xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx capítulo
03 Esticou-se na cama como um felino preguiçoso. Apesar da noite tórrida que tivera com aquele maravilhoso turista brasileiro,
seu corpo parecia estar anestesiado. Sorriu ao lembrar do gingado que aquele corpo moreno possuía até mesmo na
cama. Se todos os brasileiros fossem assim, provavelmente suas próximas férias
seriam no Brasil aproveitando o fabuloso clima e os homens. Olhou o relógio sobre a cômoda. Dez da manhã e ainda não tomara seu café, mas
no fundo, café não era importante naquele momento. Estava com uma tremenda
vontade de comer uma bela barra de chocolate ao leite, ou qualquer outro doce
com chocolate. Era sempre assim, após uma boa noite de sexo, acordava com esse
desejo avassalador. Simplesmente era um vicio. Sexo e chocolate. Um vicio que
ele nunca iria abandonar enquanto vivesse. Levantou-se deixando o lençol cair de cima de seu corpo aos pés da cama,
revelando pequenas marcas avermelhadas naquela pele perfeita. Caminhou para o
banheiro de forma ainda preguiçosa, espreguiçando-se pelo caminho. Seus belos olhos azuis fitaram o espelho. Um sorriso adornou os lábios
rosados, enquanto dedos ajeitavam em vão os fios aloirados de sua franja. “Humm... preciso de banho urgente. Tava tão cansado que só consegui dar boa
noite, nem vi quando ele saiu”. Sorriu travesso. Olhou para banheira e depois para o box. Como estava realmente com fome, não
queria perder tempo, optou pelo box em um banho rápido. Em trinta minutos já estava pronto. Tu tempo recorde, já que adorava se olhar
no espelho, cuidar da pele, do cabelo. Era igual ou até mesmo pior que seu
primo. Dando mais uma rápida olhada no espelho que se encontrava na sala do
quarto de hotel, pegou o cartão do quarto e saiu. Enquanto esperava o elevador, ficou imaginando se aquela roupa bem casual que
escolhera era uma boa opção. Uma bata creme de mangas longas, mas com o tecido
leve e transparente que desta forma poderia esconder um pouco seu corpo e por
ventura as marcas da noite anterior. Uma calça jeans e uma sandália que deixavam
seus delicados dedos a mostra. Nem percebeu quando o elevador chegou, mas logo o adentrou e procurou esvair
sua mente de quaisquer pensamentos que não fossem comida e chocolate. Era a
única coisa que mão abriria mão em sua dieta. Mesmo que depois se matasse para
perder todas as calorias que ingerira, além de ter que reforçar o cuidado com
sua pele. O tempo estava maravilhoso. Adorava sol, ao contrário de Afrodite que fugia
do astro rei com medo de ficar com marcas, mas ele não, ele adorava sentir-se
aquecido. Tinha a pele tão alva quanto à do primo, mas não deixava de pegar os
raios da manhã e nem do final da tarde, sempre quando podia. Andou pelas ruas próximo ao hotel, procurando uma boa cafeteria. Não demorou
nem mais de dez minutos ao deitar seus olhos no estabelecimento que procurava.
Andou apressadamente até o outro lado da estreita rua. Era belíssimo pelo que podia ver pelo lado de fora. Um estilo aconchegante,
mesmo sendo bastante espaçoso por dentro. Não pensou nem mais um segundo e já se
encontrava dentro da cafeteria olhando os mais diversos tipos de pães, bolos,
doces... pelo visto a palavra ‘dieta’ fôra riscada momentaneamente de sua
agenda. Estava tão distraído que não percebeu uma aproximação de um dos
atendentes. “Pois não senhorita, o que desejas?”. Era uma voz firme e levemente
rouca. Misty que não esperava ser tão rapidamente abordado se assustou dando um
pequeno pulo. Fechou os olhos e ao colocar uma das mãos sobre o peito como se
tão ato pudesse lhe acalmar. Ao levantar o rosto pra fitar a pessoa que lhe
abordara, simplesmente perdeu a voz. A situação de constrangimento era mútua. O atendente sentia-se constrangido por ter assustado a bela jovem, e contra
partida, Misty sentia-se constrangido por ter sido confundido com uma mulher por
aquele belo rapaz. Não que isto não ocorresse sempre, pelo contrário, já estava acostumado, mas
simplesmente não soube explicar o motivo de seu estado. Curto por sinal, pois o
nervoso dentro de si fez com que começasse a rir baixinho antes de falar. “Bem... err... primeiro eu desejo...”. ‘Que tal você na minha cama’.
Pensou quase se socando. “Que você não me chame de senhorita... segundo...”.
Olhou para a extensa vitrine de doces. “Eu quero o doce mais carregado de
chocolate que vocês possam ter, por favor, eu preciso disto agora mais do que
você possa imaginar. Aham, tipo, seria estranho se eu solicitasse um copo de
café de 500ml?”. Sentiu-se um pouco envergonhado com este último pedido. O jovem que até então acompanhava todo os movimentos – nervosos por sinal –
da jovem a sua frente, acabou por se deparar com o óbvio. A suposta ‘senhorita’,
na verdade era um rapaz. Tentou se conter para não comentar nada sobre tal fato
e procurou agir normalmente, apenas corrigindo o pequeno engano. “Sim, estarei levando o seu pedido em alguns minutos, senhor. Queira se
sentar em uma de nossas mesas. Deseja algo mais?”. Misty procurou evitar o olhar intenso daquele jovem a sua frente, mas em seu
interior, em sua mente, ele queria complementar o pedido de uma maneira nada
adequada. Sorriu discretamente ao jovem. “Por hora é somente isto, depois vejo o que mais posso pedir. Obrigado”. Virou o corpo indo se sentar em uma mesinha no canto próximo a janela. Dali
poderia tanto olhar a movimentação da rua, quanto o belo jovem atendente. Podia observar a movimentação daquele corpo aparentemente moldado, aqueles
longos cabelos castanhos claro presos em uma trança discreta, aqueles olhos
azuis tão mais claros que os seus próprios. O rosto sério, o contorno do nariz,
dos lábios... era um belo homem. Desviou seu olhar para a rua tentando não pensar, mas isto era algo difícil
de se fazer. No balcão, olhos azuis fitavam o loiro de maneira discreta. ‘Só você mesmo
para confundir um homem com uma mulher, mas... ele é tão... feminino!’ Teve
seu pensamento interrompido por uma voz suave. “Pronto, aqui está o café gigante que você pediu, Dubhe. Pode levar para o
viciado em cafeína”. A jovem senhora riu baixinho. Aquela quantidade de café
serviria para acordar até defunto. Pegou a bandeja colocando o café e os doces de chocolate e se preparou para
levar. O dia para Kamus havia se passado como um borrão. Sua situação com Milo, em vez de melhorar, apenas piorara. Ainda podia sentir
o sabor, o calor dos lábios do grego, e ao mesmo tempo em que aquilo lhe
despertava imagens em sua cabeça, também lhe irritava. Ele nunca se sentiu atraído por homem nenhum. Não entendia o que estava
acontecendo entre ele e Milo. Talvez sua curiosidade, era o problema. Estar
entre eles, escutar relatos de Milo e algumas vezes de Mu, provavelmente não
tinha sido uma boa idéia. Não era preconceituoso, mas não conseguia se imaginar
tendo um relacionamento íntimo com outro homem. ‘Será?’. Foi a pergunta
que lhe cruzara a mente sempre que chegava a uma conclusão daquelas. Escutar que Milo o amava... seria muito burro se deixasse se levar. Curiosidade, certo? Passando as mãos pelos cabelos em um ato um pouco
desesperado, Kamus decidiu consigo mesmo como acabaria com aquela ‘curiosidade’.
Pegou o telefone, discando para Shura, afinal, o espanhol deveria sair a noite,
e parecia que ele era mais mente aberta do que Carlo. “Trisha, prepare o quarto de hóspedes, teremos companhia por um longo tempo
nesta casa, deixe tudo preparado para ele”. O ariano disse logo ao entrar em
casa para sua governanta. “Sim, senhor Dorje. Posso perguntar a que horas seu convidado chegará?”. “Por favor, Trisha, me chame de Mu. Não me chame nem de Mutisha e nem de Sr.
Dorje. Apenas Mu. Não gosto muito do meu nome, e meu sobrenome... somente na
empresa. Já estamos aqui a mais de quatro dias e você ainda não se acostumou
comigo?”. Disse rindo ao ver o rosto corado da bela jovem. “Desculpe, mas é que... eu... Tudo bem, senhor Mu, farei o que me pede”.
Sorriu sem graça. “Bom, menos mal, finjo que não escuto a palavra senhor antes do meu nome.
Sobre o horário que me perguntou, creio que ao final da tarde ou noite. Não
pretendo sair hoje, tenho coisas mais interessantes a fazer”. “Sim, então deixarei tudo pronto o mais rápido possível, senhor”. “Trisha, o caminhão colocou toda aquela mobília no depósito?”. Perguntou
curioso enquanto prendia o cabelo em um coque. “Como o senhor havia solicitado. Os rapazes da transportadora colocaram lá
nos fundos da mansão senhor. Ainda tem dois dos rapazes que vieram fazer a
entrega, lá arrumando”. Observava o jovem andar de um lado para outro no hall
como se estivesse arquitetando alguma coisa. Ao ouvir que dois dos rapazes ainda se encontravam por lá, Mu apenas sorriu
de canto. Não faria mal algum se por acaso viesse somente a matar sua
curiosidade em acompanha-los na arrumação. Não disse mais nada a jovem
governanta, apenas se pôs a caminhar indo em direção aos fundos da mansão onde
se encontrava o depósito com todos os pertences de Shaka. “Droga, onde se enfiou aquele espanhol numa hora destas?”. Kamus andava de um
lado para outro com o celular na mão. Quando decidira fazer alguma coisa, nada
dava certo. Deixou um recado na caixa postal apenas. Começou a se sentir como um animal enjaulado, era como se um pânico crescesse
dentro de si e minasse eu controle. Olhou para suas mãos notando as unhas longas
com uma base levemente acobreada – usada para fortalecer às mesmas. Em sua mente
algo lhe gritara que suas unhas eram por demais femininas, e só pode se dar
conta do que fazia, quando se viu largado no chão do banheiro cortando-as, uma
por uma, até próximo ao sabugo. Era um homem, deveria ter unhas como tal, e não
como uma mulher. Levantou-se ainda um pouco descontrolado. Fitou o próprio reflexo no espelho.
Os traços de seu rosto não eram exatamente másculos como os de Milo, Shura ou
Carlo. Também não era efeminado como o rosto de Afrodite, mas em uma observação
geral, em uma conclusão... eram traços delicados. Levou uma de suas mãos aos cabelos. Longos, vistosos, sempre bem cuidados.
Sentiu o peito se apertar. Como poderia ter sua masculinidade respeitada se mais
parecia uma mulherzinha? ‘Ele sempre ficava com os garotos que se pareciam
com mulheres. Usava-os e depois os jogava fora como meros brinquedos’.
Lembrava-se da época que passara ao lado de Milo antes de voltar à França. Seus olhos deitaram sobre a tesoura que agora se encontrava descansada por
sobre a pia. Não pensou duas vezes no que deveria fazer. Apenas agarrou a
ferramenta de corte afiado e direcionou-a para os belos cabelos com fios rubros.
Iria corta-los. Acabaria com aquela feição delicada. Suas mãos tremiam. A que segurava o punhado de cabelo que levaria o primeiro
corte, deixando-os tão curto quanto deveriam ser, e a mão que segurava a
tesoura. Um toque. O toque insistente de celular que se encontrava em sua calça, interrompera a
atrocidade que iria cometer. Desnorteado, largou a tesoura na pia ainda fitando seu reflexo no
espelho. Ainda podia sentir e ouvir o celular tocando em seu bolso. Pegou com mãos
tremulas. “Oui, Monchelieu falando”. Tentava parecer normal, controlado. Como se nada
tivesse ‘quase’ ocorrido há minutos atrás. “Kamus, é Shura. Você me ligou pra quê francês? Eu estava no banho hombre.
Relaxando sabe? Conhece essa palavra? Mas deixa para lá, o que você queria
comigo?”. Do outro lado da linha, o espanhol ainda se enxugava. Estava preocupado. Era
extremamente raro Kamus lhe ligar. Normalmente ou ele ligava para Milo ou para
Mutisha. Kamus ainda estava tentando organizar seus pensamentos. Tinha quase cortado
seus cabelos em um ato de total descontrole, e Shura agora vem lhe falando sobre
relaxar? ‘Relaxar? Mon Dieu, como se eu pudesse fazer isto tão
facilmente’. Pensou enquanto respirava fundo. Devia uma resposta a Shura que
parecia estar impaciente do outro lado da linha. Uma vez que escutava baixinho
algumas imprecações vertidas pela boca do espanhol. Resolveu falar logo o motivo
de sua ligação. Afinal, mesmo com todo o seu descontrole, ele não arredaria o pé
de sua decisão inicial. “Sei muito bem o que é relaxar Shura, mas não estou com cabeça para isto no
momento. Não te liguei para falar sobre isto. Quero saber se hoje à noite vocês
vão sair. Se vão voltar a boate do Afrodite?”. Sentia seu rosto quente, não ousaria se olhar no espelho para constatar que
seu rosto encontrava-se corado. Esperava apenas as piadinhas do espanhol que não
tardaram em vir. “Madre de Dios, hombre... mesmo depois de todo o barraco de ontem, você ainda
quer voltar lá? Alias, o que um hetero bem comportado como você, e além disto
amarrado por uma bela francesa, iria fazer em uma boate... suspeita?”. Shura estava com um sorriso extremamente malicioso. Na verdade ele tinha suas
dúvidas sobre Kamus. Não era burro, notava os olhares do francês para Milo, mas
não se pronunciava em nada. Imaginava que este assunto para Kamus deveria estar
lhe rendendo o rosto corado. “Guillén... Shura, eu juro que se você espalhar isto... eu te parto a
cara”. Kamus estava mais do que sem graça, mas não arredaria o pé. Também possuía
sua carga de teimosia, igual ou no mesmo patamar do que o escorpiano ou qualquer
do grupo. “Ok Kamus. Mas... se você se garante como ‘um de nós’, porquê está todo
irritado francês?”. “Não estou irritado. E eu só... Droga, Shura, eu só quero me distrair, ok?
Nem sei mais pra que liguei para você. Esta conversa está sem sentido
algum”. “Kamus... de boa meu camarada. Se você quer alguma coisa da noite de hoje, te
dou um conselho... beba bastante. Divirta-se, distraia-se, dance e mais um
conselho que sei que fará diferença... dê uma boa foda. Ta precisando cara”. Já tava esperando um xingamento em francês ou até mesmo o telefone sendo
desligado na cara, mas se surpreendeu com o que escutou. “Acho que você tem razão espanhol. Nos encontramos na boate às vinte e duas
horas?”. Shura teve que parar e se sentar na cama ao notar que não fôra xingado.
Apenas concordou com o amigo. “Certo hombre, às dez horas na boate do Afrodite”. A ligação fôra terminada. De um lado um espanhol estranhando a reação de
Kamus. Do outro... Kamus largando o aparelho no tapete do quarto. Nem notara
quando saíra do banheiro. Estes últimos dias estava perdendo a concentração até
mesmo para as coisas mínimas. Olhou para uma caixa no canto do quarto e suspirou. Tentaria relaxar fazendo
algo que a muito não fazia. Tocaria seu violino. Era o único momento que
conseguia relaxar. Caminhou até a pequena caixa que guardava cuidadosamente o instrumento, e
abriu-a. Seus olhos correram pela cor amadeirada do belíssimo instrumento
envernizado. Segurou-o posicionando-o cuidadosamente na altura de seu ombro, enquanto seu
queixo o firmava no lugar. Em poucos minutos uma doce melodia podia ser ouvida
ressoando pelo quarto todo. .:.OoO.:. Já era final de tarde. O céu mais uma vez se encontrava belo mostrando um
inicio de pôr-do-sol alaranjado. Milo após o fiasco de discussão com Kamus
pegara sua moto e pôs-se a andar por toda Atena. Pela primeira vez na vida tinha dito a verdade para o francês e somente
recebeu em troca escárnio. Ta certo que não era nem um santo, que já magoara
várias pessoas, mas Kamus era diferente. Definitivamente diferente. Voltava para seu apartamento. Iria sair um pouco à noite. Ia ver como
Afrodite se encontrava. O sueco deveria ta ainda abalado com o que aconteceu.
Não saberia dizer se era sorte ou azar de que Mu não fosse sair hoje. Tinha conversado com o amigo pelo telefone durante à tarde, enquanto
caminhava calmamente por entre as ruas de Plaka, uma das áreas mais antiga da
cidade. O mais engraçado de toda esta situação? O ariano não guardava magoa de
Afrodite. Mutisha contara todo o seu plano. Como fizera para recolher os pertences do
loiro do cortiço em que ele morava, da omissão em dizer a Shaka que ele na
verdade não ficaria num flat, mas sim em sua mansão debaixo de seus olhos e
também de seu corpo na maioria do tempo. A conversa fôra longa. Milo não sabia se deveria dar cascudos naquela cabeça
dura que o amigo tinha. Falou que ele, Mu, agira muito impulsivamente, que não
deveria ter feito aquilo tudo, mas a situação com ele também não era diferente.
Acabou ouvindo um sermão do amigo sobre ele ter beijado Kamus e outras coisas
mais. O fato era, os dois se conheciam tão bem, conheciam o quão teimosos eram,
mas mesmo assim ainda se aturavam, eram amigos. .:.OoO.:. A noite já havia caído. Afrodite vagava por entre as mesas verificando se
todos estavam sendo bem tratados. O sueco estava um pouco abatido com os últimos
acontecimentos e ficara ainda mais ao ver que Carlo se encontrava sentado em uma
mesa sozinho. Pensou duas vezes se deveria ou não se aproximar do italiano. Mas
mesmo não escutando a voz de sua pouca razão, se viu parado ao lado da mesa do
italiano. “Boa noite Carlo. Fico feliz que tenha vindo hoje”. Seus dedos já haviam buscado uma de suas mexas em um tique nervoso. Não precisava olhar para o lado para saber de quem era a presença, o perfume
e principalmente a voz. “Hunf, eu sei que ficas feliz por me ver”. Sorveu mais um gole de seu wisk. Não queria criar mais nenhuma confusão, mas ser tratado assim já estava dando
nos nervos. “Sinceramente não sei por quê me trata assim Carlo. Nunca lhe fiz nada para
que fosse tratado com tanta indiferença ou até mesmo sarcasmo”. Os olhos de
Afrodite encontravam-se sem o costumeiro brilho. “Você somente me enoja Lindgren. Tire seu cavalo da chuva se acha que pode
vir a ter algo comigo. Não gosto de homens. Não gosto de sentir pêlos, gosto de
seios. Coisa que você não tem”. O sorriso escarninho no final da fala deixou Afrodite completamente sem
chão. Ele não era uma mulher. Nunca desejou ser. Era homem, era viril, só não
possuía traços masculinos. Afrodite sentiu o sangue esquentar. Já bastava a humilhação que passara na
noite anterior, desta vez, mesmo que levasse uma surra diria umas poucas e boas
aquele italiano casca grossa. Inclinou seu corpo esbelto, ficando com o rosto próximo ao do italiano. Seus
olhos antes sem brilho, agora se encontravam com uma chama em seu interior. “Posso não ter seios Carlo. Posso não ser uma mulher, mas te garanto
querido... quem passa pela minha cama gosta do que come. Gays ou heteros
enrustidos se satisfazem com o meu corpo. Sou mais macho do que você possa
imaginar, porquê não é qualquer um que leva no rabo durante a noite toda, gosta
e não chora. Portanto querido, em matéria de macheza, sou mais macho do que você
em sua pose”. Sorriu ajeitando os cabelos loiros antes de lançar a bomba final. “Acho que você está é com medo de se deitar comigo e vir a gostar. Por isto
fica ai, montado nesta pose de heterossexual intocável, com medo de provar a
carne da bicha que tanto despreza e depois desejar mais”. Não ficou para ver o rosto contorcido de Carlo. Apenas terminou de falar e
deu as costas, andando com sensualidade, balançando os cabelos. O italiano simplesmente perdeu quase toda a fala. “Viado figlio della puttana”. Rangeu os dentes. “Olha quem já está aqui! Que foi Carlo, ta com uma cara de quem acabou de
chupar limão azedo”. “Limão porra nenhuma. Questo viado merece uma boa surra”. Os olhos de Carlo
pareciam estar em chamas. “Sinto uma leve tensão no ar, hombre. Come logo ele, que ele para. Você não
vai deixar de ser menos homem se come-lo”. “Ta me estranhando é espanhol? Não vou comer viado nenhum”. “Bom, então se por acaso eu vier a provar daquelas carnes fartas que ele
tem... aquele traseiro arredondado, não venha reclamar, hein”. Carlo somente lançou um olhar de morte para Shura. Se aquilo era brincadeira
do amigo, ele tava escolhendo uma péssima hora. Os dois estavam tão intertidos em trocar faíscas que nem notaram Kamus se
afastando e retornando com uma bebida em mãos. O francês só foi ‘notado’ quando
se sentou a mesa e apenas falou olhando a pista de dança que começava se
encher. “Nunca diga nunca Carlo. Experimente, se não gostar, nada vai mudar”. Kamus havia escutado as últimas palavras do italiano. Basicamente podia
entendê-lo. Estava ali decidido que experimentaria. Se não fosse a ‘sua área’,
nada mudaria. Continuaria com sua vida, com sua Annethe. “Quer saber! Essa mesa ta muito cheia pro meu gosto”. Carlo levantou-se irritado indo atrás de alguma garçonete. Queria duas
coisas. Uma bebida forte e uma mulher. .:.OoO.:. Afrodite havia se encostado ao bar. Detestava discutir, detestava brigar. Não
por medo de apanhar ao qualquer coisa do tipo, mas porquê sempre perdia o
controle se reagisse. Não reagiu a Mutisha na noite anterior por vários motivos,
mas estava cansado de sempre ser encarado como frágil. Tinha certeza que se desafiasse Carlo mais um pouco levaria um belo soco,
mas, se isto fosse tudo que poderia receber do italiano casca grossa que amava,
pelo menos já seria algo. Um toque bruto, mas pelo menos um toque. Sentiu sua cintura ser envolvida e pôde distinguir o perfume. O corpo acabou
relaxando como passe de mágica. “Tudo bem com você Frô?”. A voz máscula e levemente rouca fôra dita próximo ao ouvido do sueco,
deixando este arrepiado. “Humm... agora estou bem. Mas pare de me tentar as idéias, ruivo. Posso
perder o controle e não quero me afastar daqui hoje”. Disse rindo já se virando no abraço, fitando aquelas orbes possuidoras de um
tom azul tão intenso quanto a pessoa a sua frente. “Ah... pensei que hoje poderíamos colocar a nossa conversa em dia”. Um
sorriso malicioso adornou os belos lábios. “Seu safado. Adoraria ‘conversar’ com você, mas meu humor está péssimo por
causa de uma certa safra de vinho”. Afrodite fez um biquinho adorável ao se
referir ao italiano. “Ele está aqui? Gostaria de conhecer o famoso ‘Carlo’ pra ver se ele é tudo
isto que você sempre fala”. Distribuía alguns beijinhos pelo rosto do sueco
notando que este relaxava novamente e até mesmo começava a sorrir. “Sim, está, mas deixa para lá. Ele está de péssimo humor também. Falei
algumas coisinhas para ele, que, pela cara que tinha há poucos minutos... não o
agradou nem um pouquinho”. Deu uma risadinha por se lembrar. “Ok, que tal então dançarmos? Você é um dos meus melhores parceiros”. “Vou ter que negar isto também, ruivinho. Você pode encontrar outros por ai,
para sua dança e para a ‘sua’ dança. Vai lá e me deixa trabalhar vai,
solzinho”. “Hey, você está me dispensando? Que maldade Frô. Logo comigo, o sol da sua
vida?”. Tentou se fazer de ofendido, mas não estava dando certo. Ambos caíram em uma
gostosa gargalhada. Afrodite adorava aquele ruivo. Ele sempre aparecia nas horas
mais propícias, ou seja, quando ele, Afrodite, estava se sentindo triste e
solitário. Seu amigo ruivo, sempre conseguia lhe animar. .:.OoO.:. “Oh francês, vai com calma hombre. Assim você não vai nem conseguir anotar a
placa do caminhão que lhe atropelar. E eu não quero levar marmanjo pra casa
não”. “Shura, não enche o meu santo saco, que hoje não to pra isto”. O espanhol estava de boca aberta. Ta certo que Kamus em raras vezes usava um
linguajar que somente ele e os outros usavam, isto quando ele, Kamus, estava
verdadeiramente irritado, mas ver o francês entornando daquela forma e com os
olhos vidrados na pista de dança, era algo novo. Kamus já havia perdido as contas de quantas bebidas tomara. Seus olhos
vagavam pelos corpos na pista de dança, buscando alguém que lhe chamasse a
atenção. O francês estava em um estilo que somente era usado por Milo, Mu e até mesmo
os demais. Kamus geralmente era discreto, mas discrição na noite de hoje, não
era uma palavra usada pelo francês. Kamus encontrava-se com uma calça de couro preta e justa, botas de couro que
acompanhavam o mesmo tom de sua calça e uma blusa vermelho sangue, sem mangas,
com a frente aberta por um zíper, grudada ao corpo. Isto tudo somado aos cabelos
soltos, arrumados para dar um ar rebelde. Olhos azuis no meio da pista cruzaram com os orbes azul-violeta de Kamus. O
francês gelou por um segundo, mas não conseguia desviar o olhar. Seu peito começou a bater descompassado à medida que via o outro homem se
aproximando com passos firmes, mas sensuais. Fitaram-se. Kamus ainda sentado, mas com a cabeça elevada, não conseguia
deixar de olhar para o ruivo a sua frente, e este, não fazia menção de cortar
aquele contato, apenas incluiu um sorriso antes de deixar sua voz ser
ouvida. “Que tal dançar comigo?”. Falou o ruivo de cabelos levemente desalinhados com
mouse, ao estender a mão para Kamus acentuando o convite. O francês sentiu o rosto começar a esquentar, mas estava decidido. ‘Por
quê não aceitar? É só uma dança, não é mesmo?’. Dizia pra si mesmo como se
aquilo pudesse reforçar alguma teoria maluca que sua mente pudesse criar, além
das que já existiam, é lógico. Shura que observava tudo deixou um sorrisinho adornar os lábios carnudos.
‘Só espero que o grego não apareça aqui tão cedo’. Pensou ao sorver mais
um gole de sua bebida. Carlo voltou para mesa a tempo de ver o francês caminhando para a pista de
mãos dadas com um homem alto e ruivo. “Ma come? Dio mio, questo mondo está perdido mesmo!”. O espanhol, que sorria, apenas estendeu uma bebida para o boquiaberto
italiano. Milo neste momento acabava de adentrar a boate. Atrasou-se mais do que
deveria, tinha tentado achar Kamus no flat, mas este não se encontrava. Imaginou
que o francês estivesse com os amigos na boate. Caminhou entre as mesas e logo localizou Carlo e Shura conversando. “Rapazes, foi mal o atraso”. Mostrou seu característico sorriso. “É grego, tu bobeou no atraso mesmo, chegaram antes de ti”. Carlo falou
olhando para Milo, que apenas elevou uma sobrancelha não entendendo nada. “Hey italiano, não entendi o que você quis dizer com isto. Alias, vocês
vieram sozinhos? Cadê o Kamus?”. Olhava para o bar no intuito de
localiza-lo. Shura só balanço a cabeça sabendo que boa coisa não viria dali, mas... por
quê não ser um advogado do diabo? Se for para ver o circo pegar fogo, e fazer
dois palermas desandarem... “É isto que o Carlo se referiu oh grego lerdo. Olhe pra pista de dança que
você vai achar o francês dançando, muito bem acompanhado de um espécime
masculino. MAS-CU-LI-NO!”. Disse já suspirando. Milo realmente não queria processar aquelas palavras, mas ao voltar seus
olhos para pista, pôde avistar seu amado francês dançando completamente colado a
outro homem. O grego crispou as mãos. Kamus não estava somente dançando com um outro cara,
estava deixando o tal homem passar as mãos por todo seu corpo, e em um local
público. Seus olhos voltaram para Shura como se procurasse uma resposta. “Ele me pareceu estranho hoje, e pelo que pude sacar, cara... ele queria
experimentar algo com alguém para ver qual a ‘área’ dele. Por isto que... você
chegou atrasado”. Disse olhando de lado. A esta altura, Milo já se encontrava mais do que irritado. Sentia-se traído.
Kamus se negara a dançar com ele, negara lhe corresponder ao beijo, ignorava-o,
e agora estava ali, dançando e se deixando ser tocado por outro homem. Estava
com tanta raiva que sua respiração encontrava-se acelerada. Sentou-se na cadeira vaga da mesa, mas não tirou seus olhos dos movimentos
tanto de Kamus quanto do tal ruivo. Na pista, Kamus e o ruivo mais alto dançavam sensualmente sem se importar o
nada ao redor deles. O francês sentia as mãos do mais alto lhe percorrerem o corpo. A sensação era
boa, causava arrepios em sua pele. Poderia estar um pouco alto pela bebida, mas
não era bobo. Sentia a excitação do outro contra seu quadril. Por sorte a luz da
pista disfarçava o quão rubro poderia estar. “Então, nome?”. Sentiu o hálito próximo a sua orelha e mordeu o lábio inferior antes de
responder. “Kamus, e você?”. Deslizou uma das mãos para a cintura do mais alto. “Apollo”. Ao responder, deixou sua respiração ir de encontro ao pescoço do
francês. “Humm...”. Refreou o princípio de um gemido e logo se recompôs. O ruivo mais alto sorriu ao notar a pele de Kamus arrepiada e principalmente
o curto gemido. “Sei que já deve ter escutado muito o que vou lhe dizer, mas... você é
absurdamente lindo e tentador”. ‘Mon Dieu... o que faço? Eu... eu...’. Kamus sabia que algo do gênero
poderia acontecer, mas não estava preparado para escutar isto. Afastou um pouco o rosto apenas para fitar os orbes azuis. Se aquilo era um
sonho, se era um momento insano... Bom, tinha que participar, ou se deixar
levar. Não importavam as conseqüências. “Para ser sincero não, não escutei, mas agradeço”. ‘Até nessas horas eu
tenho que ser formal? Merdé!’. Repreendia-se mentalmente. Apollo achou adorável o jeito retraído, formal até, que Kamus lhe responderá.
Não iria resistir aquele pequeno ruivo por mais nenhum segundo. Kamus não teve tempo de processar qualquer informação, apenas sentiu seus
lábios serem tomados de forma selvagem, mas sensual. Acabou por corresponder ao
beijo, dando completa passagem a língua do outro ruivo. Na mesa, três pessoas estavam momentaneamente aturdidas. Carlo, não estava acreditando. Não pelo cara que estava com Kamus, mas por
ver o francês corresponder ao beijo de maneira que ele nunca imaginara. Shura arregalou seus olhos rasgados ao sentir que aquilo seria o ápice da
explosão, já estava difícil segurar o escorpiano ali antes, imagina agora. Milo... Após o choque inicial que não passara de meros segundos, Milo já se
encontrava ao lado do ‘casal’ que não parava de se beijar. Os fatos aconteceram com uma rapidez incrível. Apollo não soube de onde veio, mas sentiu seu rosto queimando e dolorido pelo
soco que levara. “ANDA DESGRAÇADO FILHO DA PUTA, VEM, CAI DENTRO. ME ENFRENTA, QUE VOU TE
ENSINAR A NÃO MEXER COM O QUE É DOS OUTROS”. Milo vociferava com os punhos levantados esperando que o ruivo mais alto lhe
encarasse. “MILO PARA COM ISSO”. Gritou Kamus que estava um pouco aturdido. Por pouco
também não levara o soco. “KAMUS... CALA A BOCA. Com você eu converso depois que me entender com ESSE
PILANTRA”. Apollo encarou o rapaz vendo que o mesmo estava completamente
descontrolado. A esta altura, a pista já se encontrava repleta de curiosos prontos para ver
quem sairia dali com a cara mais amassada. Kamus sentia-se envergonhado com toda situação. Por um só momento
esquecera-se de Milo. Que o escorpiano também poderia ir à boate, mas mesmo que
este fosse, não mudaria suas intenções, só não previra que um escândalo como
aquele poderia ocorrer. Apollo endireitou-se se mostrando altivo. “Não o trate como se ele fosse um objeto seu. E antes que fale algo... EU
queria, ELE queria e VOCÊ não foi citado, portanto, meu amigo... a peça aqui
fora do tabuleiro é você”. Disse com uma calma, enquanto ainda limpava com as pontas dos dedos o filete
de sangue que escorria pelo canto dos lábios. “ORA SEU DESGRAÇADO DE UMA FIGA”. “MILO”. Antes que o grego pudesse voar para cima do ruivo mais uma vez, Milo fôra
seguro por um dos seguranças da boate. Debatia-se tentando escapar da chave de braço que levara. Apollo olhou para o rosto preocupado de Kamus e se aproximou do ruivo “Kamus, gostei de estar com você. Quem sabe uma outra hora, em um lugar mais
calmo, possamos continuar. Qualquer coisa, pergunte a Afrodite. Ele sabe onde me
achar”. Depositou um rápido beijo, nos lábios do francês e virou-se para o grego que
ainda o olhava com vontade de matar. Sorriu apenas deixando Milo mais irritado,
e se retirou. Kamus olhou para Milo e deu as costas indo para mesa. Não estava com vontade
de conversar com o grego depois de todo o escândalo. O segurança depois de notar o afastamento do jovem ruivo de cabelos curtos,
liberou o grego, mas acabou acompanhando o mesmo até a mesa que estava
ocupando. Shura levantou-se e aproveitou levou Carlo com ele para uma outra parte da
boate, pois no bar neste momento encontrava-se Afrodite cuidando do rosto de
Apollo. Na mesa o clima não era nada agradável. Os olhos do grego flamejavam,
enquanto Kamus não dava mostras de uma possível conversa. “Kamus... você vai me explicar direitinho o que foi aquilo tudo”. O francês o olhou de soslaio antes de responder. “Não preciso explicar o que você viu. Não sabe mais o que significa dois
homens se beijando Nikos?”. Estava tão irritado que não se importava em
alfinetar mais ainda o grego. “Kamus...”. Rangeu os dentes. “Se você... Porquê você... Droga, se queria uma
aventura porquê não me procurou?”. Estava com raiva, mas também estava sentido. “Porquê eu estava com um homem? Hummm... queria saber se faz o meu gênero
Milo, mas você não deixou, teve que me interromper. E eu já lhe disse, não serei
mais um de seus troféus. Alias, não tenho que ficar lhe dando satisfações, e
esta conversa se encerra por aqui”. O francês não queria ficar perto de Milo. Ainda se encontrava excitado pelos
toques de Apollo, e ter Milo ali não estava ajudando. Levantou-se rapidamente
com intenção de ir embora. Milo ficou parado por alguns segundos piscando. Kamus queria outro homem, mas
não queria ele? ‘Esse francês filho da mãe... isto não vai ficar assim não,
ou eu não me chamo Milo!’. Cortou seus pensamentos já se levantando e
correndo na direção do estacionamento. Kamus andava rápido, não queria ficar perto de Milo. Tratou de pegar a chaves
do carro que alugara com Kinthos e direcionou-se para o local que o veículo
estava guardado. Não tivera tempo de abrir a porta, pois sentiu seu braço ser puxado para
trás. Milo estava com um olhar bastante diferente do que se encontrava no interior
da boate. Isto fez com que o corpo de Kamus tremesse por completo. Milo sorriu de canto ao ver o olhar assustado do francês. “Você está precisando aprender a não brincar comigo Kamus”. O francês não conseguiu retrucar. Pela segunda vez na noite, e terceira vez
no dia, tivera os lábios tomados. A diferença é que agora ele não tinha como
reagir. Seu corpo ainda estava entorpecido pela bebida e pela excitação. Milo forçava passagem com a língua, querendo explorar cada canto daquela boca
deliciosa. Suas mãos percorriam as laterais do corpo de Kamus, sentindo cada
pedaço bem moldado que o francês possuía. Kamus jogou toda e qualquer linha de raciocínio para escanteio e começou a
corresponder ao beijo. Suas mãos se enredaram entre os cachos loiros dos sedosos
cabelos de Milo, como se desta forma, o grego não pudesse escapar. Milo ficou surpreso com o fato de Kamus corresponder. Abriu os olhos para
fitar o rosto de Kamus enquanto ainda o beijava, e se deparou com o francês a
lhe fitar também. O grego sentiu-se mais excitado do que já estava ao ler
perfeitamente naquelas orbes de cor tão exótica, o desejo. Kamus o desejava. Se fosse parar para pensar, tudo aquilo morreria ali. Kamus poderia não
querer mais nada, e ele mesmo iria se sentir um desgraçado. Sendo assim, Milo
empurrou quaisquer pensamentos de moralidade que poderia ter, e em um ato
impensado, começou a abrir o zíper da calça do francês. Iria fazer algo que
sempre sonhara. Kamus não pensava em mais nada, apenas queria Milo. E o fato de estar
encostado em uma pilastra fria, em um local que poderiam se pegos, e com Milo a
lhe abrir a calça... ‘Mon dieu...’. Seus pensamentos foram bruscamente
interrompidos. Milo encontrava-se ajoelhado a na frente de Kamus, sua mão direita
massageando o membro já inteiramente rijo do francês, enquanto a outra apertava
lhe uma de suas nádegas. O grego sorria maliciosamente enquanto fitava o rosto
de Kamus, que se contorcia de prazer. Kamus tentava manter os olhos abertos. Não queria perder o contato com aquele
olhar intenso que somente Milo possuía. Arfou ao sentir a quentura e umidade da
língua do grego passar por toda a extensão de seu membro, como se estivesse lhe
provocando. E na verdade... Milo estava provocando-o. “Mon dieu, Milo...”. Não tinha forças para falar corretamente. O grego ainda manipulava seu membro
e passava a língua devagar em uma deliciosa tortura. “Mon dieu, o quê Kamus?”. Perguntou brincando, se deliciando em perceber que o francês lhe correspondia
aos toques. Kamus que já perderá razão, segurou nos fios loiros do cabelo de Milo e lhe
lançou um olhar firme antes de deixar sua voz embargada de luxuria ser
ouvida. “Para de brincar e chupa logo”. Milo só não gargalhou da situação porquê teve sua cabeça puxada para frente,
fazendo com que sua boca engolfasse por completo o membro tenso do francês. “Hummmm...”. Kamus gemeu e mordeu o lábio inferior ao sentir a boca de Milo
em seu membro. Era mil vezes melhor do que em seu sonho, muito mais quente...
sentia que estava preste a gozar. Milo sugava com intensidade. Seus olhos estavam voltados para os de Kamus,
assim como os do francês para Milo. Durante todo o ato, queriam se fitar. O corpo de Kamus estremeceu fortemente e Milo aumentou a sucção na glande,
enquanto a outra mão descera para massagear os testículos do francês
incentivando-o a gozar. Kamus não agüentou e cerrou os olhos fazendo sua cabeça ir de encontro à
pilastra fria, ao ser jogada para trás, enquanto jorrava seu sêmen dentro da
boca do grego. Milo não deixou de olhar um minuto sequer para o rosto de Kamus. Queria
guardar na memória a primeira expressão de prazer que dera ao francês. E sua
boca, sentia o gosto de Kamus e não hesitou em sorver todo o gozo. Sorriu ao retirar o membro de Kamus de dentro da boca, notando que este não
estava completamente flácido. Kamus parecia estar em outro mundo no momento. Alheio a qualquer coisa, menos
a Milo. Notou quando o grego se levantou encostando-se ao seu corpo. Milo apenas beijou Kamus. Queria fazer o francês provar seu próprio gosto, o
gosto que ele adorara sentir. O telefone de Kamus começou a tocar e a vibrar. O francês queria ignorar,
estava tão bom, sentir Milo, beija-lo, ser dele. Não queria saber da vida
externa, mas o aparelho não dava sinais de desistência. Muito a contra gosto, afastou Milo para pegar o celular que se encontrava na
calça (e esta na altura de seus joelhos). Não se preocupou em olhar o número
como sempre fazia, apenas atendeu mal humorado, enquanto sentia Milo lhe
mordendo a pele no vão entre o ombro e o pescoço. “Kamus falando”. A voz era rouca, mas tentava mostrar seriedade. “Cher? Mon amour... Por que demorou a atender? Estou louca de saudades. Estou
te ligando para avisar que estou embarcando daqui a alguns minutos. Estou indo
te encontrar. Deixa desligar agora que estão chamando para o embarque. Te ligo
quando chegar ai na Grécia. J’t aime”. Fôra tudo tão rápido que Kamus nem tivera tempo de falar. Milo olhou para o francês notando que o mesmo ficara rapidamente pálido, e
que a excitação que existia antes, agora era nula. Os olhos de Kamus estavam
arregalados olhando em direção a Milo. Basicamente receber uma ligação da namorada após ter quase se entregado ao
melhor amigo não era uma coisa animadora. “Kamus, por Zeus, você está me assustando... Quem era nesta merda de
ligação?”. Milo queria saber o que aconteceu para seu francês estar daquela forma. Mas
se arrependeu amargamente de ter perguntado ao ouvir míseras seis palavras,
lógico, encabeçadas por um nome altamente repugnante. “Annethe, ela está vindo pra cá!”. ‘Aquela vadia! KAMUS ERA DELE!’.
Sua mente gritava. “Escute, Kamus, espera... Vamos conversar, Kamus!”. Que conversar nada! Kamus se recompôs rapidamente, pálido como se fosse um
defunto. “Eu preciso ir, Nikos...”. Milo segurou o braço de Kamus com desespero, raiva e amor, tudo ao mesmo
tempo rodando no seu peito como se fosse um tufão desenfreado! Caralho, amava
aquele cretino! Será que Kamus não conseguia enxergar isso? “Nada disso, você não vai, você precisa ficar comigo, precisamos falar sobre
o nosso relacionamento. Precisa contar a Annethe que nós dois...”. Kamus empurrou Milo para trás. Negava-se a se admitir vivendo aquele tipo de
triângulo amoroso. Simplesmente não aceitava aquilo. “CALA A BOCA! NÃO TEMOS RELACIONAMENTO! SE FALAR ALGUMA COISA PARA ANNETHE,
MILO, JURO QUE MATO VOCÊ!”. Kamus saiu dali, rápido, visivelmente perturbado. Milo correu atrás dele. Mas
Kamus foi mais rápido. Entrou no seu carro e ligou a chave. Fez o pneu cantar
com fúria e manobrou como um insano dentro da garagem. Milo ainda tentou ficar
na frente da trajetória que o carro teria que fazer até a porta, mas Kamus
estava mesmo decidido a não parar! Pisou fundo e foi para cima do outro, que mal
teve tempo de pular para o lado enquanto o carro de Kamus subia a rampa de saída
como se estivesse sendo perseguido por mil demônios. Milo chutou a lata de lixo que estava ali perto, fazendo voar entulho e latas
vazias. Kinthos, o rapaz que cuidava do estacionamento, atraído pela barulheira que
Milo estava fazendo, correu para ali. Ouviu palavrões que conhecia e os que não
conhecia, na língua materna deles dois. Milo praguejava alto, desesperado e
furioso. Simplesmente, estava doente de amor. .:.OoO.:. Afrodite colocou uma bolsa de gelo no rosto de Apollo, do lado onde Milo
conseguira acertar em cheio... “Aquele grego maluco teve muita sorte de você não revidar... Você é um
lutador de boxe invejável... Porque não revidou, Sol?”. Apollo sorriu... Um sorriso complacente, mas seus olhos lindíssimos brilhavam
um ódio contido às duras penas... “Não é à toa que nós dois temos o nome de deuses, Afrodite. Não mesmo. Nós
dois, eu e você, nunca agimos como os tolos, por impulso. Se eu revidasse, o
rapaz que dançava comigo iria se chocar. É evidente que eles têm um caso um com
o outro... Vou levar a minha desforra do meu jeito...”. Afrodite sorriu... Milo havia ganhado um inimigo aquela noite. Apollo nunca
deixava uma vingança para trás, e, pelo que estava dizendo, aquele soco não
passaria em branco... Não mesmo! O ruivo perguntou, enquanto acendia um cigarro com uma mão e segurava a bolsa
de gelo com a outra: “O que tem cabelos da cor do meu... Kamus, é esse mesmo o nome dele?”. “É”. “Lindgren, quero o endereço dele, a ficha, os amigos, o que faz... Quero tudo
no meu e mail amanhã”. “Oras, está achando que sou detetive particular ou seu secretário particular,
darling? Faça-me o favor!”. Apollo se levantou da cadeira onde estava e ficou pelo menos mais dois palmos
mais alto do que Afrodite. Teve que se inclinar para roubar um beijo rápido dos
lábios delineados com batom incolor. Depois do beijo, brincou: “É meu amigo de mesa, cama e banho, Frô, agora, está me devendo uma por eu
não ter mandando seu guarda-costas a merda e quebrado aquele cretino louro aqui
dentro mesmo. Você sabe que eu teria feito isso com facilidade. Você mesmo
lembrou, sou lutador peso leve. Tenho alguns troféus na minha sala, e a cabeça
daquele puto teria sido mais uma...”. Afrodite começou a fazer uma massagem reconfortante nos ombros de Apollo, que
ainda estava tenso, cheio de raiva... Comentou: “Não sei se ganharia com tanta facilidade. Milo não é lutador, mas tem um
gênio do cão! Não iria apanhar sem bater também! Mas não duvido que a minha
boate iria mesmo virar um rinque até que vocês se acertassem...”. “Vamos, Dite, quebre o meu galho...”. “Ah, está bem! Vou colocar tudo o que sei de Kamus para você amanhã cedo na
sua caixa postal... Mas não sou do tipo de criar encrenca... E não sou
fofoqueiro... fofoca é coisa para mulher!”. Dolorosamente, Dite se lembrou das ofensas que Carlo havia lhe feito... Ah,
doía amar aquele desalmado! Não queria NUNCA ser uma mulher! E aquele italiano
duma figa iria se arrepender de ter mexido com fogo... “Não é uma fofoca... Encare isso como uma simples informação. Eu lhe agradeço
muito por me ajudar, meu lindo...”. Apollo acariciou os cabelos claríssimos do amigo... .:.OoO.:. Não muito longe dali, já com a belíssima garçonete quase em seus braços,
Carlo se inquietou quando viu que Dite não mais saia de perto do ruivo descarado
que, até a pouco tempo, estava dançando com Kamus. Por isso, não pode deixar de
sentir um certo alívio, quando, ainda há alguns metros dele, na pista, pode ver
que Misty chegava perto de Afrodite e Apollo, interrompendo a conversa que já
estava, pelo jeito, ficando bem íntima... Irritou-se por perceber que, até então, ele próprio, Carlo, não havia tirado
mais os olhos de Afrodite. Mais do que havia olhado para a bela morena que
estava ali, toda provocante. Era mesmo uma bela mulher! Era óbvio que o serviço de garçonete era apenas
uma fachada para ocultar os serviços reais, de garota de programa, que ela
deveria fazer para aquele sueco cretino... Deveria cobrar uma nota preta pelos
serviços dela... Era bonita demais, deveria valer o que cobrava... Pôrra, então,
porque é que não parava de olhar para ele? “Quero apenas dar uma surra nessa bicha atrevida, é só isso!”. Afrodite, com o canto dos olhos, também procurava o italiano, ao longe... Não
gostou nada quando percebeu que Carlo estava mesmo a fim de ficar com uma das
garotas da casa. Lógico que os garotos eram o forte por ali, mas, pelo jeito,
Carlo pertencia mesmo àquela minoria que sempre queria uma das poucas meninas
que trabalhavam na casa... Suspirou e disse para o ruivo: “Vou pegar mais gelo, Sol...”. “Não precisa. Estou indo embora. Não se esqueça do que me prometeu. Kamus vai
ter notícias minhas mais cedo do que imagina...”. Misty, que se colocara entre eles dois, sorria para Apollo... “Ora, porque vai embora, agora que eu apareci, podemos nos conhecer
melhor...”. “Terei o maior prazer em conversar com você. Pelo jeito, toda a família é
linda. Mas faremos isso um outro dia”. Apollo deu um beijo elegante nas mãos de Misty e se afastou. Logo depois que ele saiu, Afrodite segurou o primo pelo braço: “Não quero você chegando aqui na boate e flertando com meus amigos!”. “O lugar é público e você não pode ser tão egoísta de achar que só você pode
ser o tal!”. Misty falava com raiva, agora. Dite olhou para ele desanimado. Diabos, que
mal fizera ao seu primo para ele competir em tudo com ele? Nos mínimos detalhes,
discutiam! Suspirou fundo e disse, tentando se armar de uma paciência que estava longe
de sentir... “Escute, não é isso. É que essa estória é sempre igual. Você aparece, arruma
seus namorados e confusões e depois eu é que levo a culpa lá em casa, com a tia.
É sempre assim... Até estou escutando a voz estridente dela: Dite é mau exemplo
para o meu bebezinho...”. Misty sorriu e abraçou o primo. Sabia ser puxa-saco quando queria... “Deixa disso, priminho... O que os olhos não vê o coração não sente... Da
mamãe eu cuido! Eu vou ficar por aqui e me divertir... Numa boa... Você precisa
me ajudar... Ligar pra ela e dizer que vai tomar conta de mim...”. “Tem dinheiro?”. “Como?”. “Você ouviu. Tem dinheiro para pagar o seu flat e tudo o mais? Se estiver
acabando, e a minha tia não mandar mais dinheiro para você, não conte
comigo!”. Misty fez um muxoxo adorável. “Eu não preciso do seu dinheiro!”. “Ótimo, porque se precisar, não vou emprestar mesmo!”. “Seu muquirana!”. “Todos passam a mão na sua cabeça dourada, Misty, está na hora de alguém
botar você na linha”. “Não vai ser você”. “Não, mas não quero levar a culpa depois das loucuras que você faz... Arrume
outro otário, primo. To fora dessa. Já tenho que responder pelas MINHAS
loucuras”. “Vamos chegar a um acordo”. “Você quer um acordo? Muito bem... Volte para Paris”. “NADA DISSO”. Afrodite foi até o balcão do bar e puxou uma agenda de couro preta que estava
ali. Jogou-a nas mãos do primo. Misty indagou, curioso: “O que é isso?”. A música alta os faziam falar alto um com o outro, para que pudessem se
escutar. “Minha agenda de tarefas. Tem aí várias coisas para serem feitas amanha cedo.
SE, ouça bem, eu disse SE! Se você me ajudar com a boate, eu vou pensar em ligar
para a tia e pedir para ela liberar você para trabalhar comigo. Ela me disse que
estava na hora de você fazer algo sério na vida... Bem, chegou a hora”. Misty fez uma expressão adorável de puro terror. “Trabalhar? A porra dos seus namorados deve ter subido para o seu cérebro! Eu
não quero! Estou aqui para curtir!”. “Ela já me ligou hoje de manhã quatro vezes, ouviu? QUATRO VEZES! E eu nem
sabia onde você havia se metido!”. Misty engoliu em seco e deu um lindo sorrisinho amarelo. Havia se metido na ‘tora’ de um lindo brasileiro... E logo depois ficara lá,
na bomboniere, saboreando chocolate e o seu copo de café de 500ml, enquanto
seguia com os olhos o homem mais lindo que já vira, um simples garçom! Ah, aquele homem de olhos de cristal era inesquecível! Tinha que dar um jeito
de voltar a se encontrar com ele! Por isso, não poderia ir para Paris de jeito
nenhum! “Dite, seja razoável, eu prometo...”. “Sem promessas, Misty. Ou pega, ou larga”. Misty suspirou. Iria ganhar tempo com seu primo para ver o que dava... Não
gostava nada da idéia de trabalhar. “Tudo bem, eu topo. Agora me deixe em paz para dançar! Amanhã eu pego essa
agenda idiota para ler!”. Sem esperar pela resposta, Misty devolveu a agenda para Afrodite e foi
gingando o corpo esguio em direção à pista de dança... Dite ficou por ali, pensando se socava Misty ou se dava uma lição em Di
Angelis. Resolveu-se pela segunda opção. Não iria deixar aquele italiano
desumano sem uma resposta à altura por tudo que lhe dissera... Caminhou até onde estava Shura... Pelo visto o espanhol voltara a mesa depois
que Milo e Kamus foram embora. Inclinou-se muito para ele e aproximou os lábios
do outro, muito próximo, até que os lábios de ambos quase se tocassem... “Guillén... Se for menos tapado do que esse italiano, se for um macho da era
moderna, juro que vou dar a você a melhor noite da sua vida... Aliais, os homens
antigos já eram sábios, veja Alexandre, O Grande, por exemplo... Acho que ele
era grande em tudo, assim como você deve ser, meu touro...”. Guillén Shura Quesada Montoro sentiu seu corpo se arrepiar inteirinho quando
o perfume de rosas de Afrodite, misturado à pele do sueco, impregnou suas
narinas. Sentiu seu sexo reagir comprimindo-se desconfortavelmente em suas
calças. Madre de Dios! Ese hombre era un diablo! “Calma, muchacho. Eu não estou muito certo sobre isso...”. “Vou fazer você enterrar todas as suas dúvidas de uma vez... Em mim...”. Enquanto falava, Afrodite sentou-se ao lado de Shura e fez uma carícia ousada
no sexo dele por baixo da mesa. O outro soltou um gemido rouco. Lindgren
percebeu que era hora do tudo ou nada! Tomou a boca do espanhol num beijo
arrebatador, enquanto acariciava os cabelos espetados com uma das mãos e
novamente o sexo de Shura com a outra... O espanhol gemeu de novo, ainda mais
alto. Que o preconceito fosse para o diabo! Hoje iria comer esse viado nem que
fosse a última coisa que fazia na vida... “Si, si, te quero mucho”. Afrodite exultou. Havia vencido a primeira etapa do seu plano... “Ótimo. Vou pedir a melhor safra de champagne da casa. Depois, vamos para a
suíte que eu tenho aqui, numa ala especial...”. Afrodite praticamente se sentou no colo de Shura. Na pista, onde Carlo estava com a morena, ele chegou a gelar, como se um
vampiro houvesse lhe roubado todo sangue do corpo... Não era possível o que
estava vendo! “Vamos para a minha mesa... AGORA!”. Ele empurrou a morena com força, quase a arrastando pelo braço. Chegou na
mesa onde Dite e Shura se ‘pegavam’ em tempo record. “Atrapalhamos? Shura, o que tem essa boate que todos enlouquecem? Primeiro
Kamus, agora... VOCÊ!”. Dite exultou pela segunda vez em pouco tempo. Carlo estava ali, os olhos
brilhando ódio puro, olhando para Shura entre raiva e choque. Antes que Guillén dissesse algo, foi Afrodite quem respondeu: “Shura é apenas mais liberal do que você, bofe. Mas quero que deixemos as
nossas diferenças de lado... Quero lhe pedir desculpas pelo modo rude que o
tratei”. Aí sim, o queixo de Carlo caiu de vez. Como é? O intratável do Afrodite,
pedindo PERDÃO? Isso só podia ser algum tipo de armadilha... Só que ele não
podia imaginar qual era... Ficou momentaneamente sem saber o que dizer... Afrodite aproveitou essa
pequena brecha de silêncio para dar sua cartada final... “Tanto que quero me desculpar que vou lhe dar um presente... Ângela é minha
funcionária. Depois de Shaka, ela era quem mais recebia solicitações de
‘serviços especiais’... Sabe o que vou fazer? Vou dar ela a você, querido,
‘free’. Isso mesmo. Não vai pagar nada por ela. Eu cubro a parte dela...”.
Sorria, com falsa candura. “Bem, na verdade, eu tenho uma proposta adoravelmente
indecente para vocês... Vamos subir, os QUATRO. Eu e Shura, ela e você! Meu
quarto é grande o suficiente. Muito confortável, com uma piscina olímpica na
varanda... E a champagne vai mesmo rolar solta, por minha conta...”. Shura arregalou seus olhos de espanto, não gostava de fazer sexo com uma
multidão, mas... Diabos, porque não? Não iria desistir de comer aquele viado nem
que tivesse um batalhão olhando para eles dois! Não tinha medo de ser o que não
era! Carlo que fosse se tratar num psicólogo, não ele! Não se importava se
Afrodite fazia isso para provocar o outro, ou não. O importante é que o sueco
seria dele, Shura! Respondeu: “Por mim, tudo bem... E você, Di Angelis? Vai subir com a gente? Ou vai
perder a chance de levar a morena livre de encargos e impostos?”. Agora sim, Carlo se via numa verdadeira armadilha. Se xingasse Afrodite, como
queria, iria parecer mesmo um tremendo ingrato, já que outro lhe oferecia uma
bandeira branca e uma mulher linda de brinde... Se dissesse que era puritano,
que não queria dois homens no quarto com ele, bem... Seria essa mesmo a verdade?
Ou toda aquela raiva de Shura era porque ele tomara um passo que ele próprio não
tinha coragem de dar? Não, absurdo. ISSO NÃO! Estava com raiva do espanhol
porque era outro enrustido, só isso! Mas agora, não iria bancar o tolo ali, na
frente deles, e da mulher também, que o olhava visivelmente interessada. Se era
guerra que aquela bicha sueca queria, era guerra que ela iria ter! Não iria
amarelar como um bebezinho... “Claro que eu vou. Champagne e uma bela signorina. Não iria recusar isso por
nada”. Afrodite sentiu seu estômago embrulhar, ao mesmo tempo em que o coração quase
lhe saia pela boca. E agora? Teria coragem de ver Carlo e a morena juntos sem
ter uma crise de ódio? Ah, teria que ter. Antes que o italiano conseguisse fixar
sua atenção na mulher, iria fazer ele ver um verdadeiro espetáculo entre ele,
Dite, e Guillén. O italiano iria levar no focinho o que estava perdendo, ou não
se chamaria mais Afrodite Lindgren! Não seria Ângela páreo para ele. Aliás,
mulher nenhuma era! Levantou-se, resoluto... “Então vamos, senhores... Não quero perder um minuto da nossa festa
particular...”. .:.OoO.:. O quarto, luxuosíssimo, estava apenas com a luz de alguns candelabros. Como
Afrodite dissera, era amplo e aconchegante, quase um outro salão. Uma enorme
cama de casal em dossel, na cor bordô e dourada, ocupava o centro do ambiente,
mas um jogo de sofás de couro ficava ao lado da lareira, e também enormes
almofadas indianas que Dite aprendera a gostar com Shaka, de modo que havia
mesmo ali espaço para quatro, tranqüilamente. Garçons silenciosos e invisíveis
haviam deixado nos criados mudos, segundos antes à entrada dos dois ‘casais’,
várias garrafas de champagne Dom Perrignon da melhor safra, mergulhadas
no gelo. Os copos de cristais eram convidativos... Mas Afrodite não perdeu nem
um segundo sequer... Jogou Shura em direção à cama, desnudando-o com a perícia
de um lince faminto! Logo a seguir, começou a tirar suas próprias vestes, mais vagarosamente.
Fazendo uma verdadeira exibição do seu corpo, tirando peça por peça com a
elegância de um streapper! Logo, exibia seu corpo nu e excitado, desafiando
Carlo com os olhos. Depois, acintosamente, virou-se de costas para ele, exibindo
a perfeição dos glúteos pequenos e firmes, as costas largas, que recebiam nelas
a cascata de cabelos louríssimos, quase brancos. Debruçou-se sobre Shura, na
cama, subindo sobre ele como um tigre gracioso. Beijaram-se. Carlo via aquela cena, boquiaberto. Ângela tentou começar com o italiano um ritual de carinhos, mas ele, apesar
de gostar do cheiro e dos toques da morena, não conseguia desgrudar os olhos
daqueles dois, que agora estavam rolando pela cama alucinadamente. O corpo de Afrodite, sob a luz das velas, tinha a exata impressão de ser
feito de seda e luar. Ao contrário do que o italiano pensara, não era grotesco!
Era forte, mas harmonioso, como se os Deuses houvessem criado aquele corpo sob
um capricho exclusivo da natureza! E não tinha um único pêlo... Sem perceber o que fazia, o italiano ficou ali, impassível, no meio do
quarto. Não percebia isso, mas estava totalmente enfeitiçado por aquele bailado
que os dois corpos masculinos faziam sobre a cama... Shura e Afrodite se enroscavam como duas serpentes famintas. Lambiam-se,
tocavam-se, gemiam... Os sons dos gemidos ficavam cada vez mais intensos... Afrodite se ofereceu, inclinando as nádegas bonitas na direção do espanhol
que o tomou para si com fúria sem muito preparo. Enquanto a cavalgada começava,
Afrodite olhava Carlo acintosamente. Olhos nos olhos... Dor, prazer e desafio
bailavam nos olhos bonitos do sueco. Um sorriso brejeiro de vitória e escárnio
bailava em seus lábios bonitos... “Querido...”. Carlo ignorou a súplica da garota. A única reação que conseguia ter era olhar
para aquela cavalgada furiosa que Shura fazia em Afrodite! Seu corpo doía de excitação, mas não era por causa dos esforços de Ângela...
Aquele maldito o afrontava...Enlouquecia-o! Shura continuava arremetendo-se em Afrodite com uma urgência avassaladora.
Nunca imaginara o quão delicioso poderia ser estar entre aquelas carnes. Era
apertado, delicioso, e ainda sentia o sueco se contraindo, fazendo assim ir a
loucura, ao sentir seu membro imprensado. "Hummm... Dio... és delicioso". Falava enquanto golpeava mais e mais
fortemente. Afrodite gemia. Mordia os lábios deixando-os bem avermelhados. Sentia as
estocadas cada vez mais forte, mais fundo, tocando sua próstata, lendo-o a gemer
como um louco. Tudo isto era somado ao fator de nunca quebrar contato visual com
Carlo. Sorria internamente ao notar que o italiano não conseguia fazer nada,
além de apenas ficar olhando o 'show' entre ele e Shura. Ângela lambia o pescoço de Carlo enquanto retirava-lhe a calça. Notou com os
toques, que o italiano se encontrava excitado e bem rijo. Sorriu e continuou
suas investidas, alienada que toda aquela excitação, não provinha de si, de seus
toques, mas sim de um casal a parte. Carlo deixava-se manipular. Xinga mentalmente por não conseguir se desligar.
‘Maledetos’. Shura deslizou uma de suas mãos da esbelta cintura de Afrodite, para a massa
loiríssima que estava espalhada pelas costas moldadas do sueco. Segurou um farto
punhado de fios e puxou firme. Como se assim pudesse segurar as rédeas de um
cavalo selvagem. Afrodite abriu mais a boca deixando escapar um longo gemido. Não só de dor,
mas de prazer. Lambeu os lábios secos enquanto sua cabeça era puxada pra trás a
cada estocada de Shura. Rebolou. Começou a rebolar entre as estocadas e sorriu
com satisfação, ao notar, mesmo com os olhos enevoados de excitação, que Carlo
havia lambido os lábios apreciando a cena. “Isso... Hummm... vai... mais... hummmm... mais forte Shura!”. Pedia com
luxuria entre gemidos. .:.OoO.:. Shaka foi até o endereço do cartão que Mu lhe dera. Era um elegante flat e,
nele, uma secretária solícita o recebeu. Ficou em silêncio, tentando adivinhar o
que aconteceria depois... Ela conversou com ele, tomou suas medidas de corpo com uma fita métrica, como
se fosse lhe providenciar roupas. Na verdade, logo em seguida a esses
procedimentos e um telefonema rápido, a casa Armani, mandou um funcionário ali,
cortez, com vários pacotes: sapatos, meias, blazer elegantes, camisas. Shaka balançou a cabeça veementemente. ”Não, eu prefiro as minhas roupas...”. Na verdade, não tinha mais nada! Aquele cretino do Mutisha havia lhe tomado
tudo, mas ainda tinha umas poucas peças que tirara na boate de Afrodite quando
fôra chutado pra fora. Pelo menos, não iria se apresentar a Mu com as roupas que
este pagara! Era um puto, mas tinha o seu orgulho! Colocou as caixas sobre o sofá... “Aqui vai ser onde ficarei até o senhor Mu chegar, não é?”. A secretária deu um olhar meio sem jeito para ele, mas respondeu de maneira
impessoal... “Não. Na verdade, minhas ordens são de instalar o senhor na mansão do senhor
Dorje”. Shaka arregalou os olhos de espanto. Como é? Aquele calhorda o queria, ele,
Shaka, na casa dele, Mu, como se fosse um cachorrinho novo? Não era possível!
Então havia mentido, quando dissera que ele ficaria num apartamento
sozinho... Ah, quando o encontrasse dessa vez iria SIM usar o taco de beisebol na cabeça
do cretino! Pena que largara o taco na boate... Mas isso não iria ficar
assim... Suspirou, tentando manter a calma. “Muito bem. Vou me banhar e colocar as minhas próprias roupas, depois...
Iremos ver o senhor Mu. Por favor, cuide de Parvati para mim”. A mulher assentiu e Shaka fôra tomar uma ducha. Precisava daquele banho para
acalmar os seus nervos. Há muito não se lembrava de estar tão tenso assim.
Apenas quando... Suspirou fundo... Apenas quando morava com seu pai... E agora? Que atitude deveria tomar? Conseguiria mesmo ser submisso e
subserviente? Duvidava... Mas tinha que levar adiante seus planos de fazer
aquele homem pagar por tudo o que lhe fizera... Fechou os olhos... Murmurou, baixinho... “Senhor Brahma... Dê-me força para a vingança que me acalenta... Kali, a
Deusa da destruição e da morte, deve guiar os meus passos... Eu não posso
fraquejar diante dele... Nunca”. A imagem do pai e do empresário se misturavam em sua mente. Repulsa, amor,
ódio, numa roda eterna do destino... .:.OoO.:. Mu, depois de ver os rapazes acabarem de arrumar as coisas de Shaka e irem
embora, ficou absorto nos seus relatórios e afazeres de rotina. Na verdade,
estava ansioso. Curioso mesmo, tentando imaginar como Shaka chegaria ali, na sua
mansão. Ah, estava se iludindo! O hindu logo estaria fascinado pelo dinheiro, e
seria apenas mais um brinquedo enjoativo, como todos os outros... Era sempre
assim... Havia uma tensão quase física no ar. Finalmente, Mu percebeu que seus ombros
estavam tensos demais. Desligou o computador e parou seus relatórios. Foi até a
sala principal, onde havia um bar tão grande quanto o que ficava na boate de
Afrodite. Serviu-se de wisk com gelo. Uma única dose, para relaxar... Foi quando seu mordomo entrou e anunciou a chegada do senhor Sidartha. Mu
virou-se. Ficou encantado com o que viu: Shaka usava uma das roupas de
apresentação da boate. Céus, estava lindo! Um véu púrpura e dourado lhe cobria a cabeça, e um sari
do mesmo tom escondia o corpo, que Mu bem sabia, era de uma perfeição adorável.
Os pés, graciosos, estavam com sandálias de couro e pintados com henna. Um
trabalho belíssimo. Shaka descobriu o rosto. A mão longilínea e alva estava também com graciosos
pontos de henna, formando uma linda mandala. Mu sentiu um frêmito de frio. Ou de
excitação. Não sabia bem dizer o que era. Os olhos de Shaka, pintados com khal, pareciam ser os de uma pantera de olhos
azuis... Uma pantera de cabelos dourados. Ele, Mu, sentia um ódio visceral
brilhar naquelas íris azuis... “Oras... Preferiu vestir as roupas da sua terra ao invés dos meus
presentes?”. Shaka deu um sorriso... Frio. Um sorriso que fez Mu ter a certeza de que
aquele rapaz lindo não se deixaria domar com facilidade. “Não aceito presentes, senhor. Apenas o pagamento de praxe pelos meus
serviços! Essa é uma das minhas regras: não aceitar presentes da escória! Além
disso, fiz questão de vir vestido como costumo ir para qualquer bordel. Porque
para mim, é isso o que você e essa casa representam: um serviço de bordel, nada
mais”. Mu sentiu aquelas palavras como uma bofetada na cara. Não estava acostumado a
ser afrontado daquela maneira. Na verdade, qualquer outro vadio no lugar de
Shaka estaria se atirando aos seus pés. Deu um sorriso cínico... "Acha que vai conseguir mais de mim se fazendo de difícil?”. "Pense o que quiser de mim, Mutisha. Na verdade, o que você pensa não me
atinge. Você não me conhece, somos dois estranhos. Por isso, se acha que estou
jogando com você para extorqui-lo, o problema é seu”. Mu mantinha nos lábios bonitos um sorriso superior de total descrédito a tudo
o que Shaka dizia: "Se é assim tão correto, adorável vagabundo, diga-me, porque veio,
então?”. "Porque, segundo você, tenho uma dívida, por causa do carro. Se a tenho, vou
pagá-la, Mu, porém, acredito no oposto: que você é o devedor. Se isso for
verdade aos olhos de Budha, eu também ficarei aqui, até que você me pague tudo o
que me deve. E lhe garanto que não estou falando de dinheiro. De uma forma ou de
outra, você vai pagar...". "Pois acho que está falando de dinheiro sim! Sua linguagem bonita não me
comove, Shaka. E, já que temos contas a acertar, vamos começar os nossos acertos
agora mesmo! Estou dando a mínima para o seu palavreado esotérico. Vadio é
vadio. E ponto final”. Antes que Shaka pudesse retrucar algo, Mu o prendeu nos braços e tomou os
lábios bem feitos num beijo punitivo. Shaka ficou hirto, inerte. Na verdade, não
estava acostumado a ser beijado. Beijo para ele era algo sagrado e, ao mesmo
tempo, profano. Algo que violava a alma! Pasmem! Subitamente, sentiu que seus lábios correspondiam, como se possuíssem
vida própria. Nunca, céus, nunca havia feito isso... Nunca havia tido aquela sensação
deliciosa, como se voasse e também, como se, ao mesmo tempo, estivesse caindo
num abismo sem fim... Era... Bom... O beijo lânguido e longo continuava... As línguas se enroscavam... Sentiam o
gosto uma da outra... Os corpos buscavam-se avidamente, como se tivessem vontade
própria, independente da voz da mente ou da razão! O gemido sensual, baixo e grave, de Mu excitou Shaka ainda mais... E suas
próprias reações o chocaram! Normalmente, fazia loucuras sexuais para seus clientes vips, mas nunca, em
hipótese alguma, se deixava beijar. Era mais uma das estranhas regras que tinha
para si. Era um modo de manter o autocontrole da sua mente e o domínio de si
próprio. Por isso, um princípio de pânico começou a invadir o seu íntimo. Ao
contrário do que parecera a princípio, o beijo de Mu havia deixado de ser
violento, e estava acordando nele, Shaka, uma libido adormecida, algo explosivo,
atordoante, que ele odiava sentir! Uma coisa era reagir mecanicamente aos instintos do corpo... Outra coisa era
desejar aquele homem que deveria ser seu inimigo! Não estava ali para isso! Não
queria! Sentia-se... Sujo... Exatamente quando o pai forçava uma ereção nele,
Shaka... Tentou esquivar-se. A súbita esquiva irritou Mu, que lhe aplicou um golpe
certeiro de jiu-jitsu e o jogou no chão, caindo imediatamente sobre ele. Adorou
ver a cascada dourada de cabelos se esparramar no carpete da sala. Acariciou o
rosto bonito com doçura, mas também com um sentimento de posse absoluta. "Se bancar o fresco, vai ser pior. Não me incomodo de repelir a ceninha que
fizemos lá no seu camarim, mestiço. Você vai dançar apenas uma música aqui. A
minha”. A resposta de Shaka foi a de cuspir no rosto do Sr. Mutisha Dzogchen
Dorje! OoOoOoO
Agradecemos de todo o coração os coments feito a nossa baby. Passem lá e nos dê um olá. Beijos Jade Toreador e Litha-chan |
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