xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Capitulo 01 – Primeira aparição.Colégio Kaibara. Mais um ano letivo estava chegando ao meio e o festival anual se aproximava. Vinte minutos já haviam se passado desde o início das aulas, no entanto, os alunos da 3-A estavam a sós na sala, a maioria de pé conversando animadamente, contando as novidades do fim de semana. Em especial um grupo de quatro jovens encontravam-se sentados ao reder de única mesa na qual cartas de baralho estavam separadas em dois grupos, um perfeitamente empilhado com os números virados para baixo e outro em desordem com os mesmos voltados para cima. “Hoje é o meu dia! Tô sentindo que vou vencer!”. Afirmou um jovem de madeixas cor de fogo, de olhos vermelhos brilhantes como rubis que demonstravam toda a excitação perante a uma disputa. “Vai sonhando! Kyon-Kyon!”. Rosnou nervosamente em resposta uma jovem de loiros cabelos que desciam soltos até um pouco abaixo dos ombros e com azulado e agressivo olhar que estava à frente do jovem. “Sua delinqüente! Pára de me chamar assim!”. A forte voz do ruivo soou furiosa, odiava profundamente aquele apelido! “Tá com algum problema, Ky-on-Ky-on?”. Falou a loira erguendo levemente o corpo e inclinando-o para frente para se aproximar do outro e encará-lo em desafio. “Vou te derrotar sua marginal!” Ele respondeu encarando-a da mesma maneira. Outra garota de cabelos cor de chocolate observava a cena com um sorriso bobo na face, a amizade entre aqueles dois era algo muito estranho e ao mesmo tempo divertido, viviam brigando, mas sempre estavam perto um do outro! “Vocês estão brigando sem motivos...”. Ela comentou em tom tão suave que não foi ouvida pela dupla. Ela sabia, aquilo sempre terminava da mesma maneira. “Acho que eu venci...”. Uma morena de longas madeixas pretas presas em uma traça de sombrio e profundo olhar negro disse em tom frio, virando as cartas que trazia na mão direita revelando a mais alta seqüência que aquele jogo permitia. “O QUÊÊÊ????”. O grito de espanto uníssono saiu misturando a voz feminina e a masculina, muitíssimo irritada. “Você é mesmo uma bruxa! Só isso pra explicar essa sua sorte!”. O ruivo disse parecendo ainda mais irritado, erguendo o corpo, batendo a mão esquerda na mesa, deixando as cartas que trazia sobre ela. “Não tem jeito, a Hanajima sempre vence...”. A loira disse conformada jogando as próprias cartas sobre a mesa e recostando-se displicentemente na cadeira, cruzando os braços e fechando os olhos. “A Uo-Chan tem razão, Kyo”. Disse a jovem de cabelos castanhos ainda sorrindo gentilmente, segurando as cartas na mão direita próximas ao corpo. “Vê se tira esse sorriso bobo da cara, cê também perdeu Tohru!”. Ele respondeu em tom elevado e ainda muito irritado. “Mas eu me diverti jogando com vocês...”. Disse ela sorrindo da mesma maneira. O ruivo a encarou, aquele meigo olhar era tão acalentador, tão terno e verdadeiro... Que... Que o desarmava completamente! “Sua tonta...”. Agora a voz do rapaz estava completamente normal, em um gesto rápido pegou as cartas da menina e jogou-as na mesa sentando longo em seguida, ainda com um semblante irritado. “Atenção todos, por favor...”. Uma suava voz masculina soou silenciando a confusão de vozes, fazendo todos os olhares voltarem para si. “Putz... A princesa de novo...”. Pensou ainda irritado o ruivo, olhando para o lado não querendo encarar aquela figura. Na frente da sala onde o professor costuma ficar enquanto lecionava estava um garoto esguio de aproximadamente um metro e setenta e quatro centímetros de altura, a pele era alva dando a ele uma aparência ainda mais delicada, quase feminina, os belos cabelos eram de tom gris exuberante, curtos e com franja na qual o lado direito era ligeiramente maior e mais volumoso, olhos violetas eram possuidores de um brilho quase místico e muito atraente. “O professor não virá hoje devido a motivos de saúde. Vamos aproveitar o tempo livre para decidir o que faremos no festival”. Disse em tom suave e audível a todos os colegas. “Sim, é verdade! O nosso teatro ano passado foi maravilhoso!”. Comentou empolgada uma menina de curtos cabelos negros. “Sim! O Yuki vestido de princesa foi tão lindo! 1”. Outra menina falou com olhos brilhantes como estrelas em noite clara. “...!”. O jovem ouviu a afirmação sobre si e nada disse, mas uma profunda irritação tomou seu ser, aquele incidente havia lhe rendido muita dor de cabeça devido ao estúpido primo ruivo que estava sentado naquela sala fazendo de conta que não o via. “Foi a irmão mais kawaii que já tive!”. Tohru comentou sorrindo abertamente, havia adorado a peça teatral e se Yuki não a tivesse ajudado a ensaiar teria tudo dado errado, já que a atriz principal machucou o pé momentos antes da apresentação, felizmente o jovem sabia todas as falas e salvou a nota de toda a sala! “Palhaçada!”. Kyo comentou baixinho irritadamente. Iria tudo ser como antes... Todos iriam discutir sobre possíveis temas e atividades, não entrariam em um acordo e no fim aquele maldito príncipe daria uma sugestão que seria prontamente aceita por todo o grupo... Afinal ele era tão respeitável, um exemplo para todos... “Então precisamos de sugestões...”. Ouviu aquela voz tão... “Irritante!”. Pensou nervoso erguendo o corpo. Desta vez não! Não permitiria que a história se repetisse! “Tenho uma idéia!”. Afirmou convicto. “Não quero disputar por comida até a morte...”. Falou um garoto de negros cabelos curtos e olhos castanhos. “Eu prefiro que não haja disputas...”. Disse em tom de descrença outro rapaz. “Lá vem asneira...”. Pensou Yuki revirando o olhar impacientemente. “Não é isso!!!! Minha banda... Ela pode tocar!”. A voz forte soou ainda mais confiante e muito decidida! “QUÊ???? CÊ TÁ LOUCO?!”. Uotani gritou alto, erguendo-se e segurando o rapaz pela gola da camisa. “A idéia me parece boa...”. Hanajima disse em tom sóbrio. “Droga!”. Praguejou a loira soltando o outro e voltando a se sentar. “Uma banda!!!!”. Quase gritou tamanha a empolgação uma jovem. “A idéia é ótima! Afinal temos apenas duas semanas disponíveis. Um grupo já formado e com músicas ensaiadas é tudo o que precisamos, só temos que arrumar o palco!”. Afirmou um rapaz. “Que maravilha! Será o primeiro show oficial da banda!”. Tohru disse contente, afinal era a fã número um deles e acompanhara desde o nascimento da idéia a unção passando pela criação de cada nova letra e tinha fé que os veria sendo famosos! “Eu não acredito...”. Pensou Yuki indignado, era difícil crer que algo de útil possa ter saído do cérebro daquele inútil ser. “Então está decidido...”. Começou a dizer, mas foi interrompido por um ruidoso som da porta que se abrira velozmente. “Olá! Desculpe a afobação, mas preciso saber o que vocês farão no festival, é urgente! Tenho que reunir todos os dados. Estamos atrasados!”. Disse um homem alto de cabelos cor de chocolate e olhos verdes vestido com roupas esportivas e clara, que respirava descompassadamente. “Claro. Apresentaremos um show...”. Disse Yuki em tom frio. “Show!? Show de quê?”. Perguntou o homem. “De rock!!!”. A voz de Uotani sobressaiu-se com empolgação, se era pra ser feito iriam arrasar! “Ok então. Tenho que ir”. Disse quase atropelando as palavras o professor de educação física que saiu fechando a porta. “Aposto que terei que ouvir coisas do tipo: ‘Esse Romeu está sangrando, mas você não pode ver o seu sangue...’. Eu não mereço! 2”. Afirmou para si em pensamento o jovem parado a frente da sala e então fitou o primo ruivo. “Até que enfim deu uma dentro Kyon-Kyon!”. Falou o garoto que antes havia sido o primeiro a repudiar qualquer possível idéia que viesse de Kyo sem nem ouvi-las, aproveitando o momento para passar o braço direito sobre o ombro do ruivo, puxando-o para si de forma brincalhona. “É verdade! Finalmente saiu algo de útil daqui!”. Disse o outro rapaz que havia negado o ruivo, colocando a mão direita sobre a cabeça do mesmo, mexendo-a com vigor, desalinhando completamente os fios cor de fogo. “Arrgg... Parem com isso!”. Rosnou nervoso tentando se desvencilhar e conseguindo na segunda tentativa. “É sempre assim...”. Sussurrou inaudivelmente Yuki para si, o primo tinha uma capacidade enorme de atrair companhia, era tão natural e verdadeiro... Todos se aproximavam dele que mais parecia um límpido rubi chamando a atenção para si. “Neko-kun... Qual instrumento o senhor toca?”. Perguntou meigamente uma jovem de aparecia tímida e delicada. O ruivo a encarou, os olhos vermelhos pareceram inflamar da mais pura raiva. “Que coisa é essa de ‘neko’?”. A voz saiu alta e super irritada, nunca ouvira aquele apelido. “Só porque eu gosto de gatos, não quer dizer que sou um!”. Disse mantendo a voz irritada. “Não é esse o motivo.”. Falou o garoto que antes abraçava o ruivo. “O apelido é porque os gatos te adoram como se fosse um semelhante! Hahahahahahahaha”. Falou o segundo garoto rindo alto. “Kyo...”. A meiga voz de Tohru chamou pelo ruivo. “O que?”. Perguntou com a mesma voz irritada. “Não vai responder a pergunta?” Disse a morena olhando para a garota que encolhera os ombros e abaixara a cabeça devido à reação do rapaz. Ele encarou Honda, depois guiou o olhar para a outra menina vendo o que havia feito, de imediato toda a irritação sumiu, não poderia ficar reagindo sempre daquela maneira se pretendia ir adiante... “Sou o vocalista...”. Falou em tom contido. “Quais são os integrantes?”. Perguntou outra menina. “Hanajima que toca baixo, Arisa Uotani na bateria e Hatsuharu da 2-A na guitarra.”. Respondeu Kyo mantendo o semblante sério. Um estranho silêncio se formou... O ruivo achou estranho e olhou para os lados interrogativamente, todos estavam sérios, era estranho... Então finalmente ouviu. “Kyon-Kyon e a delinqüente na mesma banda!!! Isso vai dar casamento!”. A afirmação saiu eufórica dos lábios de um garoto que estava um pouco mais distante do ruivo. “QUÊ??? Eu te mato, maldito!!!”. Grunhiu furioso correndo em direção ao outro que também começou a correr. Yuki olhava aquela confusão de forma inexpressiva, mas por dentro algo incomodava profundamente, desviou o olhar começando a andar em direção à porta, mas antes ouviu um garoto perguntar ao ‘neko’ que tinha parado de correr sem nada fazer com o outro rapaz. “E qual o nome da banda?”. E então a resposta... “Amaldiçoados.”. Dita em tom sério, estranhamente diferente do habitual para aquele rapaz. Percebeu antes de sair certo rebuliço, perguntando o porquê daquele nome tão estranho, Hanajima se pronunciou, mas não conseguiu compreender as palavras que ela disse, sentia a cabeça latejar levemente, precisava de um lugar mais calmo... OOO
“Tô dentro...”. Respondeu calmamente o jovem de arrepiados cabelos brancos, mas que na região da nuca eram negros como carvão, de castanho olhar, uniformizado com os sapatos brancos, calça e camisa azul, no entanto, não usava a clara gravata e mantinha os botões da camisa abertos até quase a metade do peito e na garganta usava uma coleira não muito grossa preta, acompanhada de mais três correntes maiores sendo cada uma de um tamanho, na menor um crucifixo prateado de três centímetros, e as outras demais simples e pretas. “Ninguém duvidou que você aceitasse...”. Disse Uotani colocando a mão esquerda na cintura virando o rosto e fechando os olhos, tudo aquilo era repentino demais, se pudesse esmagava a cabeça daquele ruivo idiota, mas se o fizesse ele não poderia cantar... “Pena...”. Pensou tentando conter a irritação. “Temos que ver com os professores se não há problema, afinal no festival são avaliados os trabalhos da turma e Haru ainda está no segundo ano”. Falou a jovem de negros cabelos. “O Yuki vai falar com os responsáveis, tenho certeza de que ele vai resolver isso!”. Tohru afirmou confiante, não seria isso que impediria a primeira apresentação pública do grupo! “Yuki... Yuki... Aquele sem graça e sem sal. Não sei o que vocês tanto vêm naquele cara...”. Kyo disse em tom de irritação, aquele maldito era seu primo, felizmente distante e não tinha a infelicidade de conviver com alguém tão insuportável. “Esse ‘sem graça’ acabou de resolver o seu problema, imbecil!” A voz suave agora tinha um leve tom de irritação e superioridade. Os escarlates olhos do ruivo se viraram para trás deparando-se com o ser que mais odiava no mundo, aquele... Idiota! Tinha uma enorme vontade de partir para cima dele e bater até que não pudesse ver aquele cínico e altivo olhar! “Ninguém te pediu... Além do quê, não fez mais do que sua obrigação... Princesa!” Novamente a grave voz masculina tomou tom irritadiço e os rubis brilharam de maneira assassina. “Minha obrigação começa no momento em que sua limitada inteligência entra em ação... Convidar um aluno de outra série não é permitido, a apresentação só será possível se a sala do Haru concordar...”. Disse a princípio fitando o ruivo, depois desviando o olhar para o outro primo de bicolor madeixas. O guitarrista saiu do lugar com a face transmutada em uma expressão boba, os olhos brilhando em admiração e felicidade, os braços erguidos para frente passou por Kyo ignorando-o completamente, chegando ao outro rapaz segurando a gravata branca do uniforme de Yuki. “Olá Yuki... Tenho certeza que você resolverá esse pequeno problema...”. Falou olhando nos olhos violeta que tanto admirava. “Er...”. Resmungou um pouco sem jeito o jovem. “Na verdade já resolvi. Conversei com o representante da sua sala e parecem que vocês também não haviam decidido o que fazer... Na verdade ele achou a idéia maravilhosa”. Respondeu desviando o olhar dos castanhos do primo. “O senhor Yuki é mesmo muito competente!”. Falou a jovem de cabelos cor de chocolate parando ao lado do rapaz. “Arrff... Tô indo almoçar...”. Kyo disse irritadamente dando as costas e abandonando o grupo. “Também vou... Estou com fome. Vamos Tohru? Uo-Chan?”. Hanajima finalmente abandonou seu silêncio. “É, tô mesmo afim de rangar...” Arisa respondeu e então olhou para a amiga que ainda não havia respondido. Os grandes olhos de Tohru brilharam de maneira pensativa... “Já sei!” Disse empolgadissíma. “Por que não vamos todos juntos?”. Perguntou e então olhou para Haru e Yuki. O rapaz de olhos violetas olhou para a jovem e depois para o ruivo que caminhava pisando duro. “Eu acho melhor...”. Começou a dizer, no entanto não conseguiu terminar a frase, sentiu o braço esquerdo de Haru envolvendo-o por cima do ombro e a então a mão o segurou com firmeza. “Claro que vamos, Tohru!”. Afirmou o jovem guitarrista com o semblante mais tranqüilo do mundo estampado na face. “Que bom!!!”. Ela falou empolgada. “Felizmente aquele estúpido foi na frente...”. Pensou Yuki conformadamente. “Kyo espera! Vamos com você!”. Tohru chamou em tom um pouco elevado erguendo o braço esquerdo e colocando a mão direita na face no intuito de fazer o som ir mais longe. Yuki viu seu único motivo de conforto cair por terra quando o ruivo parou sem olhar para trás fechando ambos os punhos em sinal de irritação, mas esperando pelo grupo. “Esse vai ser um longo intervalo...” Comentou em tom tão baixo que nem Haru pode compreender.
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Os dias passavam rápido, todos os alunos estavam envolvidos na produção do evento. No entanto, Yuki mantinha-se distante das atividades de sua turma, afinal não precisava ouvir a irritante voz do primo falando, quanto mais cantando! “Tenho certeza de que ele é desafinado!”. Pensava sentado na sala do grêmio do qual era o presidente desde o segundo ano. Usava as atividades referentes àquele local como desculpa a sua ausência nos ensaios, embora acabasse por resolver vários problemas sem ir até o teatro da escola. “Pelo menos isso acaba amanhã”. Disse baixinho para si erguendo-se, deixando um papel sobre a mesa, caminhando para a porta, estava na hora de ir para casa...
No teatro...
“Ajuste a iluminação mais pro centro...”. Disse a um rapaz ao colega que ajustava os canhões de luz que havia no alto e um pouco à frente do palco. “O som tá dando eco...”. Disse mais para si o garoto que estava em uma pequena sala à esquerda do palco em nível mais alto, com metade da parede a frente feita em vidro dando total visualização do local. “Essa nota não tá boa...”. Hanajima falou olhando para Haru. “Vamô num tom abaixo”. Respondeu o rapaz. Kyo postou-se novamente ao microfone que estava sobre um tripé, abrindo a boca e liberando sua voz...
Meia hora depois...
“É isso aí, pessoal! Tá tudo pronto, por hoje acho que é o suficiente”. Falou uma jovem. “Tá todo mundo de parabéns! Tudo tá perfeito!”. Falou outro jovem parando ao lado da menina. “Que bom né?!” Tohru falou, após ter deixado a cadeira na primeira fila e subido no palco. “Finalmente... Agora tenho certeza de que vamos arrebentar!”. Arisa falou com as baquetas, uma em cada mão. “Realmente, satisfatório”. Hanajima disse em tom suave. “Vamos arrebentar!” Haru disse abraçando Kyo por cima do ombro e puxando-o para si. “Larga...”. Rosnou o ruivo colocando a mão no peito do colega para empurrá-lo, mas sem conseguir afastá-lo. Haru aproximou mais os corpos fazendo o outro lhe encara. “O que foi? Minha aproximação te incomoda?” Disse languidamente em tom rouco, audível apenas ao jovem de madeixas cor de fogo. “...!”. Não respondeu, apenas desvencilhou-se do contato começando a caminha para trás do palco. “Até amanhã”. Foi à única coisa que saiu dos lábios do rapaz antes que desaparecesse. “Bom... Atitude de rock star ele tem...”. Comentou a menina que havia encerrado as atividades “Olhe bem... Todos eles têm!”. Afirmou o rapaz que estava ao lado olhando para o grupo que conversava com Honda. “É verdade...”. Concordou. Ao poucos o lugar foi ficando cada vez mais vazio até que finalmente todos deixaram o teatro. Antes de sair, Yuki resolveu olhar o resultado do trabalho das duas turmas, encontrando tudo perfeitamente organizado e o palco pronto. “Infelizmente amanhã não há como fugir...”. Pensou dando as costas ao palco. De um jeito ou de outro teria que ver a apresentação...
OOO
Dia seguinte...
O festival estava a mil, toda a escola se empenhava em fazer o seu melhor. Muitas salas optaram por servir diversos tipos de alimentos tradicionais, um teatro também foi montado. A peça já estava sendo exibida no teatro da escola, logo depois dela viria à apresentação na banda que representaria duas turmas. Já era à tardinha e o musical seria a última apresentação. “Momiji, venha! Tenho que voltar para casa”. Disse com tom de impaciência um homem. Ele tinha negros cabelos lisos, curtos, mas possuidor de longa franja que caia de lado ocultando o olho esquerdo escondendo o tom azul-acinzentado do belo olhar. Trajado de maneira formal, calça social azul-marinho, camisa no mesmo estilo, porém branca, gravata em tom de azul mais claro do que a calça e com o terno na mão esquerda. A frente ia um jovem de loiros cabelos curtos vestindo com uma camisa cor-de-rosa clara com pequenos babados nas compridas mangas com um macacão que misturava dois tons de alaranjado em tiras verticais e, na mão direita, levava um pirulito vermelho. “Aaaaaaaahhhhhhhhhh Hatoriiiiii, eu quero ver a apresentação da turma da Touhruuuu!!!”. Falou de maneira manhosa em meio ao corredor da escola, fazendo cara de coelhinho abandonado. O homem mais velho olhou um tanto impaciente. “Se demorar, vamos embora...”. Concordou a contragosto, odiava quando tinha que servir de babá, ainda mais quando tinha tanto serviço e ser feito na gravadora! A tarefa era simples, ‘só chegar e levar o garoto embora’ lembrava-se muito bem das palavras do amigo Shigure, no entanto, Momiji parecia não concordar com o plano de ir embora mais cedo... “Êbaaa!!!!”. Comemorou o jovem e logo saiu correndo em direção ao teatro, estava na hora! Hatori olhou para o lado direito vendo um grupo de garotas paradas a lhe encarar com sorrisos bobos na face, suspirou pesadamente e foi em direção ao garoto saltitante.
O teatro já havia acabado e o palco já estava pronto para a apresentação dos “Amaldiçoados”. Yuki suspirou penosamente, havia ajudado no que podia, agora era ver a performance do grupo. Estranhara o fato de não ver os componentes naquele dia, disseram-lhe que estavam se aprontando no camarim, no fundo agradecia o fato de não ter que suportar o primo idiota. “Honda deve estar com eles...”. Pensou lembrando-se que não havia visto a garota de quem tanto gostava. “Melhor ver a apresentação junto ao público... Pelo menos não terei que ver aquele ruivo de perto...”. Conclui o rapaz ainda em pensamento deixando os bastidores. O teatro estava cheio, em sua maioria o público era de alunos, mas pais e professores também estavam ali. Olhando ao redor percebeu a presença do primo Momiji todo empolgado na primeira fila, porém ele não o vira, já que estava bem atrás em pé em meio ao corredor de cadeiras, junto à porta de entrada viu Hatori outro membro de sua família, cumprimentou com um aceno de mão e esperou. De repente a luz começou a baixar, Yuki olhou para os lados, não se lembrava que aquilo iria acontecer... Bom, provavelmente por não ter participado efetivamente da organização do evento. A escuridão era total, nada no palco podia ser visto, ouvia-se apenas murmúrios que pertenciam às pessoas do público indagando o que estaria acontecendo, se havia problemas na instalação elétrica da escola, no entanto... Uma voz masculina, sombria tal qual a de um imortal soou dizendo apenas uma palavra: “Amaldiçoados”... E novo silêncio se fez. O silêncio... Este foi quebrado, pareciam vozes ecoando em canto sombrio e comovente, como sopro do vento em meio à desolação... Então a bateria começou a acompanhar imprimindo um ritmo mais forte, mas ainda mantendo o ar sombrio. Novas vozes em coral soaram como se estivesse a consentir... Um foco de luz brilhou no palco, de cima para baixo iluminando apenas o microfone sobre o tripé, então uma mão o tocou e a outra veio logo depois envolvendo o objeto, de forma que apenas o par de mãos com unhas pintadas de negro podiam ser vistas. A guitarra e o baixo já faziam companhia aos primeiros sons deixando tudo ainda mais fantasmagórico... Lentamente sob o foco de luz uma face foi se mostrando até que pudesse ser totalmente vista... Era Kyo, os olhos cor de rubi estavam contornados de preto fazendo o escarlate sobressair lindamente, a iluminação dava àquela face um ar ilusoriamente vampirescos, e então os lábios se abriram de maneira sensual e as palavras saíram...
Eu superei isso
Veja, eu estou caindo no vasto abismo.
Yuki estremeceu ao ouvir o canto grave, enquanto mais palavras chegavam a seus ouvidos.
Obscurecido por memórias do passado
Enfim, eu vejo.
Ao mesmo tempo uma fraca iluminação começava a clarear o palco, deixando visível, ainda em meio à penumbra, todos os membros dos ‘Amaldiçoados’.
Eu o ouço desaparecendo
Eu não posso falar isso
De Arisa Uotani somente se via parte do busto e a cabeça, a loira sem piedade batia suas baquetas nos pratos e tambores da bateria, perfeitamente sincronizada, as madeixas movendo-se livremente e na face uma expressão séria, no entanto demonstrando estar completamente à vontade como se fizesse a única coisa que sabia fazer bem. E Yuki tinha que admitir... Ela realmente era boa!
Eu o ouço desaparecendo
Eu não posso falar isso
A voz de Kyo continuava assombrando, no entanto, não parará para visualizar sua figura. Fixara-se sem Hanajima. Os longos cabelos da morena estavam soltos, como não poderia deixar de ser, ela vestia-se completamente de preto em um longo vestido gótico, e o olhar que sempre lhe parecerá estranho e vazio, agora tinha um brilho profundo e concentrado no som que seu baixo produzia.
Ou senão você cavará minha cova
Nós tememos que eles encontrem
Então viu seu primo Haru, como não poderia deixar de ser ele usava uma calça apertada marrom muito escura e uma camisa de mangas compridas, preta e transparente, de botões na frente e no punho dos quais sequer um estava fechado, deixando ver todo o peito e abdômen claros, estranhamente não usava cordões ou coleiras, apenas os habitual exagero no número de brincos na orelha esquerda. E os dedos do rapaz faziam à guitarra chorar melodicamente enquanto ele arqueava para trás como se o corpo estivesse tomado pela sensação do prazer absoluto.
Sempre farejando
Pegue minha mão agora
Fique vivo
A banda persistia em seu intuito de encantar, Kyo movia-se no palco, segurando o microfone junto ao pedestal curvando-se chegando mais perto do público da primeira fila, que a essa altura já se levantará assim como o resto do teatro, todos movidos pela empolgação, completamente encantados com o ritmo peculiar a eles. Você vê que eu não posso ser abandonado
Porque eu não sou o único
Nós caminhamos entre vocês
Alimentando, estuprando.
Devemos nos esconder de todos
As palavras continuavam chegando ao ouvido do rapaz em um inglês perfeito e, finalmente, fixou o olhar no primo vocalista. Estremeceu com a visão. Kyo estava vestido completamente de preto, desde os sapatos passando pela justa calça que modelava as roliças coxas revelando formas que nunca antes percebera, chegando até a camisa que aderia ao corpo como se fosse uma segunda pele, as mangas eram longas grudadas nos braços e chegavam até as palmas das mãos fazendo o papel de luvas que não encobriam os dedos e os lábios de aparência macia se moviam como se estivesse a falar, liberando o refrão da música.
Você vê que eu não posso ser abandonado
Porque eu não sou o único
Nós caminhamos entre vocês
Alimentando, estuprando.
Devemos nos esconder de todos
Novamente o refrão, as variações do tom da grossa voz do ruivo eram simplesmente soberbas!
Porque eu não sou o único
Porque eu não sou o único
As palavras começaram a ser repetidas, indicando o fim da canção que seria a única daquele dia devido ao pouco tempo disponível.
Você vê que eu não posso ser abandonado
Porque eu não sou o único
Nós caminhamos entre vocês
Alimentando, estuprando.
Devemos nos esconder de todos
Apenas instrumentos soaram por alguns instantes. Completamente extasiando, Yuki não percebia o alvoroço ao seu redor, muitos pais achavam um absurdo àquela letra, aquele tom profano, no entanto, os alunos estavam amando e muitas meninas chamavam por Kyo e Haru. Atrás do palco estava Tohru com as mãos postadas como se estivesse a rezar, pedindo para que tudo desse certo... Sabia do talento dos amigos e torcia muito por eles, estranhara apenas o fato de Yuki não estar ali como ela. Yuki via-se completamente envolvido pela música, a letra era simplesmente perfeita para o nome do grupo, a melodia e os toques dos instrumentos tinham a soberba dos poderosos, perfeitamente afinados... Já a voz... Nunca, jamais em toda sua existência imaginara que Kyo fosse tão bom! Parecia ter saído de seus sonhos para dar o profano tom a seus pensamentos obscuros... De imediato imaginara ele cantando as músicas que compunha... “Seria perfeito...”. Admitiu em pensamento. aa Eu superei isso
Por que não podemos ficar juntos?
Não se sentia capaz de sair do lugar, queria contemplar, queria ouvir aquela voz, desejava que ela jamais parasse! Sentindo como se o mundo não existisse, apenas ele e Kyo, apenas se entregando a sedução secular. Apague isso
Dormindo tanto tempo
Tirando a máscara
Enfim, eu vejo.
Novamente o refrão, as variações do tom da grossa voz do ruivo eram simplesmente soberbas!
Porque eu não sou o único
Porque eu não sou o único
As palavras começaram a ser repetidas, indicando o fim da canção que seria a única daquele dia devido ao pouco tempo disponível.
Porque eu não sou o únicoooo
Uma estranha tristeza acometeu o coração de Yuki ao perceber que Kyo se calara, os instrumentos tocavam sós e o tom ia baixando gradativamente indicando que a música chegava a seu fim. Junto ao tom as luzes também foram diminuindo, até que... Silêncio e escuridão. Pesadamente Yuki suspirou, sentia como se o corpo tivesse sido tomado pelo êxtase e uma enorme leveza lhe veio ao coração. “Kyo...”. Murmurou baixinho enquanto a iluminação era restabelecida e a banda não mais estava no placo. A partir de agora seria ainda mais complicado esconder a admiração que tinha pelo primo, olhou para os lados, Momiji não estava mais ali, olhou para trás e Hatori também havia se retirado, pensou um pouco, resolveu voltar para a casa, realmente não desejava encarar o primo depois de ter ficado tão abalado diante dele. OOO
Hatori dirigia o carro prestando muita atenção ao trânsito, porém lembrando-se do que virá no show. “Viu só? A turma da Tohru fez a melhor apresentação do festival! A banda estava linda!!!!”. Falou empolgado o garoto de madeixas cor do sol sentado no banco de trás do automóvel. “É... Promissor...”. Disse mais para si o homem que dirigia. Continua... OOO Ultra Especial Nada Importante – Parte I (XD) 1 - Esse fato na realidade ocorre em uma fanfic, minha e da minha amiga Yume Vy, que logo será publicada! Yuki de princesa ficou super kawaii! 2 - Não é que Bon Jovi seja totalmente ruim, para falar a verdade amo Always (se ninguém percebeu aquelas palavras são as primeiras da música) minha única intenção era falar que não é bem esse tipo de música que Yuki gosta. A música faz parte da trilha sonora do filme Rainha dos Condenados que vale a pena, principalmente por causa das músicas. Essa é do KoRn e se chama Forsaken (Abandonado), coloquei a tradução porque tem muita gente que não sabe inglês, mas recomendo que ouçam! No início sei que isso não estava parecendo um universo alternativo, acho que o primeiro indício foi o fato da idéia de Kyo ter sido boa e aceita! Hehehehehehe... Nos próximos capítulos, mostro mais o lado da banda e dos outros personagens, não focando tanto no Yuki. Espero que estejam gostando. Beijos, 03/05/2006 |
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