xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Capítulo 5: A Verdade por Trás da Máscara Kamus deixou que Milo pensasse e ficasse sozinho por algum tempo. Os treinamentos cessaram e aos poucos aquele velho Santuário se mergulhava novamente na fria neblina. Cinco dias depois o escorpiano levantou-se no meio da noite, tremendo de frio, caminhou até o quarto de Kamus e entrou sem cerimônias. – Kamus... O ruivo estava acordado, sabia da presença do outro no quarto, mas não respondeu nem se moveu. Milo andou apressado até a cama e deitou-se, abraçando o francês. – Estou com frio... – Os tempos estão mudando... – Eu sei. Mas tem algumas coisas que eu não posso deixar de fazer. – Sim, o ruivo sabia que havia coisas pendentes. – O que é? – Isso... Kamus esperava qualquer coisa, menos o que aconteceu. Por um segundo sua vida estancou, o frio já não era mais frio, o tempo parou. Aquele escorpiano tinha perdido a noção e dessa vez tinha ido longe demais. Um longe que não teria volta... – Mi-Milo! – Sim? – Você... Você... Me... Me... – Eu te beijei... E daí? Eu gosto de você, Kamus. Não me importo com mais nada... Eu não quero perder essa chance. – Alguns segundos de silêncio se passaram, segundos eternos para ambos. O ruivo esperava outra coisa e não sabia agora se se sentia decepcionado ou feliz. Era difícil para Kamus se permitir amar alguém novamente, era muito complicado confiar em um desconhecido maluco, mas que gostava mesmo assim. Era contraditório e complicado. -Kamus... Esqueça tudo. Agora nada mais é importante, só eu e você. – Milo cobriu os lábios vermelhos com os seus, deixando que sua língua encontrasse a outra naquela boca quente, tão diferente da pele fria de Kamus. – Não existe eu e você... – Nesse momento existe. Os lábios novamente se encontraram e os corpos se abraçaram em um carinho mútuo. Kamus acabou se entregando à paixão que ardia em seu peito, queimando-o por dentro, curando suas cicatrizes mais profundas. Nada mais importava. Só os corpos suados no ritmo suave do sexo... Apenas os gemidos e sussurros. – Ahn... – Acabou. Não sentia mais frio. Milo sentia sua entrada arder, mas estava feliz. Abraçava Kamus com força, colando seu abdome sujo de sêmem ao pálido corpo do ruivo. – Eu te amo, Kamus, de verdade. Kamus não respondeu, mas isso não era necessário, Milo sabia que no fundo ele também o amava. Só que uma coisa incomodava o aquariano, uma verdade que precisava ser dita. – Milo... Eu não posso me envolver. – Eu sei. – Então por que insiste? – Porque eu também não deveria me envolver. – Kamus calou-se em um silêncio compreensivo. Ambos tinham seus segredos que talvez nem suas sombras devessem ouvir. Mas isso ainda incomodava muito o francês. A noite com Milo havia sido maravilhosa, jamais imaginara poder partilhar de tanto prazer com outro ser humano. Mas infelizmente Kamus já havia decidido que chegara o momento certo de tomar uma iniciativa. Conversaria com Milo, o grego haveria de entender seu lado. Talvez se contasse todo o seu passado ao loiro, ele o compreenderia e ainda o apoiaria.
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– Afrodite, pelos Deuses, o que pretende? – Vamos acabar com isso, Shura... Eu sei que meu pescoço não tem salvação, nem o de Shaka. Vamos embora, talvez haja uma chance. – Uma chance de vida... Fugindo? – Eu não sei onde aquele infeliz está, não posso pegá-lo de surpresa! E prefiro não ser pego de surpresa também... Shura abraçou o amante, encostando a cabeça loira em seu peito. Seu coração parecia um louco desorientado em meio a tanta angústia. – Afrodite... Eu te amo mais do que a minha vida, mas não vou deixar que você fuja. Se preciso, eu morro por você, mas nós iremos ficar. Portanto, largue essa mala onde ela está e vamos dormir. A mala de viagem caiu no chão e o corpo esguio de Afrodite tornou-se repentinamente pesado demais para que ele suportasse. O espanhol teve que segurá-lo nos braços, levando-o até a cama. – Durma, meu amor... Eu estarei para sempre ao seu lado. Não era certo fugir, nem tampouco resistir à morte, mas talvez houvesse uma chance de lutar. No dia seguinte Afrodite e Shura iriam representar Mu em uma grande reunião de estado, que poderia lhes causar a morte... Ou acabar com sua agonia.
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A noite caía sobre Athenas, manchando o céu de um tom alaranjado. No antigo Santuário o ar parecia trazer uma sensação nostálgica e melancólica, naquele triste fim de tarde. Kamus estava sentado em uma poltrona em seu quarto, lia um grosso volume, mas parecia não prestar atenção. Seu olhar se perdia, por vezes, no horizonte límpido, onde o sol se punha. – Kamus... Ele nem sequer notara a presença de Milo em seu quarto, não até que este o chamasse. – Sim? – Você disse que queria conversar antes do jantar. – O sorriso do grego fez o coração de Kamus se apertar, mas ele não demonstrou isso. – É verdade. Sente-se na cama, por favor, a conversa é longa. Milo fez o que o outro lhe pedira e sentara-se de frente à poltrona de Kamus. Notou então que o francês segurava o livro de cabeça para baixo... Não estivera mesmo lendo nada. – Diga, francês. – É um assunto muito sério e eu espero que você compreenda. Eu amanhã vou finalmente completar o que tenho planejado e depois... Bem, eu não voltarei dessa... ‘Missão’. – O que quer dizer, Kamus? – Quero dizer que não pretendo sair vivo, portanto é a última vez que estamos nos falando. – Isso é ridículo! – Milo estava descrente, nem sequer demonstrara se estava ou não com medo daquilo. – Não. É preciso Milo... Eu esperei por isso muitos anos, não esperarei mais. – Do que está falando, ruivo? Por que tem tantos segredos e agora me diz que pretende morrer? – Está bem. Acho que você tem o direito de saber, afinal, eu não estarei mais aqui em pouco tempo. – Sim, conte-me tudo e pare de falar que vai morrer! – Os olhos de Kamus não estiveram frios quando encararam os de Milo, mas sim com um estranho reflexo de paixão. – Bem, como você sabe, eu fui vendido pelo meu pai quando tinha sete anos. Cresci sendo treinado por Saga e Kanon, dois mestres da defesa pessoal e da arte com espada. “Os gêmeos me ensinaram a ser frio e superar meus mais extremos limites. Durante nove anos eles foram a única família que tive. Não podia reclamar, apesar de serem muito exigentes, eles me davam a vida de um príncipe. Eu morava na maior mansão de Athenas com eles. Tinha três empregados que serviam fielmente e somente a mim. Era uma vida muito boa e irreal.” – Você já me contou isso, mas o que não entendo é o que eles queriam em troca. Digo, se eles pagaram quinze milhões por você, deve ter algo de muito valioso para dar em troca, certo? – Talvez Kamus nunca tivesse pensado direito a respeito dessa pergunta, mas sabia que Saga e Kanon tinham um interesse enorme em si. – Bom, eu nasci em uma antiga família de guerreiros, meu sangue era forte e minha mãe um dia foi a mulher mais linda da França. “Isso me faz ter as duas qualidades que os gêmeos mais apreciam: força e beleza. Habilidade e o resto eu conquistaria no futuro. Mas o que Saga e Kanon realmente queriam era um herdeiro para toda sua fortuna. Além disso, meu pai estava prestes a me vender a um dos inimigos de Saga e, na época, o mais poderoso chefe de máfia, o pai de Mu.” – Mu? – Já ouvira esse nome, mas Kamus nunca lhe explicara nada sobre essa pessoa. – Dark Angel. Enfim, o fato era que o velho já era muito forte sem mim e os gêmeos não queriam correr mais riscos. “Então depois de tanto tempo, eu acabei, criando laços de amizade com os dois e eles comigo. E no meu aniversário de dezesseis anos eles me deram uma festa enorme, onde os homens mais importantes do mundo foram os convidados. Foi nessa festa que conheci Shaka, o Pantera, aquele loiro do restaurante e Mu, seu melhor amigo e considerado o príncipe da máfia, pois seu pai era o Rei. Eu fiquei de cara amigo de Shaka e acabei ficando com ele na festa, mas nada além de beijos. Mas isso foi o suficiente para que Mu passasse a me odiar.” E Milo de certo modo passou a odiar o loiro por simples ciúmes de algo que já havia acontecido há algum tempo. Kamus se ajeitou melhor e tirou a franja da testa, era difícil se recordar daquelas coisas, mas sentia que precisava contar sua história, ou ela morreria junto consigo. – Então, nessa mesma noite os gêmeos me fizeram outra... ‘Surpresa’. Eles tiraram minha virgindade e no dia seguinte eu nem levantava da cama. – Aqueles safados! – Sim! Uns safados que haviam se aproveitado do inocente Kamus! Era o que Milo imaginava... – Milo... Eles não teriam feito nada que eu não quisesse. Eu os adorava, por isso não me importei. – O escorpiano encolheu os ombros e baixou o olhar tristemente. “Só que depois dessa noite eu me vi obrigado a servir todos os propósitos sexuais de Saga e Kanon. Mas enquanto eu me deitava com eles, dividia a cama com outra pessoa também... Shaka. Mesmo ele sendo inimigo eu transava com ele repetidas vezes, sem que Saga ou Kanon soubessem. O problema maior foi que eu me cansei e acabei traindo Shaka com outro rapaz sem importância. Aquilo foi demais para o tão perfeito Shaka, todos o queriam, mas só eu o tinha. Só que eu não queria mais esse privilégio, então ele jurou que me faria pagar. Junto com a fúria do loiro veio a dos gêmeos, que acabaram descobrindo minha relação com o Pantera e não gostaram nada disso. Naquele dia eu apanhei pela primeira vez de verdade. Eles me deixaram desacordado por causa de minha traição. Mas na realidade eles estariam com medo porque vieram a descobrir que eu podia mentir para os dois.” – E só por causa disso eles te bateram? Achei que gostassem de você... – E gostavam, mas eles não toleravam nenhum tipo de traição. Além do mais, eles se sentiam ameaçados por mim. – Você era uma criança. – Sim, ele era mesmo. O olhar de Kamus perdeu-se novamente no horizonte, que agora se tornava manchado de violeta e um azul marinho. Talvez Milo não entendesse porque precisava daquilo. |
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