hyoga se sentindo como uma criança indefesa... Será que era assim que Kamus se sentia com o amante? “Kamus não iria se importar, ele sabe que só me satisfaço com ele...”

 “Ahn... Eu...” Imaginar seu mestre com aquele escorpião safado era algo capaz de deixá-lo sem os sentidos... E era isso que estava acontecendo. Milo também não ajudava, passando a mão pela coxa de Hyoga, até sua virilha.

“Hum... Você é tão tímido quanto ele...” A mão de Milo entrou por dentro de sua calça, apertando seu membro... Impedindo que raciocinasse... Estava a ponto de cometer uma loucura...

Milo era excitante, não dava tempo para que ele pensasse ou respirasse, apenas ia e vinha com toques precisos e firmes, excitando seu corpo. Hyoga acabou perdendo a cabeça e se entregou aos prazeres que o outro podia proporcionar, mas Milo não chegou a tomá-lo completamente... Disse que bastava, não tiraria sua virgindade, não iria tão longe...

O barulho da porta se abrindo, trazendo um frio vento que apagou o fogo, fez Milo virar a cabeça loira, parando o que fazia. Hyoga tratou de puxar o edredom, escondendo o fato de estar com as calças, literalmente, na mão.

 
ANTERIOR.
 
 
   
 
Atualização do site -  dia 24

http://br.groups.yahoo.com/group/xyzyaoi

Críticas construtivas

xyzyaoi@click21.com.br