Amaldiçoados
 
   capítulo 03 
 

Autora: Aiko Hosokawa.

E-mail: aiko.hosokawa@gmail.com

Beta: Yume Vy

E-mail: Yumevy@yahoo.com.br

 

 

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Capitulo 03 – Ovelha negra da família

            “O que será que aquele imprestável do Shigure está aprontando?”. Kyo ronronou a pergunta em tom irritado voltando para casa.

            Nas lembranças do ruivo estava aquele enigmático olhar lançado pelo primo e principalmente o sorriso que mais parecia o de uma criança que planejava traquinagens e, se conhecia bem Shigure, não seria nada de bom.

            Então o ruivo olhou para um pedaço de papel em sua mão direita, lá estava escrito um endereço o qual foi dado pelo empresário, onde deveria comparecer no dia seguinte sob o pretexto de iniciarem os trabalhos. 

            “Algo não me cheira bem...”. Pensou desconfiado, porém nada mais restava a ele do que esperar...

 

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No dia Seguinte...

            A manhã estava bonita, o céu completamente limpo demonstrando todo o seu exuberante azul, enquanto o astro-rei imperava difundindo seus suaves raios de vida, ao passo que uma jovem loira corria em meio às ruas, desviando, habilmente, de todos os transeuntes, deixando os fios dourados brincarem livres no ar.

            “Estou atrasada, estou atrasada!”. A preocupação tomava a mente de Arisa.

            Por mais que fosse considerada uma ‘delinqüente’, não era uma pessoa irresponsável, tão pouco impontual, mas estava feliz, afinal só tinha que virar uma esquina e praticamente estaria na entrada do local indicado no endereço. Tão afoita estava que... Quando finalmente virou, topou com uma pessoa e por instinto fechou os olhos, sentindo o corpo pender para trás em queda, porém logo vieram hábeis e fortes mãos segurando em seus braços, aplicando mais força contrária a da gravidade e os corpos se tocaram.

            Os olhos castanhos da jovem se abriram vendo diante de se um dorso masculino e esquio coberto por uma camisa branca de botões e um casaco preto por cima dela, assuntou-se espalmando as mãos no peito do homem se afastando bruscamente.

            “Me larga!!”. Praguejou e só então fitou o outro.

            Uotani sentiu um frio em sua barriga, mas não conseguia definir o motivo da sensação, apenas fixava o seu olhar no ser bem mais alto, possuidor de madeixas chocolate, como os de sua amiga Tohru, no entanto, um pouco mais claras, mesma cor que havia nos olhos que possuíam um brilho tão triste que lhe causava aperto no coração.

            “Está tudo bem com a senhorita?”. A agradável voz soou em um tom grave e calmo.

            “Ah?! Sim...”. Respondeu a loira, reparando que os primeiros botões da camisa do rapaz estavam abertos e que a calça que ele usava era da mesma cor do casaco, preta.

            “Tá tudo bem com você?”. Ainda era a baterista que falava.

            “Claro! Você é bem levinha.”. Disse ele sorrindo ternamente sem perder o ar de melancolia que possuía.

            Algo dentro da loira balançou. O que era? Não sabia responder, e então...

            “Aaaaahhhhh... Eu tô atrasada!”. Quase berrou a menina surpreendendo o homem.

            “...!”. Ele continuou observando-a, em silêncio, vendo como ela estava afoita.

            “Tenho que ir. Obrigada!”. Falou apresada já dando os primeiros passos em direção a seu destino.

            “Qual o seu nome?”. Perguntou o jovem em um tom mais elevado para que a menina ouvisse, vendo que a loira parou e se virou, já estando a alguns metros dele.

            “Arisa Uotani. E o seu?”. Indagou com um sorriso na face.

            “Kureno...”. Foi tudo que ele respondeu.

            “Até outro dia, Kureno!”. Despediu-se ela com uma estranha certeza de que o veria novamente.

oooOOOooo

 

            Os corredores pareciam todos iguais, mas ainda assim ela seguia as informações que lhe foram passadas. Tentava se lembrar das direções... ‘Ir em frente, virar a esquerda, depois à direita, passar por um bebedouro e entrar na quarta porta depois dele...’ E assim ela fazia, enquanto repetia mentalmente as ‘dicas’, até que...

            “Cheguei!”. Uotani disse com alívio ao entrar na sala que lhe foi indicada na recepção.

            “Bom dia!”. Tohru apressou-se em cumprimentá-la com um meigo sorriso na face.

            “Bom dia. O que aconteceu? Vejo suas ondas um tanto... Agitadas.”. Comentou Saki sentada ao lado de Honda em um confortável sofá de couro branco.

            “Olá!”. Haru falou e acenou com a mão esquerda, estando sentado à frente das meninas com o pé descalço em cima do móvel igual ao outro.

            “Bom dia...”. Kyo respondeu meio sem interesse, sendo o único de pé com os braços cruzados, recostado a parede oposta à porta por onde a loira entrou.

            “É que eu... Cadê o nosso empresário?”. Ia se explica, mas estranhou a ausência.

            “O senhor empresário ainda não chegou.”. Explicou meiga menina.

            “Você não é a única a se atrasar.”. Comentou levemente irritado o ruivo.

            Nem cinco minutos se passaram até que novamente a porta da sala de espera se abriu e somente a cabeça do empresário se esgueirou observando o pessoal, vendo as três meninas todas no mesmo sofá, Haru bem à vontade no outro e Kyo ainda de pé de olhos fechados e com o cenho franzido.

            “Olá, meus jovens!”. Falou assim que entrou.

            “Cê tá atrasado!”. Trovejou Kyo abrindo os escarlates olhos.

            “Oi e bom dia, Kyo”. Respondeu com uma pitada de sarcasmo na voz o Souma mais velho.

            “Bom dia! Agora você vai dizer o que viemos fazer aqui?” A voz de Hatsuharu soou calma como de costume.

“Ora, vamos trabalhar!”. Respondeu Shigure mostrando uma pasta que trazia na mão direita.

            “Algo me diz que vou me divertir muito!”. Pensou o empresário, deixando um sorriso impreciso se formar em seus lábios.

            Hanajima levantou-se caminhando em direção ao homem que estava vestido com uma camisa social levemente rosada e uma calça preta bem alinhada, pegou a pasta e deu as costas a ele.

            Shigure olhou para a menina que usava um longo vestido negro de modelo tipicamente oriental e de mãos calçadas com longas luvas, reparando na rapidez com que ela agiu, provavelmente desejando começar logo, já que vieram ali a trabalho.

            “A senhorita não perde tempo...”. Comentou.

            Ao passar por Haru a morena deixou um papel em suas mãos, estendeu outro para que o vocalista da banda pegasse e voltou a se sentar entre as duas amigas, tendo uma folha apenas dentro da pasta.

            “O que é isso?”. Arisa perguntou com preguiça de ler.

            “O futuro de vocês... Leiam.”. Aconselhou o empresário.

            Os olhos do trio de meninas logo começaram seu intento, vendo um texto em inglês do qual o titulo era ‘Não destinada a mim’, já o guitarrista logo identificou as palavras ‘Mais uma vez’ e o olhar cor de rubi de Kyo leu ‘Vida Vazia’ no topo da página impressa. 

            “Uma música. Começou bem!”. Pensou o ruivo aprovando o titulo e descendo um pouco mais o olhar.

“Alimentando a derrota. Eu não posso ajudar além de desejar a derrota desta vez. Juntos neste buraco que estou cavando. Eu não posso escapar. Perdendo todo esse tempo.”.

“Realmente interessante...”. Comentou consigo mesmo.

“Viemos a este lugar... Caindo através do tempo... Vivendo uma vida vazia... Sempre estamos suportando... Esperando por sinais... Vida vazia”.

“Estou gostando disso!”. Pensou levemente empolgado.

“Temendo a derrota e ainda o chão abaixo me chama. Caindo dessa vez. Destruindo todas essas coisas que eu tentei gostar. Caindo dessa vez...”

“Profundo.”. Continuava sua análise, o senhor Neko.

“Viemos à este lugar. Caindo através do tempo. Vivendo uma vida vazia. Sempre estamos suportando. Esperando por sinais. Vida vazia.”.

“Esse refrão tem força! Com a melodia certa ficaria esplêndido!”. Admitiu ainda consigo mesmo, mas deixando um sorriso de satisfação brotar em seus lábios.

Shigure observava a todos, sobretudo Kyo e usou toda força de vontade que tinha para não rir da cara do primo...
            “Quando ele descobrir...”. Pensou já imaginando a cena.

Nunca imaginei. Porque olhamos para o céu procurando espaço. Perguntando porquê? Estamos sozinhos? Onde está Deus? Olhando para baixo? Não sabemos.”. 

“Nossa!!!”. Murmurou o vocalista completamente envolvido por aquela letra    
            “Caímos no espaço. Não podemos olhar para baixo. Talvez a morte venha. Achei paz. O que dizer? Estou vivo? Estou dormindo? Ou eu morri? (Me assombrando). Caímos no espaço. Não podemos olhar para baixo. Talvez a morte venha. Achei paz. (Algo pegou uma parte de mim). O que é isso que estou procurando?”.          
“Hum...”. Sussurrou pensativo identificando naquele refrão maior o fim próximo da canção.         
            O que dizer? Estou vivo? Estou dormindo? Nós sempre caímos. Viemos à este lugar caindo através do tempo. Vivendo uma vida vazia. Sempre estamos suportando. Esperando por sinais...”.
 
            E a repetição do refrão concluiu a letra. Os olhos cor de sangue desceram mais um pouco, chegando ao canto inferior direito da página, onde um nome estava escrito e logo leu a assinatura, achando-a inusitada.
               “Nezumi-kun...”. Pronunciou baixinho o ruivo.
               “Cara isso só pode ser brincadeira! Odeio ratos!”. Pensou achando aquilo realmente estranho.
               “E então...”. Kyo teve sua atenção tomada pelo empresário quando este começou a falar.
               “Essas são apenas algumas amostras de um determinado autor que trabalha nessa linha de letras, creio que é perfeito para a banda de vocês.”. Afirmou Shigure com um aspecto sóbrio na voz.
               “Realmente...”. Comentou Arisa.
               “É bem o nosso estilo, poderíamos fazer um belo arranjo na melodia.”. Hanajima também concordava, já imaginando como ficaria quando tudo estivesse pronto.
               “Pra mim tá perfeito!”. Afirmou calmo o guitarrista.
               “Também gostei...”. Tohru disse, achava aquilo tudo um pouco pesado demais, porém tinha que admitir que era a cara de seus amigos.
               “E você, Kyo, o que achou?”. Os olhos castanhos de Shigure brilharam misteriosamente quando fez a pergunta.
               “Huf... Que tipo de idiota assinaria com esse nome?”. Foi tudo o que disse, dando alguns passos à frente. Ainda queria ler as outras duas músicas, mas havia ficado impressionado com os sentimentos que o autor passou, queria muito saber quem ele era, poderiam conversar muito, seria ótimo!
               “Ele estragou meus planos...”. Pensou decepcionado o Souma mais velho, queria muito que o ruivo dissesse que havia gostado, bom pelo menos tinha certeza que isso havia acontecido e tudo o queria ver era a cara do primo quando descobrisse...
               “Só uma perguntinha antes de revelar isso, Kyo... Doce ou travessuras?”. Perguntou Shigure com um brilho enigmático no olhar.
               Um pequeno silêncio imperou.
               “DO QUE CÊ TÁ FALANDO, SEU IDIOTA????!”. Berrou o vocalista muito irritado, não havia entendido o que o primo queria dizer.
               “Creio que é travessura... Estou errada?”. Hanajima levantou-se mantendo um olhar sombrio do mesmo modo que a voz.    
               “Bingo!”. Agora Shigure sorriu abertamente.
               “Como o retrato da eficiência que sou, não apenas vou falar quem é o jovem talentoso que escreveu essas letras, mas como também irei apresentá-lo a vocês!”. Não conseguia conter sua empolgação o Souma, afinal seria interessante pela reação de ambos...
               Kyo conteve sua empolgação, seria maravilhoso conhecer um ser tão habilidoso, poderia aprender muito. Sentia o coração bater satisfeito enquanto via o empresário virar-se para trás e começar a abrir a porta.
               Todos estavam ansiosos, os olhares estavam fixos no que iria acontecer. Os cinco se perguntavam mentalmente qual seria a aparência de alguém que escrevia daquela forma tão intensa.
               Finalmente uma silhueta começou a se formar saindo das costas de Shigure para, enfim se mostrar por completo. Nesse exato momento Kyo sentiu o chão se abrir sob seus pés, a garganta deu um nó e todas as palavras ficaram presas.
               “Afinal de contas por que me trouxe aqui hoje, Shigure?”. Perguntou o jovem de aparência delicada, adentrando a sala e só então vendo quem estava lá.
               “Haru, Senhorita Honda, Uotani, Hanajima e...”. Contabilizou mentalmente vendo o ruivo tão espantado que parecia ter visto uma assombração.
               “Senhor Yuki!”. Tohru disse animada vendo o colega de classe que usava uma camisa de botões azul-piscina e uma calça branca.
               “O QUÊ QUE ESSE IMBECIL TÁ FAZENDO AQUI???????”. Quando finalmente retomou a voz, tudo que Kyo pôde fazer foi berrar a plenos pulmões.
               Haru virou-se para o primo ruivo, ele realmente era bem lento...
               “Ainda não percebeu? Foi Yuki que escreveu essas músicas...”. Disse com o semblante mais sóbrio possível, falando pausadamente para que o outro pudesse compreender tudo.
               Os olhos escarlates vacilaram em dúvida. Então Kyo olhou lentamente para o papel em suas mãos, depois as esferas escarlates se desviaram da letra e se voltaram para Haru e finalmente... Para o primo parado a porta.
               “O quê minhas letras estão fazendo aqui?”. Kyo ouviu o jovem de madeixas gris perguntar a Shigure, olhou novamente para o papel e finalmente o amassou entre os dedos.
               “EU NÃO CANTO ESSA MERDA NEM MORTO!”. O habitual tom de irritação parecia muito mais agressivo naquele instante em que jogava a pequena bola de papel no chão.
               Todos os olhares se voltaram para o vocalista que pisava no papel demonstrando toda sua ira, ficaram surpresos ao ver o tamanho da raiva que havia nos olhos rubis. O viram rosnar um ‘Nunca!!!’ entre os lábios e logo depois saiu a passos largos e pesados, obrigando Yuki e Shigure a se afastarem da porta.
               “Nossa! Foi pior do que eu imaginava!!!”. Comentou o empresário sem conter o sorriso que brotava em seus lábios, afinal os acessos de fúria de Kyo eram sempre cômicos.
               “Senhor Kyo...”. Murmurou Honda com um olhar de preocupação na face, não conhecia os motivos de tanta raiva, mas sempre soube que o ruivo e Yuki não se davam bem, sentia um desejo enorme de ajudá-los, não queria deixar Kyo como estava e, antes mesmo que pudesse perceber, já estava deixando a sala para ir atrás dele.
               “Shigure... Explique-se!”. Yuki disse em tom gélido e ameaçador logo que viu Tohru deixar o recinto.
               “Não é obvio?” Hanajima perguntou lançando seu negro olhar sobre o garoto.
               “Cara, essa tá fácil de sacar...”. Foi à vez de Uotani se pronunciar, também de pé, colocando as mãos na nuca desviando vagamente o olhar para a direita.
               “Shigure pegou suas músicas e quer que a nossa banda as toque, já que temos pouco material...”. Explicou rapidamente Haru em tom plácido.
               Os olhos violetas do alvo rapaz se estreitaram quando acabou de ouvir o que Haru disse, encarou o homem mais velho.
               Shigure apenas deu um sorriso a Yuki.
               “Como ousa, seu maldito?”. Rosnou entre os dentes, encarando aquele castanho olhar que brilhava inocente como o de uma criança.
               “Ah Yuki, não seja tão radical! Você tem talento para escrever, Kyo tem para cantar e eles têm para tocar! É uma combinação mais do que perfeita!”. Disse todo empolgado o empresário se achando um ser genial por ter chegado àquela conclusão.
               “Ahhh claro! Então podemos esquecer que você entrou no MEU quarto, mexeu nas MINHAS coisas, pegou MINHAS músicas e trouxe sem minha permissão, quem dirá conhecimento, trouxe para o KYO!!!”. Estava furioso o rapaz, por mais que aquela idéia lhe tivesse ocorrido quando viu o primo cantar, sabia que Kyo jamais aceitaria e, na realidade, nem tinha certeza que queria seu material sendo tocado nas rádios, pois eles carregavam sentimentos íntimos demais.
               “Calmo, calmo! Espere aí, eu não entrei no seu quarto, peguei as folhas que você deixou em cima da mesa, na sala...”. Defendeu-se Shigure, exagerando em sua expressão de temor, Yuki era realmente assustador quando fazia aquela cara...
               “O resto eu até admito, mas...”. Ia argumentar novamente o empresário, mas foi cortado quando Haru se pronunciou.
               “Tudo isso é inútil...”. Falou relaxando sobre o sofá.
               “Por quê?”. Perguntou curioso o empresário.
               “É verdade, já sabemos onde isso vai dar.”. Saki concordou sentando-se também.
               “Do quê estão falando?”. Yuki também indagou curioso esquecendo-se do primo.
               “Tá na cara, não?”. Arisa foi à única a continuar de pé, encarando os dois Soumas que lhe retribuíram com olhares curiosos.
               “Aff! Até parece que não conhecem aquele ‘cabeça de mexerica’! Ele não vai aceitar, simples assim...”. Falou colocando a mão direita na cintura esguia.
               “Hum... Isso pode atrasar as coisas...”. Shigure disse mais para si mesmo, pensativo.
               “Espero que ele não aceite mesmo!”. Pensou Yuki desistindo de brigar, os integrantes da banda tinham razão, não havia possibilidade do ruivo cantar aquelas canções.
               “A única chance...”. Hanajima quebrou o breve silêncio que se fez, chamando a atenção para si.
               “Única chance?”. Pensou Yuki. Como assim? Havia uma chance?
               “... É se a Tohru consegui convencê-lo.”. Afirmou a morena pensativa.
               “O jeito é esperar...”. A loira falou jogando-se novamente no sofá.
 
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               O vento tocava com força a pele amorenada, os pés e pernas se moviam velozmente indo pelas ruas quase desertas enquanto os olhos vermelhos brilhavam cheios de rancor e ira. Era sempre assim, sempre! E então parou de repente e socou um muro próximo fazendo com que pequenos ferimentos se abrissem, já que a parede era áspera, no entanto, não foi o suficiente para causar sangramento.
               “Maldito Yuki!!!!”. Rosnou em fúria, fechando os olhos firmemente saindo daquela posição.
               De imediato lhe vieram cenas de um passado que desejava esquecer. Aquela mulher lhe dizia ‘eu te amo’, ‘eu te aceito’, ‘não há nada errado’, mas quando pensava que estava sozinha chorava descontroladamente ou dizia ao marido que era a culpada por ter posto aquela coisa no mundo e que nunca se perdoaria pelo que fez.
               “Kyo...”. Uma voz tímida e arfante chegou aos ouvidos do ruivo, surpreendendo-o.
               “Tohru?”. Disse sem crer, era óbvio que a menina havia corrido toda aquela distância atrás dele, ela arfava com a mão direita sobre o coração e a outra estava apoiada na coxa esquerda.
               “Cê tá bem?”. Ainda era o vocalista quem falava, esperando e olhando para a jovem que aos poucos recobrava o fôlego.
               Os belos olhos chocolate de Honda miraram por instinto a mão ferida de Kyo.
               “Aaahhhhh!!! O senhor está ferido!!!”. Falou quase entrando em desespero, pegando a mão do rapaz e olhando para os lados procurando algo como uma farmácia.
               “Tá tudo bem, nem tá sangrando.”. Ele disse no intuito de acalmá-la.
               “Mas...”. ó.ò Tentou argumentar Honda, ainda segurando a mão machucada entre as suas.
               “Relaxa, nem tá doendo.”. Sorriu timidamente o cantor, puxando a mão e quebrando o contato.
               “Fala por que você veio atrás de mim...?”. Indagou a grave voz, olhando para a menina.
               “Queria saber se o senhor está bem.”. Foi tudo o que ela disse com um semblante preocupado na face.
               “Não precisa se preocupar, tá tudo bem!”. O ruivo falou em tom normal, desviando o olhar, mirando-o em algum ponto do chão.
               Tohru olhou para o rosto do rapaz, o perfil lhe oferecido transmitia tanta tristeza, tanta solidão... O que pode ter acontecido? Por que tanta raiva? Tanta... Melancolia? Queria entendê-lo e... Um desejo enorme de ajudá-lo surgiu em seu coração.
               “O que houve?”. Perguntou meiga e preocupada.
               Um suspiro resignado deixou os lábios do rapaz, que permaneceu em silêncio por alguns instantes e logo em seguida enfiou as mãos nos bolsos, encarando o doce olhar que lhe era lançado.
               “Cê sabe o que é o clã Souma?”. Kyo falou sério, mas sua voz continha uma profunda tristeza.
               A menina o encarou surpresa pela indagação, não conseguia compreender aonde o ruivo desejava chegar.
               “Só sei que são donos do maior complexo de empresas, principalmente de comunicação do país”. Ela respondeu.
               “A família existe desde o xogunato, naquele tempo eram samurais leais e muito influentes...”. Começou a contar a história mantendo a voz modulada e calma.
               “...!”. Tohru resignou-se a ouvir, talvez aquilo lhe mostrasse algum modo de ajudar o rapaz.
               “Com o fim do xogunato o clã não teve opção, adaptou-se a nova realidade conseguindo sobreviver à sangrenta transição. O Japão estava se abrindo para o resto do mundo e aproveitaram a oportunidade para entrar no comércio...”. Kyo fez uma pequena pausa, vendo que a jovem olhava-lhe de modo interessado e depois continuou.
               “... Começaram a enriquecer nesse momento e conseguiram chegar ao ponto atual, sendo não apenas o maior complexo de empresas do Japão, mas também um dos maiores do mundo!”. Afirmou fazendo nova pausa, agora vinha à parte mais complicada de falar e não sabia como continuar.
               “Pode falar...”. Tohru incentivou delicada, mas confiante.
               “Aff... No clã são comuns os casamentos consangüíneos, na realidade eles são quase regra, normalmente primo casa com primo.”. Falou com uma cara de desagrado.
               “Por quê?”. A menina indagou piscando curiosamente os olhos.
               “Eles dizem que é pra ‘preservar a pureza do sangue’ e como a família é grande fica relativamente fácil. Meus pais, os de Yuki e também os de Haru, são primos, já a mãe de Momiji é alemã, mas o casamento foi aprovado pelos Soumas devido à família dela ser tradicional e rica.”. Fez nova pausa, nunca havia contado aquilo para alguém.
               “Nossa! Não sabia.”. Tohru comenta, achando inusitado tal informação, mas não condenando nem apoiando o que lhe era revelado. Apenas ouvia.
               “No entanto, pouco depois do casamento, minha mãe conheceu um músico inglês que entraria na gravadora e se apaixonou perdidamente. Tiveram um breve relacionamento e depois ele desapareceu... Deixando-a grávida.”. Disse e parou suspirando tristemente.
               “Kyo...”. Honda murmurou sentindo o peito apertar, não esperava aquele rumo na conversa e sentia-se desolada ao ver tamanha tristeza nos olhos do rapaz.
               “Nem preciso falar que eu era a criança. Foi um escândalo, mas o casamento não se desfez, afinal seria pior. As coisas pioraram quando nasci muito parecido com o tal músico, na mesma época nasceu Yuki, fruto de toda tradição Souma.”. Kyo sentiu as pernas fraquejarem, era doloroso remoer algumas lembranças... Sem conseguir ficar de pé, sentou-se no calçada colocando os pés na rua.
               “...!”. Tohru abaixou-se ao lado dele, ajoelhando-se no chão, vendo-o ainda de perfil.
               “Minha mãe teve depressão pós-parto e morreu quando eu tinha quase cinco anos, vítima de um acidente e mesmo naquela época eu sempre fui comparado ao Yuki, pra mim ele é um símbolo de tudo de ruim que eu vivi naquele lugar, por isso o odeio! Por isso não vou cantar aquelas músicas!!!”. Contou rapidamente, não querendo entrar em detalhes de sua infância, pronunciando cada palavra com rancor.
               Honda inexplicavelmente sentiu vontade de chorar, jamais imaginou aquilo, era triste demais, um fardo grande para uma criança carregar sozinha e ainda pesado demais para o um simples rapaz.
               “Vocês não precisam ser amigos...”. Falou colocando a mão no ombro do outro.
               “...!”. Kyo a encarou com os olhos levemente arregalados devido à surpresa pela afirmação.
               “... Mas não deixe de fazer o que você ama! È difícil encontrar alguma coisa que nos faz pensar ‘É isso! Quero isso para o resto da vida e nisso sou bom!’... Quando encontramos, um sonho nasce...”. A meiga garota fez uma breve pausa.
               “...!”. Kyo sentiu algo dentro de si remexendo, naquele momento Tohru transmitia uma emoção que não conseguia definir com palavras, mas aquele sentimento acalmava seu coração e tocava sua alma.
               “... É por esse sonho que temos que lutar! É por ele que vale a pena viver... Kyo, não abra mão de algo tão lindo que você tem dentro de si.”. Honda falou e sorriu ternamente enquanto sentia lágrimas brotarem em seus olhos chocolate.
               O ruivo sentiu seus olhos vermelhos arderem com lágrimas que nasciam, abaixou a cabeça fechando os olhos para evitar que o líquido corresse, não queria chorar, mas tinha que admitir... Aquelas palavras o tocaram profundamente.
               “Tohru...”. Murmurou a voz rouca e abafada.
                A jovem apenas o encarou percebendo que corriam por sua própria face algumas gotículas de água salgada.
               “Por que... Você é a única a dizer o que eu preciso ouvir?”. Kyo falou e não conseguiu conter o impulso, erguendo rapidamente o olhar, envolvendo o corpo delicado em seus braços, naquele momento deixando uma lágrima rolar.
               A menina nada disse apenas retribuiu ao abraço, sentindo-se triste pelo amigo ter vivido tudo aquilo, mas aliviada, porque percebeu que ele não desistiria de seus sonhos. Deixou-se ficar ali envolta por aqueles braços fortes e carinhosos.
 
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               Estavam todos ainda na mesma sala. Hanajima e Arisa sentadas uma do lado da outra sendo que a loira, de tanto esperar, já se afundara no macio assento enquanto a outra estava de pernas cruzadas com olhar de tédio. No outro móvel estavam os Soumas Shigure, Yuki e Hatsuharu, respectivamente.  
               “Realmente eu não sei porquê ainda estou aqui...”. Reclamou o jovem de aparência delicada, erguendo-se do sofá em um gesto rápido.
               “Ora, você também quer saber a resposta do Kyo!”. Shigure afirmou mantendo o cotovelo direito apoiado no braço do móvel, lançando um olhar impreciso para o garoto.
               “...!”. Yuki apenas guiou ao mais velho um olhar de desprezo. 
               “Tá demorando...”. Reclamou baixinho, a loira.
               “Vou embora. Tenham todos uma ótima tarde!”. O jovem de madeixas gris disse, não conseguindo conter o tom levemente irritado, já caminhando para a porta.
               “Yuki espera...”. Haru tentou interrompê-lo, porém calou-se quando viu a porta se abrindo bem na frente do primo, no entanto, não era Yuki que a movia.
               Os olhos violetas se arregalaram levemente quando finalmente viu quem entrava, bem diante de si estava o primo ruivo que lhe encarou de um modo familiar cheio de desprezo e frieza, sentiu algo dentro de si remexer quando ele simplesmente passou direto e nesse momento pôde ver que a meiga Tohru vinha atrás de Kyo e eles estavam de mãos dadas. Viu-a passar a seu lado com um sorriso doce e infantil e tudo o que conseguiu fazer foi virar desistindo de ir embora.
               Os olhos negros da baixista do grupo arregalaram-se levemente quando viu o vocalista e Honda de mãos dadas, remexeu-se incomodada com a visão, não gostava de vê-los assim tão próximos e não conseguiu conter o alívio quando viu que as mãos se separavam.
               Um tortuoso silêncio se fez na sala, todos os olhares estavam focados em um único jovem, esse havia fechado os olhos e parecia reunir forças para pronunciar palavras que lhe pareciam impossíveis de serem ditas.
               “Tá legal, eu topo!”. Trovejou rápido o ruivo.
               Um instante de silêncio, a informação estava sendo processada por todos os seres ali presentes, com exceção a Tohru que sorria animada, era difícil acreditar que estava ouvindo aquilo.
               “Cê não pode tá falado sério!!!”. Uotani disse erguendo-se em um pulo.
               “Acho que perdi alguma coisa...”. Haru falou calmo, encarando o ruivo ainda de pé.
               “Cês são surdos ou o quê? Eu disse que canto essas porcarias de músicas!”. Tentou se conter o vocalista, mas estava visivelmente irritado.
               “Não são porcarias!”. A voz doce de Yuki também continha irritação estrema.
               Os olhos escarlates cerraram-se perigosamente enquanto virava-se para trás.
               “Seu idiota! Acha mesmo que você vai dar conta de cantar isso?”. Agora a voz do delicado rapaz soou mais fria e altiva.
               Kyo ergueu um pouco o queixo dando a sua face um ar de desdém.
               “Eu não me importo com um babaca sem graça como você. Farei o necessário para conseguir o que quero!”. O ruivo afirmou convicto.
               O jovem de belas madeixas cor de tempestade sentiu-se estremecer profundamente, já havia algum tempo que o primo não lhe dirigia tais sentimentos, seja no olhar ou na fala, há muito havia a irritação o ódio, porém agora o velho desprezo emergia com força total e isso o perturbava mais do que qualquer outra coisa.
               “Seu ‘Neko-kun’ idiota! Com quem...?”. Yuki dizia em tom irritado pronto para começar uma bela briga, porém foi interrompido pelo primo mais velho.
               “Ora, mas que maravilha!”. Disse o moreno em tom alegre, se erguendo rapidamente do sofá indo até os dois rapazes e quando lá chegou colocou a mão no ombro do ruivo.
               “Não vamos estragar o momento, ok?!” Ainda era Shigure quem falava e, logo em seguida, virou levando consigo o ruivo.
               “Me largar!”. Rosnou agressivamente, desvencilhando-se do contato, caminhando rapidamente até chegar onde Haru estava e se jogar no sofá ao lado do primo mais jovem.
               “O que faremos agora?” Indagou Arisa.
               “Como eu disse: Iniciaremos os trabalhos!”. O Empresário afirmou, agora mais sério, ciente de que agora vinha a parte mais trabalhosa.
               “...!”. Yuki pretendia dizer algo, mas calou resignando-se a ficar mudo atrás do primo.
               “Tudo acontecerá nesse prédio. Há um estúdio no subsolo, ele é nosso e lá vamos começar a fazer os arranjos e gravar algumas músicas, a serem selecionadas em meio ao material que trarei...”. Shigure explicou.
               Yuki, mais uma vez pensou em falar algo, afinal não havia concordado em deixar suas letras serem utilizadas, porém, mais uma vez, decidiu-se pelo silêncio, prestando especial a atenção ao que o Empresário dizia. Shigure parecia outra pessoa enquanto expunha os fatos.
               A banda teria que se encontrar todos os dias, após o termino das aulas e, como ele já havia explicado, seria no estúdio daquele prédio. Depois de algum tempo seria gravado o primeiro vídeo-clipe que seria da primeira música de trabalho, selecionada em meio ao que foi gravado.
               “... Então é isso. Agora os levarei para conhecer o estúdio.”. Por fim, calou-se o Empresário.
               Os que estavam sentados logo se ergueram e foram seguindo o mais velho. Yuki, curioso para ver onde aquilo ia dar, também foi, caminhando ao lado de Tohru que não escondia sua felicidade.
               Juntos desceram dois lances de escada deparando-se com um corredor em formato de “T” ladeado por algumas portas. Viraram à esquerda, havia três portas na parede à direita, e entraram na do meio. Deparam-se com um local não muito grande, mais ou menos quatro metros de largura e uns oito de comprimento. A sala era divida em duas partes. A primeira, onde entraram, era a menor e possuía um painel comprido que se assemelhava a uma mesa repleta de botões. Diante dele havia uma parede, com a metade de baixo de alvenaria e a de cima feita em vidro, servindo de divisória para o ambiente, e, ao lado direito do painel existia uma porta. E, do outro lado, estavam os instrumentos musicais e microfones.
               “Podem entrar e se divertir um pouco.”. Shigure disse aos componentes dos Amaldiçoados.
               Obviamente o quarteto apressou-se a fazer o que o empresário dissera. Primeiro Arisa, depois Hanajima, Kyo e Hatsuharu. Deixando do lado de fora o trio.
               “Sente-se aqui, senhorita Honda.”. O mais velho disse educado, puxando a única cadeira que havia diante do painel.
               “Obrigada!”. Ela agradeceu e assentou guiando seu curioso olhar para a mesa diante de si, reparando em vários detalhes e principalmente, na quantidade de botões.
               “Quanta coisa...”. Pensou meio perdida.
               Do lado de dentro do estúdio Uotani apressou-se a tomar seu lugar na bateria, Saki fez o mesmo com seu baixo, porém Haru ficou parado mantendo dois passos de distância de uma guitarra que, devidamente apoiada, estava em pé. Curioso Kyo se aproximou do primo reparando no quão o olhar do outro estava fixo no objeto.
               “Qual o problema?”. O ruivo indagou.
               “Isso... Isso... É...”. Disse Haru meio trêmulo se aproximando do instrumento musical e caindo de joelhos perante ele.
               “Isso é o quê???”. Kyo novamente perguntou, achando ridícula a cena do primo.
               “Uma Gibison!!!!!”. Falou o rapaz abraçando a guitarra.
               “Idiota...”. Praguejou o vocalista.
               Kyo sabia muito bem que a marca em questão tinha os melhores, e mais caros, instrumentos, afinal, tratava-se de um ‘clássico’ para todo músico, mas, sinceramente, aquele drama não era necessário!
               “Não vou perder meu tempo tentando entender ele...”. Pensou o ruivo chegando próximo ao microfone.
               Os olhos violetas de Yuki mantinham-se fixos nos movimentos do quarteto. Houve uma breve conversa e eles começaram a tocar uma música famosa, mas o nome e o interprete lhe fugiram à memória. Então virou o rosto guiando seus orbes para o primo mais alto que estava a sua esquerda.
               “O que te faz pensar que permitirei que usem minhas canções?”. Perguntou em tom gélido.
               Os olhos castanhos do mais velho brilharam de uma maneira misteriosa e um indistinto sorriso se formou em seus lábios enquanto virava-se para fitar o outro e então se aproximando lentamente do rapaz para murmurar a resposta.
               “Porque Kyo tem a voz de seus pensamentos...”. Sibilou e se afastou com ar de inocência na face. 
               Yuki arregalou levemente os olhos e estremeceu internamente devido àquelas palavras. Desejou, afoitamente, poder refutá-las, porém não encontrou as mentiras que precisava para fazê-lo.
               “Tenho que ir...”. Falou o jovem de madeixas gris.
               “Mas já, senhor Yuki?”. Tohru estava prestando atenção nos amigos que tocavam, mas ao ouvir rapaz atrás de si, voltou-se para ele com ar doce.
               “Sim, tenho que resolver algumas coisas.”. Mentiu, não tinha nada para fazer, mas ficar ali era torturante!
               “Que pena... Então tenha uma boa tarde!”. Sorriu a garota, ainda sentada.
               “Boa tarde e até logo.”. Respondeu e em seguida saiu do local ignorando, completamente, o empresário.
               Shigure apenas suspirou levemente e ficou observando o grupo tocar. Não demorou muito e uma pequena briga surgiu, algo a respeito da próxima música, após algum tempo nova rixa apareceu, dessa vez o tema foi respeito das notas corretas ou incorretas para a tal canção que havia gerado o primeiro, acalorado, debate.
               “Pelo visto terei muito trabalho...”. Pensou o empresário...
 
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               “Haja paciência...”. Murmurou Shigure apoiando os cotovelos sobre o painel diante de si e escondendo a face atrás das mãos.
               Duas semanas havia se passado desde que iniciaram os trabalhos naquele estúdio, porém as coisas pouco evoluíram. As discordâncias entre os membros da banda eram constantes, o que impedia o fluir das atividades. As coisas apenas pioravam quando Honda não estava presente, o que era quase regra, afinal a garota trabalhava, embora, naquele dia, ela estivesse presente.
               “Calma, senhor empresário, vai dar tudo certo!”. Afirmou a meiga garota.
               “‘Calma’ eu tenho, mas eles não... Em duas semanas não conseguiram se acertar nem no arranjo das próprias composições, quem dirá nas de Yuki...”. Respondeu em tom abafado pelas mãos.
               A jovem parou um instante, olhando para o grupo de amigos. Eles eram pessoas muito diferentes, mas formavam um belo conjunto, apenas faltava... Prática em sua convivência.
               “Tempo...”. Disse a garota.
               “...?”. O Souma guiou interrogativo olhar para a menina.
               “Eles só precisam de tempo para apreender a conviver.”. Falou com um sorriso na face.
               “Tempo...?”. Repetiu em um sussurro voltando a olhar para o grupo e então uma idéia brilhou em sua mente.
               “Sim.”. Novamente sorriu Honda.
               “Só você mesmo para me dar essa idéia!” Comentou sorrindo de felicidade e já se erguendo indo em direção a porta que dava para a outra parte do estúdio.
               Honda olhou confusa, não compreendendo o que Shigure havia dito.
               “Senhores... e senhoras...”. O empresário disse interrompendo a banda.
               “Qual é? Justo na hora que tava tudo indo bem!!!”. Praguejou uma irritada baterista.
               “Ora... Eu tenho a solução para esse problema!”. Falou todo cheio de si.
               “Cê já tá saindo?”. Haru falou, calmamente.
               “Chato... Voltando ao assunto... Vocês sabem o que falta para essa banda?”. Indagou ficando mais sério.
               “Um empresário decente?”. Foi a vez de Kyo se pronunciar, levemente irritado.
               “Isso é um complô contra mim?”. Shigure calou, esperando uma resposta que não veio, ficando no ar uma aura de ‘sim’ como resposta.
               “Aff... Isso não importa! O que falta é tempo!”. Frisou bem a última palavra.
               “Onde quer chegar?”. Hanajima perguntou sentindo que algo importante estava por vir.
               “É como em uma família, é preciso convivência para se acostumar com as diferenças entre os membros...”. Dizia calmamente.
               Tohru chegou na porta entrando no estúdio, permanecendo em silêncio atrás do homem mais velho, prestando atenção no que era dito.
               “Do que ce tá falando, seu idiota?”. Kyo já se irritava com o enigma que Shigure criava.
               “... Convivência, vocês precisam disso!”. Sentenciou firme.
               “Estudamos juntos e ficamos todo o tempo livre aqui. O nosso convívio é grande.”. Hanajima falou em tom morno.
               “Não é o suficiente! Por isso... Todos vão morar juntos!!!”. Afirmou com um sorriso na face, achando a sua idéia simplesmente brilhante!
               “O QUÊ?”. A única coisa que se ouviu foi o berro de Kyo após ouvir essas palavras...
 
Continua...
 
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Nota da autora:
 
               E o capítulo demorou muito mais do que eu havia previsto. Ele já estava iniciado desde que lancei o segundo, mas dei uma ‘travada’ e acabei me dedicando a outros projetos...
               Fiquei em dúvida com relação ao motivo de Kyo ser ‘marginalizado’ pelo clã, a melhor explicação que encontrei foi a que dei, afinal não há maldição dos signos na fanfic e as famílias tradicionais são muito rígidas em alguns aspectos. “Filho Bastardo” o que acharam?
      Comentários são bem vindos... Ah e a letra de música usada, Hollow Life’, é também do KoRn.
 
Aiko Hosokawa
 
16/05/2007
05:44 PM
   
   
 
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