xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx capítulo
01 Ao voltar seus belos olhos azuis para o límpido céu naquele início de tarde
em Atena, Shaka em voz alta, recita um trecho da oração da dança de Tara... "Não há homens ou mulheres, Afrodite passou a entrada principal da sua boate, um portal de ferro com
motivos arabescos graciosos, e caminhou vagarosamente pelo imenso jardim que
circundava as mesinhas pintadas de branco. Adorava observar as suas amadas
rosas, que, com muito custo, conseguira fazer vingar no sol forte das terras
gregas. Sol esse que, a pino àquela hora do dia, era escorado por um toldo
elegante que imperava por toda a área, criando uma sombra protetora às suas
adoradas plantas. As cadeiras estavam todas sobre as mesas, de pernas para o ar,
enquanto dois funcionários faziam uma cuidadosa faxina, lavando o chão de pedras
que passava pelo centro do jardim. A casa noturna não abria nunca antes das
vinte e duas horas, quando já havia um número de turistas e nativos do país
aguardando na entrada. O belo rapaz entrou na casa estilo mediterrâneo, ampla e aconchegante.
Funcionava, ali, um pequeno, mas confortável restaurante e também a área do bar
propriamente dita, com mesinhas elegantes ao redor de um enorme palco oval de
madeira tratada. Seus belíssimos olhos se voltaram para cima. Já fizera aquele olhar mil vezes
mil, mas a verdade, como o narcisista que era, admirava não somente o seu
próprio ego, mas também suas criações. E aquela imensa cúpula de vidro móvel que
ficava sobre o palco, e que lhe custava uma verdadeira fortuna, era sempre o
alvo da sua atenção. Não se cansava de ver como o vidro exibia o céu muito azul
de Atenas. À noite, constelações e constelações brilhariam sobre o palco,
enquanto seu amigo Shaka faria sua sedutora apresentação de dança indiana...
Onde estava Shaka agora? Afrodite apressou o passo, pulou para o palco e entrou na cortina lateral que
havia ali, indo para o confortável camarim particular do seu amigo. Assim que
entrou sem bater, sentiu o adocicado perfume de incenso e ervas impregnar suas
narinas. Sorriu. O mestiço hindu nunca entrava no camarim sem acender um desse
perfumes fumegantes. Lembrou-se do que o amigo lhe contara: em Sânscrito, a
palavra dhúpa, podia tanto significar incenso quanto perfume, e que esse
produto, ao contrário do que todos pensavam, não se originara na índia, mas,
sim, com os árabes... O incenso era comercializado de modo sagrado, e, muitos
dos coletores da resina da árvore Boswellia serrata, matéria prima desse
adorável perfume, eram eunucos ou castos, porque acreditavam que se a resina
fosse recolhida por um homem sexualmente ativo, ela se tornaria rançosa... Os
eunucos trabalhavam nus, para que não tivessem condições de esconder e roubar o
precioso material... “Sidartha...”. “Meu nome é Shaka, Afrodite. Odeio meu nome de batismo”. Dite sorriu, condescendente. Pela direção onde ouvira a voz, Sidar estava no
jardim interno do camarim... Foi atrás do amigo, e o encontrou entre as plantas, pintando pacientemente
suas mãos com a henna. Gotinhas graciosas iam formando uma linda mandala na mão
esquerda. Aquela pintura paciente levaria horas, mas o amigo parecia não se
importar com aquilo. Tinha uma paciência de guru para fazer aqueles
desenhos... “Já ensaiou hoje?”. O mestiço hindu sorriu. O sorriso maroto iluminou lhe o rosto perfeito. “Eu já estava ensaiando quando você nem pensava em acordar”. Dite fez uma careta de desaprovação, mas na verdade, Shaka era um dos poucos
que ele se permitia chamar de amigo. E não entendia bem o porquê. Odiava gente
mais bonita do que ele próprio, e Shaka... Era lindo. Bem, talvez tolerasse isso
porque aquela beleza lhe rendia um enorme público na boate... Todos adoravam ver
a dança sensual que aquele corpo andrógeno e lindo sabia fazer como ninguém. Ele
mesmo quebraria o quadril e o pescoço se tentasse. Como se adivinhasse os seus pensamentos, Shaka perguntou... “Quer treinar um pouco hoje?”. “De jeito nenhum, me contento em ficar atrás da caixa registradora, e
despertar a admiração dos meus fãs com danças mais modernas... Mas me diga...
Você nunca me contou como aprendeu a dançar assim...”. O coração de Shaka se agoniou... Coisas que ele não gostava de lembrar...
Como um autônomo, respondeu... “O templo do sol em Konarak é considerado o maior templo da cidade de Orissa,
na minha terra. O templo tem um santuário, o ”Deula”, que é o espaço para a
dança sagrada... Esse espaço foi construído como uma majestosa carruagem do deus
sol, Surya, que tem 24 rodas e é puxada por 7 cavalos...”. “Você está falando sério?”. Afrodite fez uma careta adorável, de quem não
gostava muito de forçar o cérebro... “Admira-me um homem rico como você nunca ter visitado a Índia antes! O templo
é um tributo a grandiosidade humana. Em frente a essa carruagem que lhe falei,
está o espaço destinado à dança Odissi, o Natamandira. Nas paredes do templo,
figuras esculpidas formam um verdadeiro dicionário de movimentos dessa
dança...”. “Você não me respondeu... Aprendeu com quem a dançar, sozinho?”. Shaka engoliu em seco. Vislumbrou os rostos andrógenos dos hiiras, que na
língua Urdu queria dizer impotentes... Eunucos! Vestiam-se como mulheres, com
saris coloridos, liam a sorte e dançavam nos casamentos. Eram exímios
dançarinos! Eles eram minoria discriminada e perseguida por todos. Mas foram os
únicos amigos seus, aqueles que estenderam a mão para ele quando fugira do
pai... O pai... “NÃO, NÃO, PAI... NÃO... EU NÃO QUERO, EU NÃO...”. Aos poucos houve na criança o silêncio da derrota e da humilhação... Anos de
segredo vergonhoso que dividia na cama do pai, entre os quatro e os quatorze
anos... Até que nesse segredo de dor, conseguira forças para fugir... Saíra para as ruas de Nova Delhi...E fora recolhido, quase morto de fome,
pelos hiiras. Já era velho demais para sofrer a “castração-ritual”, mas sua
aparência naturalmente longilínea e andrógena encantara o grupo que o adotara
como um deles. O velho Rajid lhe ensinara tudo o que sabia, a dançar e a falar
com sedução, a conquistar os homens como se eles fossem o que eles realmente
eram: nada! Durante meses, ele, Shaka, aprendera a falar, andar e seduzir...
Conquistava os turistas com um sexo tórrido feito nos hotéis de segunda
categoria, para depois roubá-los enquanto dormiam... Graças aos ensinamentos dos
hiiras, conseguira o suficiente para sair do seu país... As surras que ele e a
mãe indiana levavam, o coito humilhante, a impotência da genitora, o pai... Tudo
havia sido deixado para trás... Ele estava livre! “O que foi, o gato comeu sua língua?”. “Não enche o saco, cara, não gosto de falar de mim mesmo! Loto a casa todas
as noites, então, não me incomode!”. “Arre, depois eu é que tenho o gênio ruim!”. Shaka riu. E seu riso foi seguido pelo de Afrodite. Eram dois belos rapazes,
de almas e gostos diferentes, mas verdadeiramente amigos. Os rancores entre eles
dois não duravam mais do que alguns segundos... “Só não gosto de ficar falando do meu passado, deixe ele lá atrás! O
importante é que eu coloco todos os idiotas que aparecem aqui na palma da minha
mão!”. Dite bateu palmas, eufórico como uma criança travessa... “Pois é justamente sobre isso que quero lhe falar... Hoje, um grupo de
empresários importantes vem aqui e eu quero que você...”. “Pode parar, Afrodite, nem comece! Temos um acordo. Eu danço, seduzo os
cretinos, e depois EU escolho. Nem quero ouvir falar nada. A questão é simples.
Ou eles pagam o meu preço, ou ficam a ver navios, sendo importantes ou não! Se
quiser mesmo impressioná-los, dance você mesmo!”. “Eu não sei porque aquento tantos desaforos de um empregado!”. “Porque esse empregado aqui enche os seus bolsos de dinheiro. Cada cliente
que arranjo, uma gorda parte fica pra você, meu adorável gigoló!”. Dite deu um sorriso malicioso e deu de ombros. O argumento era bom... “Tudo bem... Você faz o show, como sempre... Agora, trate logo de acabar
esses desenhos de henna, e depois vamos pedir pro Fred dar um banho de creme nos
seus cabelos de ouro. Quero você mais lindo do que todos... Com exceção de mim,
é claro!”. Riram. ..:..O..:.. Era quase final de tarde. O céu de azul intenso estava se tornando mesclado
de tonalidade alaranjadas como se informasse a proximidade da noite. Aquela
reunião de empresarial já estava se passado dos limites dos aceitáveis para sua
consciência! Ter todos os responsáveis de suas filiais em uma única sala para a reunião
anual era o que poderia se denominar maratona de paciência. Paciência esta que
já se encontrava no limite! Quatro horas diretas de debates, relatos,
informativos, gráficos, mini palestras, eram de deixar qualquer um irritado! Seus olhos perscrutaram pela sala encontrando alguns rostos com olhares
distantes. Parou os belos olhos verdes num rosto um tanto conhecido, vendo que o
dono deste encontrava-se tão distraído que se dava o luxo de brincar
distraidamente com uma bolinha de papel, rolando-a por sobre a mesa de vidro
fumê, com um ar de enfado. Conteve um discreto riso enquanto colocava seus
cotovelos por sobre a mesa, posicionando as mãos na altura de seus lábios,
deixando seus olhos vagarem de seu amigo grego para o atual ‘palestrante’. Sabia
que se não interrompesse naquele momento, para não chamar de discurso, com
certeza ficariam até altas horas da noite na sala de reunião. “Sr. Monchelieu desculpe-me por interromper a sua fala, mas será que
poderíamos continuar esta reunião na próxima semana? Minha estadia aqui será
longa, e creio que podemos encerrar por hoje, não é mesmo?”. O francês responsável pela quarta filial das Empresas SNC estreitou os olhos
ao entender perfeitamente o que diziam as entrelinhas daquela frase, mas não
devia e nem poderia contrariar o ‘chefe’. Dando um pequeno suspiro, e já
depositando os relatórios por sobre a mesa, confirmou o que muitos ali dentro
desejavam... O encerramento de sua fala. “Claro, Sr. Dorje. Podemos dar continuidade a esta pauta na próxima semana.
Je crois que todos desta sala non se importarão, afinal, já passamos de mais de
4hs, discutindo assuntos empresarias, non?”. “Sim, esta reunião já se estendeu por demais por hoje, então se não se
importam, esta reunião está encerrada e transferiremos as pautas restantes para
semana que vem”. ..:..O..:.. Já do lado de fora da sala de reunião, após todos terem sido dispensados,
encontravam-se os principais membros e amigos mais íntimos daquela grande rede
de empresas. “O que me diz, Mu? Vamos lá! Hoje, você precisa descansar, se divertir, tirar
esta carranca de excesso de trabalho, meu amigo!”. Milo tentava convencer o amigo a se distrair. Já fazia quatro dias que Mu se
encontrava no país e não tinham tido nenhum tempo disponível para sair e colocar
o papo em dia. “Apesar de estar me sentindo cansado, mentalmente, vai dar para sair, sim,
Milo. Eu não dispensaria uma saída em plena noite de sexta-feira e você sabe
disto, ou já se esqueceu?”. “Esquecer-me? Impossível. Você era o único que me deixava irritado por chamar
atenção por onde passava. Seu exibicionista exótico descarado”. Eram amigos há tanto tempo, que o tratamento de um para com o outro era como
o de irmãos. “Vocês também vão conosco?“. Desviou o olhar cristalino para os outros três
amigos que caminhavam intertidos em alguma conversa paralela. “Hombre, eu nunca perderia uma saída destas. Bebida, música e uma boa noite
acompanhado. O que eu mais poderia desejar?”. Shura falou sorrindo e piscando um dos olhos para Milo que apenas gargalhou
entendendo aquele espanhol. “Vou com vocês, mas só para acompanhar e conversar! Não me interesso pelo que
vocês gostam, caspitte?”. “Ah vá, Carlo, pare de ser um italiano chato! Se você não se... Interessa
pelos atrativos da casa aonde vamos, então vá apenas para conversar, jantar, se
distrair com os amigos!”. Miro deu um leve tapa no ombro do italiano para que ele deixasse de ser
chato, já que era um dos poucos heterossexuais do grupo. “E você, Kamus, vai nos acompanhar também, meu amigo?”. Mu se aproximou do
francês, mantendo o contato com seus olhos. “Non sei se devo ir acompanhá-los, non sou de lugares movimentados”. Ajeitava os fios ruivos por detrás de uma das orelhas, enquanto discretamente
olhava Milo caminhando ao lado com Guillén e Carlo. “Se você não for, vai deixar as portas abertas para que outra pessoa entre na
sua frente e se apodere do que tanto deseja, meu amigo. Pense nisto vai... Não
custa nada você ir, se divertir e ficar de olho... E me parece que a casa que
Milo quer me levar para conhecer, é um local... Interessante, como ele sempre
comenta”. Os olhos de Kamus fitaram o rosto alvo de Mu. Era tão visível assim o
interesse dele pelo grego, que até mesmo Mu que não vivia com eles o tempo todo,
havia notado? “Tout bien Mu, Eu... Eu vou com vocês então!”. Ambos continuaram a caminhar para o hall da empresa, separando-se logo em
seguida. Cada um teria que passar em casa, tomar banho, descansar um pouco para
mais tarde... ..:..O..:.. Milo não se demorou muito para ir buscar o amigo. Estava meia hora adiantado,
e isto era algo impressionante em se tratando de Milo, já que o grego possuía um
péssimo relacionamento com relógios e por conseqüência... horários. A casa que ele próprio havia alugado para a estadia de Mu, era sem sombra de
dúvidas uma belíssima mansão totalmente construída no estilo dos antigos templos
gregos. Suas pilastras de mármore rajados e adornados eram de uma bela
incontestável. Sabia que seu amigo adorava excentricidades e não mediu esforços
para localizar uma mansão digna do ego dele. “Boa noite Sr. Sikelianós, o Sr. Dorje encontra-se na biblioteca”. A educada governanta, também contratada por ele, lhe acompanhou até o
aposento. “Por favor, Sta. Trisha me chame por Milo ou Nikos, certo? Nada de
sobrenomes, aqui não é a empresa que trabalho, então gosto de me sentir
confortável”. A jovem, mesmo constrangida, confirmou com um menear de cabeça enquanto em
seu rosto uma leve tonalidade rubra se apresentava. Ambos já estavam em frente à
biblioteca e a jovem apenas se retirou deixando Miro à vontade. Os belos olhos azuis percorreram a porta bem trabalhada. Sua aparência dava
para perceber que a madeira era de lei, repleta de adornos clássicos e coroas de
louro. Sim, era bela como o restante da mansão, mas também era pesada como uma
boa madeira de qualidade exigia. Ao abrir a porta pode distinguir os berros dentro do ambiente. Pelo visto seu
amigo nem mesmo fora da empresa teria sossego. Não falou nada e apenas se
aproximou da poltrona vendo que Mu já tinha sentido sua presença. “Eu já disse seu bando de emprestáveis, e não estou disposto a repetir uma
coisa que já estão CANSADOS de saber. Eu não posso me afastar por um só momento
que vocês se perdem? Se isto não estiver resolvido até terça-feira, eu estou
dizendo até TERÇA-FEIRA... alguém vai ter que responder por isto com o próprio
emprego. Ouviu bem? Pois bem, agora não amole o meu saco”. Desligou o celular sem nem ao menos dar chances de respostas da pessoa com
quem... gritava. Ao olhar para o aparelho, gruniu de raiva pela
irresponsabilidade de seus empregados, e sem se importar muito, arremessou o
pequeno objeto de encontro à parede da biblioteca e só então suspirou voltando
seu rosto ainda avermelhado para seu amigo Milo. “Se continuar assim ainda vai sofrer um infarto tão jovem, Mu! E se bem me
lembro, a sua religião não ajuda a controlar gênios como o seu?”. Falava enquanto mexia em uma mexa de seu próprio cabelo que se encontrava
solto e cascateando por sobre os ombros. “Eu não posso sair do Japão que aqueles estúpidos não sabem fazer nada. Fui
até bom demais querendo as coisas resolvidas na terça Milo, eu poderia ter
ordenado tudo pronto para segunda-feira e acredito que não conseguiriam aprontar
tudo em tão pouco tempo. E minha religião... eu tento, mas não tenho muito saco
para certas coisas”. Ficaram se fitando por alguns momentos. Miro reconhecendo o amigo de longa
data que dividia consigo todas as artimanhas de planos mirabolantes. E Mu,
observando o grego que sempre esteve ao seu lado, um aturando o gênio forte do
outro, e sempre sendo amigos quase inseparáveis. Foi Mu que quebrou o silêncio entre eles. “Agradeço pela maravilhosa casa Milo, ela é muito bonita, simples, mas
bonita”. Não iria deixar de implicar com o grego, e para que parar se isto era o que
mais lhe divertia. “Ora seu ingrato! Eu revirei todos os bairros nobres para achar uma mansão a
sua cara. Excêntrica e exótica, e é assim que você me agradece? Desalmado”. A cara feita por Milo, era de pura comédia, e nem havia se passados meros
segundos, e ambos já se encontravam rindo. “Mas é sério, a casa é muito bonita, os empregados são bastante educados, mas
só tenho uma reclamação a fazer, Milo...”. O loiro já estava imaginando qual seria a reclamação e não agüentando começou
a rir baixinho estourando em gargalhadas depois da confirmação. “Os empregados são ótimos, mas você contratou a maioria mulheres, jovens e
algumas senhoras e somente três homens, sendo que, estes três, tem idade para
serem meus avôs. Isto foi deprimente Milo, golpe baixo o seu”. Mu estava com uma adorável cara emburrada. Não que ele não apreciasse os
esforços de Milo em lhe achar e montar a casa toda, mas no tocante ‘empregados’,
Milo deixou a desejar e muito. “Você acha que eu seria louco o bastante para contratar belos rapazes para
esta mansão? Nem em sonhos querido. Não se mistura trabalho, sexo e empregados
em um só lugar”. “Olha quem fala... O senhor comportado do século. Milo, juro que você ainda
vai me pagar por esta falta de consideração”. “Ok, eu pago depois, mas, você vai querer em espécie, ou em serviços
corporais?”. Não conseguia ficar sério estando ao lado do amigo. Era impossível para se
dizer à verdade. Os olhos verdes passearam pelo corpo do grego como se estivesse analisando
todo o ‘material’ e não deixou por menos o comentário malicioso. “Quero em serviços meu caro amigo, faz-se mais de quatro dias que não escuto
alguém gemer sob meu corpo”. “Hey, pode parar por ai seu engraçadinho, eu sou a espada e não a bainha.
Agora, se você assim desejar... posso guardar em você a minha suntuosa espada
grega”. “Sem chances grego, aqui você não tem vez não. Sai pra lá, ok?”. E mais risos eclodiram no ambiente mostrando que o clima de antes, que era
tenso e irritadiço para o amigo, agora estava bem mais leve e descontraído. “Bom, vamos parar de rir que nem duas crianças bobas, e vamos andando. Já
está pronto Mu? Sei que está um pouco cedo, mas você consegue ser pior do que eu
quando quer chamar a atenção em um local novo, demora feito uma mulher decidindo
o que vai vestir”. O ariano caminhou até próximo ao amigo, aproximando o rosto do grego, fazendo
com que seus cabelos caíssem pelo rosto do outro antes de falar. “Só me demoro uns quinze minutos querido, afinal, tudo já está previamente
separado para que EU possa brilhar esta noite e não você”. E mais uma vez implicara com o grego. Terminou de falar e depositou um rápido
selo nos lábios delineados de Milo que havia estreitado os olhos com aquela
provocação. Mu se afastou ajeitando os fios por detrás de ambas orelhas e sorrindo para o
grego notando o cheiro de disputa no ar. “Sabe, cada vez que nós nos encontramos, você esta com estes cabelos mais...
exóticos. Antes eram apenas alguns fios rosados, você queria modificar e tirar o
ar de ‘anjinho’ dos fios loiros, ai depois que você tatuou essas duas pintas
esquisitas na testa, pronto... desandou de vez. O que antes eram apenas alguns
fios, hoje... são todos. Nunca vai cansar não?”. Mu brincando com uma das mexas entre os dedos fitou o amigo grego lhe
sorrido. “Para que parecer com um anjo, se estou bem longe disto? Gosto dos meus
cabelos assim. Gosto de ser taxado de exótico, excêntrico e todos os outros
nomes que percorrem as mentes das pessoas que passam por mim. Ser reconhecido
com um dos melhores empresários no Japão, que mesmo tendo gostos esquisitos para
os demais, como eu tenho, e mesmo assim não deixa de ser um visionário quando se
refere a businesses. Então meu caro amigo... desse por vencido, não mudo tão
fácil”. O grego apenas balançou a cabeça soltando um suspiro vencido. Nunca voltaria
a ver os fios loiros de seu amigo. Não seriam chamados nunca mais de anjos...
Anjos endiabrados, na verdade. “Ok, você venceu, anda, vai se arrumar antes que minha beleza se acabe de
tanto esperar. Quinze minutos hein, vou cronômetrar”. Riu ao ver seu amigo correndo porta afora, subindo as escadas que nem um
menino travesso pulando de dois em dois degraus. Alguns minutos mais tarde Mu já se encontrava pronto e totalmente sorridente
no hall da mansão. Suas roupas eram despojadas, sociais, mas sem aquele ar que
lembrava a forma de ir trabalhar. Sua calça social caqui, acompanhada de um
sapato fino marrom claro, sua blusa de seda branca com mangas longas em um
estilo veneziano do século XVIII, encontrava-se com os botões estrategicamente
abertos deixando seu peito alvo e bem trabalhado a amostra. Seus cabelos estavam
presos em um rabo de cavalo baixo e frouxo, fazendo com que duas fartas mexas
laterais ficassem soltas para frente. O Grego olhando aquele estilo torceu o nariz, mas tinha que concordar que seu
amigo sabia como aparecer sem ser escandaloso. Bem, isto ele deixava por conta
dos cabelos dele. “Vamos? Já estou pronto e ainda me faltam... três minutos”. Rui ajeitando os
babados da manga e voltando a fitar o belo rosto de Milo. “Sim vamos. Antes que eu tenha uma crise e te jogue na piscina para desfazer
este ar irritante que você tem”. Ambos saíram rindo, indo em direção ao carro de Mu, que se encontrava
estacionado na frente do jardim da mansão. ..:..O..:.. Elegante, mas agitada, cheio de libido, como seria qualquer ambiente onde
houvesse jovens ansiosos por diversão... Assim era a casa noturna de
Afrodite! Carlo, Shura e Kamus despertaram olhares de admiração e inveja quando
adentraram a boate. Eram mesmo uma visão de tirar o fôlego, cada um atraindo a
todos com seu estilo próprio. Carlo, muito bronzeado com o sol da Sicília, exibia uma camisa de seda branca
e calças de couro que chegavam a ser indecentes, de tão justas. Guillén, Shura
para os amigos, também fazia um estilo masculino: tinha um quê agressivo e
rústico. Vestia uma calça de cós alto com uma linda faixa bordô na cintura que
lembrava a dos toureiros espanhóis quando reinavam na arena. Seus olhos rasgados
e soturnos eram o complemento ideal para seu jeito arrogante de caminhar. Ele
andava como se estivesse mesmo numa arena de touros! Kamus por sua vez, ah, sim,
era mais delicado no rosto e atitudes, e, paradoxalmente, por destoar dos outros
dois, também chamava muita a atenção. Estava com um terno de tweed negro,
discreto, que lhe dava um ar adorável. E nem se preocupara de trocar os óculos
de aros finos pelas suas lentes de contato. Provavelmente, o bruxinho Harry
Potter, quando se tornasse um belo rapaz, teria aquele ar distante e
intelectual! Kamus atiçava a fantasia de todos devido a sua beleza andrógena,
que mexia com a libido até de santo! Seus cabelos vermelhos eram, entre os povos
antigos, sinal místico de luxúria e sensualidade... Símbolo dos feiticeiros que
tinham ligações com o fogo! Sentaram-se os três colegas à mesa próxima a pista de dança, de onde podiam
ver tudo sob um ângulo privilegiado... Kamus, como sempre, não tinha consciência de sua beleza. Parecia um cisne
altivo no meio de dois belos linces, Carlo e Shura. Na verdade, quase estava
arrependido de ter dito a Mu que iria até ali. Fora muito constrangedor admitir
ao patrão e amigo que estava indo somente para ver o que Milo fazia...
Definitivamente, isso não estava certo... Largara uma bela namorada na França...
Para ficar de flerte com um rapaz! O que estava acontecendo com ele? Isso era...
Errado. Por mais ‘modernidade’ que houvesse nas atitudes de Mu e Milo, aquilo
não era para ele... Mas... Por que se inquietava tanto imaginando Milo namorando
os garotos na pista? Com o pensamento, Kamus corou tanto que nem a luz estroboscópica da boate
conseguiu disfarçar seu rubor. Sorte que seus dois amigos, e colegas de
trabalho, o italiano e o espanhol, estavam distraídos paquerando a garçonete que
os servia com um olhar coqueteiro e não repararam o seu estado de
espírito... “Cerveja, senhores? Ou vinho?”. “Pode ser cerveja pra mim e pro meu colega aqui. E você, Kamus, vai de
cerveja também?”. “Prefiro um cointreau, com cereja... Por favor...”. Não era boa idéia beber, mas, a seco, não teria coragem de ficar ali,
observando Milo quando ele chegasse, vendo-o chamar a atenção de todos com sua
vasta cabeleira loira e aquele jeito sensual de dançar que fazia todos se
sentirem feijões diante de uma pérola... Shura bateu nas costas de Kamus... “Mas que bebida fraca! Deixe isso para os ‘entendidos’, beba, ‘hombre’, vamos
beber até cair como os três machões que somos!”. Kamus corou de novo, até a raiz dos cabelos. Por sorte, eles já eram ruivos.
Sem perceber o que fazia, contra atacou o argumento do italiano: “Alexandre, o grande, era guerreiro, militar, bebia tonéis de vinho e não era
nada machão!”. Shura riu... “Olé, muito bem, fique com o cointreau, então!”. Continuaram conversando amenidades, até que Carlos deu um a olhada tensa por
cima dos ombros... “Lá vem aquele viado de novo. Não gosto de falar com esse tipo de gente...
Ele á amigo do Milo, mas não vou com a lata dele... Frutinha demais para o meu
gosto!”. Kamus se virou para ver quem era e viu Afrodite, o dono do estabelecimento,
se aproximando... Shura sorriu... “Com a ‘lata’ não, você não vai, só com o traseiro... Até que é gostoso, e,
com a conta bancária que ele tem...”. “Oras, vai dizer que você toparia sair com o cara! Tô te estranhando,
meu...”. “Bem que você conversa bastante com ele... Vai dizer que não, carcamano?
Quando a gente se encontrou com ele lá em Las Vegas, aquela coincidência
absurda, você até que puxou conversa... Demais...”. “Sai dessa, o cara é que não desgruda de mim... Viado não tem amor próprio,
fica se oferecendo... Ele é só mais um desses ‘tipinhos’ sem senso de
ridículo...”. Kamus ouvindo aquela conversa, começou a se sentir mal. Era justamente esse o
ponto! Preferia morrer a ter sua masculinidade emporcalhada, sendo motivo de
chacota de todos! Dite se aproximou mais e disfarçaram o teor da conversa. O sueco estava
simplesmente deslumbrante, com seus cabelos loiríssimos, pálidos como prata sob
o sol, caídos soltos pelos ombros que exibiam uma camisa de seda pura num tom
rosa. A cor destacava sua pela muito alva. Era evidente, Kamus percebeu, que o
belo empresário tinha mesmo uma forte queda pelo italiano... Não tirava os olhos
dele. Foi gentil a ponto de, inclusive, mandar vir as bebidas por conta da casa!
Estavam todos numa conversa que ficava em terreno neutro, mas Kamus percebia
claramente o interesse de Dite em Carlo e, por sua vez, o interesse de Shura em
Dite. Deu um sorriso discreto sob o copo de cointreau que levava aos lábios finos.
Pelo jeito, o espanhol até que arriscaria ficar mal falado entre as garotas para
dar uma escapada com o sueco... De repente, houve um burburinho agitado e alguns rostos se viraram para o
lado da entrada. Kamus estremeceu. Só podia ser eles dois que chegavam! Exato!
Assim que se virou para trás, viu Mu e Milo adentrando com tamanha desenvoltura
que nem dois modelos de passarela conseguiriam causar tanto frisson! Mu estava
muito lindo com aqueles exóticos cabelos lilases, e Milo... Kamus sentiu um frio na barriga que odiou sentir. Infernos! O que estava
acontecendo com ele? “Oi, galera, abram alas que nós dois vamos arrasar!”. Milo foi se aproximando do dono do estabelecimento: “E aí, Dite, tudo bem?”. Milo e Dite se cumprimentaram com um beijo escandaloso, pra chamar a atenção
mesmo! Se os paparazzi estivessem por ali, tanto melhor. Com o canto dos olhos,
o belo Afrodite ficou vigiando o rosto de Carlo, para ver se o italiano esboçava
alguma reação de ter se incomodado com o beijo... Droga, nada, o maldito
canceriano era sensível como um caranguejo mesmo! Só olhava para o seu próprio
umbigo! Kamus que estava até então paralisado com a visão do grego, que ao presenciar
o beijo ardente entre os dois, sentiu seu peito se comprimir de tal forma à
ponto de deixar lhe desnorteado. Estava tão nervoso com aquela imagem a sua
frente que sem perceber acabou derrubando o copo de sua bebida no chão. Os ocupantes da mesa, seus amigos, notaram o desconforto estampado no belo
rosto de alabastro, já que este estava mais vermelho do que antes, mas
procuraram disfarçar dando continuidade com as conversas como se nada tivesse
ocorrido, como se fosse apenas um descuido da parte do francês. Quanto a Milo e
Afrodite, estes continuaram a falar com normalidade, como se o beijo entre
homens, em público fosse a coisa mais natural daquele mundo. “E aí, gostoso, vamos sair depois do show?”. “Por mim podemos sair agora...”. Milo abraçou o amigo e amante ocasional,
acariciando os cabelos cor de trigo... “Nada disso, Milo, quero mostrar a vocês a mais bela aquisição da minha
casa... Você já o conhece, mas seus amigos ainda não tiveram este... prazer”.
Afrodite riu. Milo riu também e avisou a Mu... “Cuidado! Quando Afrodite resolve mostrar um puto novo, é porque ele quer ver
nossos bolsos vazios!”. “Nada disso!”. Afrodite fez um beicinho adorável. “Meu dançarino é um
verdadeiro artista! E eu um mecenas! Não seja implicante seu grego safado”. Shura se meteu na conversa... “Sei... artista igual àquela dançarina de tango que quase me levou a falência
o ano passado!”. Riram todos, menos Kamus, que fingia estar muito interessado no seu copo de
cointreau vazio agora, graças ao acidente de minutos atrás, para não ter que
ficar encarando Milo, que, estranhamente, o estava fitando demais... Aqueles
olhares insistentes de Milo foram incomodando o aquariano a tal ponto que ele
acabou se irritando: “O que foi? Por acaso pintei o nariz de vermelho?”. Milo sorriu, sedutor... “Estava aqui pensando se você não aceitaria dançar uma música comigo...
Vamos?”. “Ficou maluco? Eu... Eu...”. Eu nada! A proposta o havia deixado sem
palavras. Acabou não falando coisa nenhuma... “Uma música só, Kamus... Não arranco pedaço...”. Milo insistiu, exibindo seu
sorriso mais lindo... “Eu não jogo nesse time, cara, tenho namorada me esperando! Pare de fazer
essas brincadeiras sem graça!”. Milo fez uma careta, mostrando a língua como um menino mal criado. “Oras, não vejo graça naquela francesinha insossa! Não me diga que esse
namoro é mesmo sério! Isso é ridículo!”. Kamus corou de novo e, mais uma vez, não soube o que responder. Milo,
irritado, foi sozinho para a pista de dança. Mu olhou sério para o amigo... “Se essa é a sua tática para chamar a atenção de Milo, Kamus, ótimo, mas não
exagere. Até eu fico irritado quando me comparam com uma mulher!”. “Eu não o comparei com ninguém!”. O aquariano deu um olhar suplicante ao
amigo, com se pedisse socorro. Uma vez cogitou em confidenciar a Mu que pensara em Milo com enésimas
intenções, mas, céus, entre um pensamento inconfessável exposto impensadamente e
a prática absoluta, havia um abismo emocional que para ele, Kamus, era
impossível de se transpor! Nesse instante, no palco, soaram tambores anunciando que a hora do número
principal da noite havia chegado... Os que dançavam pararam e, aos poucos, a
música barulhenta foi substituída por uma outra, instrumental, que parecia vir
do próprio céu, de tão linda. As constelações da noite, que eram exibidas pela
cúpula de vidro, pareciam encher o ambiente do palco de pura magia! As luzes mudaram de tonalidades, deixando o palco iluminado com um tom
dourado que dava ao local um quê surrealista... Mu sussurrou para Kamus,
impaciente... “Deve ser um daqueles garotos de programas vulgares e meti...”. Mu não conseguiu terminar o que dizia, porque a imagem de Shaka emergiu das
sombras para a luz como se fosse uma aparição divina. Estava com os olhos
fechados, entoando uma nota sacra de meditação, que tinha perfeita sincronia com
a música. Mesmo assim, de pálpebras cerradas enaltecidas pelo k-hal negro, o
dançarino era de uma beleza impressionante! Os cabelos caiam-lhe pelos ombros
como uma cascada dourada e o sari indiano, amarelo e laranja, bordado com fios
dourados, o fazia parecer ter sido feito inteiramente de ouro! Lentamente, no ritmo da música, Shaka começou a ondular seu corpo, exatamente
como a serpente da sedução fizera, um dia, para enganar os mortais e jogá-los
para fora do paraíso... ..:..O..:.. Mu observava cada passo, cada movimento, cada detalhe que daquele ser que
havia lhe tirado o dom da fala por ser tão belo e tão sensual. Dançando daquela
forma, se movimentando com delicadeza, as expressões faciais, os olhos
delineados, os cabelos com fios tão dourados que lhe lembravam os raios de sol,
ao se movimentarem acompanhando os movimentos do corpo... Tudo naquele ser havia
lhe envolvido. Não conseguia desviar seu olhar de tão enfeitiçado se encontrava, e Milo ao
seu lado, comentava baixinho para não quebrar o clima, que aquele ser belíssimo
que dançava, era Shaka. O centro das atenções da casa. Que desde que chegara,
todas as sextas-feiras justamente entre o virar da noite para o dia, ele se
apresentava. Mu escutava ao longe o relato de Milo sobre o loiro chamado Shaka, mas mesmo
assim não conseguia evitar olhá-lo. Seus instintos gritavam a cada movimento
visto. Tinha que tê-lo para si, nem que fosse uma só noite, mas tinha que tê-lo
sob seu corpo, saciar seu desejo naquela carne, escutar os gemidos vindos
daqueles lábios. Possuí-lo, era isto, desejava possuí-lo para aplacar aquela
sensação em seu interior. Na mesa nada mais era dito sobre o loiro, apenas restava aos ocupantes o
simples ato de observar o desenrolar da dança. Dança esta feita com maestria pelo mestiço hindu, discípulo dos hiiras, que
não só aprendeu a dançar com eles, mas também com outros grupos que fora
encontrando pelas regiões por onde passava. Shaka mesmo dançando, observava os olhares sobre si. Adorava saber que no
momento que aparecia, toda a movimentação do local parava. Seu ego era sempre
massageado ao perceber os olhares de cobiça sobre si, mesmo que fosse ele a
escolher com quem acabaria sua ‘apresentação’. Afrodite sempre acompanhava as apresentações de Shaka. Nunca cansaria de ver
os passos do loiro, de tão formosos que eram, mas ele já sabia como seria o
término daquela apresentação que já estava quase se findando. Seus belos olhos
azuis celestes desviaram-se discretamente para o mesa de seu amigo Milo e
convidados, procurando dentre eles os olhos fortes de um certo italiano que
sempre lhe tirava o sono. Carlo estava mais entretido em tomar sua bebida do que ficar observando um
loiro dançando em cima de um palco, mas vez ou outra, seus olhos o traiam e
procuravam a silhueta de um certo ser: Afrodite. ‘Questo uomo... realmente è
bello’. Não conseguia deixar de pensar nisto enquanto virava mais uma vez a
bebida, sentido-a descer por sua garganta refrescando-a, mas estapeando-se
mentalmente e culpando a mesma, por estar pensando isto de um homem. Shura não sabia se olhava o loiro dançando ou se fitava o corpo de Afrodite
ali tão próximo de si. Nunca havia se interessado por homens. Mas dava o braço a
torcer que desde que conhecera Afrodite, estava sempre a um passo da tentação.
Passara muitas noites analisando os prós e contras, brigando internamente com as
doutrinas passadas por sua família, uma família de nome, Quesada Montoro.
Mas mesmo assim, pensando consigo mesmo, se ele saísse com um rapaz como
Afrodite, não deixaria de ser macho. Seus olhos caíram sobre as fartas nádegas
do sueco e um sorriso adornou-lhe os grossos lábios. Kamus estava alheio a apresentação. Não estava se importando nem um pouco com
aquilo tudo. Seu pensamento apenas estava entre a constatação do que ele sentia
em relação ao grego, e a sua tão balançada masculinidade. Havia solicitado mais
uma bebida e, desta vez era, vodka pura. Seus pensamentos entre Milo e Annethe,
sua namorada, eram por demais perturbadores. A apresentação estava acabando, Shaka estava encerrando mais uma dança. O
loiro ainda em cima do palco agradecia com gesto delicados e sensuais os
aplausos e assovios que lhe eram direcionados. Seus olhos vagaram pelo ambiente, enquanto em seus finos lábios resplandecia
um sorriso adorável. Tudo fazia parte do jogo de sedução que lhe fôra ensinado e
que desempenhava perfeitamente. Ao longe, viu Afrodite e Milo juntamente com um grupo. Provavelmente, deveria
ser aquele grupo que Dite lhe falara. Resolveu então apenas cumprimentar Milo,
com quem já conversara normalmente algumas vezes e, com esse pretexto, conhecer
por alto seus amigos. Desceu suavemente pelas escadas laterais do palco. Seus movimentos, por mais
delicados que fossem, sempre carregavam um quê de sensualidade e de malícia que
fazia qualquer humano, hetero ou não, querer acompanhá-lo com os olhos. Passando por entre as mesas, Shaka era gentilmente parabenizado pela
performance da noite. Era também abordado por muitos, tendo suas mãos beijadas
em galanteios, geralmente usados para damas, e isto sempre lhe enaltecia a sua
vaidade. Nem todos podiam se gabar, para bem ou para mal, de se aparentarem com
mulheres com tamanha perfeição! Já bem próximo à mesa de Milo, onde se encontrava Dite também, Shaka sorriu
mais abertamente, ao fitar o rosto do grego, e comprovar que mesmo Milo, que o
conhecia um pouco, sempre tinha aquele olhar de malicia para cima dele. Mu, que nada falara durante a apresentação toda, e que, nenhuma reação
expressara até aquele momento, ao ver a aproximação do loiro divinal, se
levantou para que assim pudesse fitar lhe nos olhos. Aqueles olhos belíssimos,
delineados com k-hal negro que deixavam suas orbes azuis, tão brilhantes e
intensas. Shaka olhou tranqüilamente o movimento um tanto brusco de um dos senhores da
mesa. Em seu cérebro, já sabia o que poderia resultar daquela situação, mas
mesmo assim continuou com um jeito tranqüilo e até mesmo sereno demais para
alguém como ele, traumatizado pelos abusos sofridos na infância. “Sua apresentação foi magnífica, nunca pensei em poder vislumbrar um jovem
com tamanha desenvoltura como a sua. Se não for abusar demais, eu gostaria de
poder conversar a sós com você em algum lugar particular”. Na mesa, Milo discretamente colocou a mão sobre os lábios, enquanto seus
olhos ainda fitavam o loiro a sua frente. Algo lhe dizia que aquilo não acabaria
bem. Um pouco mais atrás de Milo, estava Afrodite, que ao escutar o pedido de Mu,
ficou apreensivo com a reação de seu dançarino. Seus olhos arregalados pediam a
Shaka que desta vez cedesse gentilmente. Os olhos azuis do loiro, após estarem fitando por alguns segundos aquelas
orbes verdes, se desviaram indo de encontro ao rosto temeroso de Afrodite, e
logo em seguida, aos olhos azuis brilhantes de Milo. Ao loiro, deu lhe um
sorriso encantador, mas que no fundo era mais do que sarcástico para a situação
que se encontrava. Olhou Mu com atenção, de cima a baixo, notando-lhe a cor diferente dos
cabelos, as pintas estranhas na testa nos lugares das sobrancelhas que não se
encontravam. O silêncio em torno do grupo estava sendo irritante, mas fôra
quebrado pela gargalhada sarcástica e um tanto irônica de Shaka. Sua voz suave e
séria foi direcionada ao seu solicitante por atenção que já se encontrava
avermelhado com suas ações. “Posso até ficar conversando com o senhor, mas somente aqui nesta mesa, meu
caro. O ‘outro tipo de conversa’ que deseja, não irei lhe ceder. Não gosto de
ser abordado desta forma, informe-se das regras... Sou EU que escolho com quem
desejo conversar, e não o contrário”. Shaka voltou a olhar para mesa com um encantador sorriso e com um gesto de
cumprimento foi se retirando do local deixando para trás um Mu repleto de raiva
e indignação por ter sido repudiado e principalmente na frente de seus amigos.
Era uma afronta enorme para seu ego! Virou seu rosto em direção a Afrodite, que estava com uma feição muito
preocupada com a situação que presenciara. Sua voz saiu baixa e assustadoramente
perigosa. Seus olhos verdes estavam brilhando demonstrando um perigo que ali
poucos já haviam presenciado, somente Milo sabia o quão perigoso aquele ariano
poderia se tornar em uma situação desta. “Desculpe o ocorri...”. Teve a fala embargada pela do ariano. “Quero saber qual o valor deste traste que ousou a me afrontar. Qual o valor
do serviço que seu garotinho de programa cobra quanto resolve escolher os
clientes? Não estou disposto a ouvir quaisquer desculpas, apenas o que lhe
perguntei”. “Mas...”. “Quanto ele cobra? Só me responda isto”. Suas mãos estavam crispadas, e seu
olhar para Afrodite não era nada amigável. O sueco, dando-se por vencido, e até mesmo preocupado com um possível
escândalo em seu estabelecimento, acabou revelando o quanto Shaka costumava a
cobrar por seus ‘serviços’. “O valor normal é de 6.000,00Dr.”. Os dedos enroscavam em algumas mexas de
seu cabelo como se assim pudesse obter segurança perante aquele olhar vibrante
de fúria. “Ótimo...”. Retirou a carteira de couro negro do bolso da calça, sacando em
seguida um talão de cheques e uma discreta caneta dourada aparentemente de ouro.
“Então farei um cheque com o triplo do que ele normalmente ganha por estes
serviços, que tal o valor de 18.000,00Dr.? Creio que é mais do que ele vale por
uma... foda”. Falou entre dentes entregando o cheque já preenchido e
assinado para Afrodite. Afrodite somente arregalou os olhos ao ver realmente o valor no cheque.
Aquilo era como se Shaka estive atendido três clientes em uma única noite, coisa
que o loiro nunca fez desde que pisara ali. Milo observara tudo calado e sem se meter. Não ousaria se interpor nos
acontecimentos que viriam, não era louco o bastante para fazer isto! Kamus estava preocupado, sua feição estava mais pálida do que o normal, e
seus olhos iam de Mu para Milo e depois para Afrodite. Não poderia deixar uma
coisa desta acontecer! Shura e Carlo apenas continuavam a tomar suas bebidas como se nada de mais
estivesse acontecendo. Se Mu estava disposta a gastar uma grana com o loiro
metido, eles que não iriam se intrometer no assunto do amigo egocêntrico. Mu não esperou nenhuma resposta ou fala de qualquer um ali presente, virou-se
buscando no ambiente o dançarino. Seus olhos avistaram Shaka se esgueirando por
detrás de uma das cortinas bordos próximas ao palco. Em seu rosto, um sorriso
maligno aparecera, e suas pernas começaram a se movimentar indo em direção ao
mesmo lugar que o loiro desaparecera. O loiro estava tão distraído em seus pensamentos que não notou a aproximação
perigosa daquele que ele a pouco repudiara. Em sua mente, só conseguia se
lembrar dos maus tratos que sofrera, da dificuldade que fôra assumir a vida dos
hiiras, tornando-se um dançarino, um sedutor. Detestava aquela vida, mas como um
círculo vicioso, o que lhe dava asco, também lhe dava dinheiro e até mesmo um
certo status. Seus pensamentos foram bruscamente interrompidos ao sentir seu braço esquerdo
ser fortemente agarrado e prensado, assim como seu corpo também o fôra, na
parede do corredor que lhe levava ao seu camarim. “Mas o quê...?”. “Pois bem, rapazinho, agora que já paguei o triplo do que você vale, nós dois
vamos ter uma deliciosa conversa, e esta... Será do meu jeito, queria você ou
não”. Shaka tinha um bronzeado muito lindo, mas, mesmo assim, sua pele se tornou
lívida com o choque de ter aquele homem furioso, ali, na sua frente. Imediatamente, veio à sua mente a imagem do pai violento. Ele fremiu de ódio
e pavor, todo seu corpo rejeitando aquela situação de humilhação e submissão que
ele, por já tê-la vivido muitas vezes, sabia exatamente como era. “NÃOOOOO!”. Era o horror da infância que voltava a tona num grito desesperado de ódio e
medo! Mas Mu não tinha como saber esses detalhes, e nem queria saber! Agora,
tudo o que desejava era fazer o mestiço hindu aprender que NINGUÉM o afrontava
impunemente! Mu empurrou Shaka para dentro do camarim e fechou a porta. O loiro, num gesto
instintivo de auto-defesa, foi para cima de Mu, tentando apanhar a chave que
estava nas mãos do ariano para escapar, mas aquilo só enfureceu o ariano ainda
mais: “Você vai ficar exatamente onde está!”. Mu empurrou Shaka para dentro do camarim, jogando-o com violência sobre a
cama que ali havia para as ocasiões em que ele, Shaka, resolvia dormir na
própria boate. Shaka se levantou rápido da cama, movido mais pelo desespero do que pela
fúria. Atacou! Tentou socar o rosto de Mu, que, por ser um ‘expert’ em artes
marciais, desviou rápido da trajetória do soco, mas, mesmo assim, o golpe o
atingiu de raspão no rosto, o que o deixou possesso de raiva... E a pior coisa que há nesse mundo esquecido de Deus é um ariano com
raiva! “Ora, seu...”. Mu contra atacou, dando um soco em Shaka, derrubando-no chão ao mesmo tempo
em que segurava um dos braços do hindu e o torcia violentamente. Não satisfeito,
desferiu um chute nas costas do mestiço, para que este perdesse o fôlego e não
conseguisse mais reagir. “Ai!”. “Pode gritar a vontade. Com a música alta ninguém vai ouvir, e o seu patrão
já recebeu por você muito mais do que você merece!”. Shaka custou a recuperar o ar nos pulmões, e foi esse tempo que Mu aproveitou
para se colocar sobre ele, dominando-o com seu corpo alongado, quase magro, mas
extremamente forte. Arrancou o sari de Shaka, com um forte puxão, rasgando-o.
Ficou agradavelmente surpreso quando descobriu que o virginiano não costumava
usar roupas de baixo. Teve uma visão deslumbrante do corpo nu, deliciosamente
andrógeno, exatamente como ele, Mu, gostava. As íris verdes brilharam de
luxúria, e Mu forçou um beijo em Shaka, que conseguiu dar uma mordida forte nos
lábios do ariano. Sangue. A resposta do empresário foi um tapa de mão virada no
rosto do loiro, o que fez com que os dedos de Mu ficassem desenhados no lado
direito da face bonita de Shaka. “PAI, PAI, NÃO... NÃO, POR FAVOR,... NÃO, PAI...”. “Não... Faça isso...”. A sua voz de agora, a real, suplantou a voz das suas lembranças... O menino
Shaka parecia estar ali de novo, diante do pai, hirto de medo, sem entender o
porquê da violência e humilhação, mas carregando em sua alma todas as cicatrizes
daquele sofrimento. Aquele pedido, no presente, havia saído amorfo, apático, e Shaka não reagiu
mais. Sentiu seus cabelos serem puxados para trás com força, enquanto Mu
livrava-se de suas calças o suficiente para ter uma penetração perfeita no corpo
dele que, agora dominado, estava exposto para o outro como carne no açougue! Mu penetrou-lhe as nádegas, sem cuidado, sem preparo algum. Uma estocada só,
violenta, para depois começar o martírio daquela fornicação furiosa! Shaka estremeceu de dor. Mordeu os lábios para não gritar, mas não fechou os
olhos. Lágrimas escorriam sem que o mestiço hindu cerrasse as pálpebras. Ele
temia fecha-las e ver o pai na sua frente. Não queria... Não... O horror da
infância e a revolta do presente bailavam em sua mente e coração como se fossem
algozes implacáveis! Mas seu pior algoz era Um, que, dotado de uma libido irrefreável, estava
longe de se satisfazer com um sexo rápido. Foi um tempo interminável para Shaka,
onde ele lutava com o pai, com as lembranças, com a dor do passado que se
misturavam com a humilhação física do presente. A voz de Shaka, quando Mu estava quase atingindo o seu gozo, soou num
sussurro que tinha o emblema de uma maldição: “Você não vai ter nada de mim além de um pedaço de carne... Pelo ódio que eu
tenho, pelo amor que eu tenho, pela vida que eu tenho... Eu juro... Jamais vou
amar você... Pode implorar o meu amor, um dia, que você jamais o terá... A lei
do karma existe e agora o karma desse amor está amaldiçoando nós dois...
Eternamente, somos dois amaldiçoados“. Na verdade, aquelas palavras, haviam sido as mesmas que Shaka dissera uma vez
ao pai... E saíram agora, sem que mestiço hindu percebesse aquilo, como se o
menino que havia nele estivesse vivendo a infância outra vez, mas o empresário
arrogante que o sodomizava, não poderia entender que aquelas palavras eram um
eco do passado, e não um confronto para o presente! Mu retrucou, rindo, aumentando o ritmo da cavalgada furiosa que punia
dolorosamente um e extasiava o outro! “E o que eu mais eu poderia querer de você, puto? Sua carne já me basta! E eu
não acredito em karma!”. Shaka não respondeu. E Mu também não quis falar mais, porque os gemidos de
ambos ficavam cada vez mais fortes! Um arfava de dor, o outro de prazer. A
respiração deles era entrecortada, cheia de ódio e sensualidade... Mais um tempo que para Shaka parecia inesgotável se passou, até que,
finalmente, sentiu dentro de si o gozo de Mu explodir com a força de um dique
arrebentado, inundando lhe as nádegas e coxas. O golpe final daquela
humilhação... Sentiu o corpo de Mu fremir intensamente, e ouviu a voz rouca de
prazer gemer, anunciando o êxtase do seu agressor. Shaka encolheu-se, abraçando os próprios joelhos e se colocando na cama em
posição fetal. A dor não deixava pensar em se erguer. Mu, por sua vez, ainda
sentia um prazer forte, como se Shaka fosse uma droga poderosa correndo por todo
o seu corpo. Ergueu-se, ainda trêmulo de prazer. Deu uma olhada de soslaio para
o outro, cheia de desprezo. Pegou os lençóis da cama para se limpar, porque
agora percebia que tinha sêmen e sangue em seu sexo. O sangue de Shaka... Mu estava extasiado com aquele corpo delicioso que tivera, mas, sem querer
dar o braço a torcer, recompôs rapidamente suas vestes e disse, seco: “Já tive melhores por um custo bem menor... Mas até que foi divertido”. Sem olhar para trás, abriu a porta e foi embora... ..:..O..:.. Na boate... “Não, Kamus!”. “Porra, Milo, me solta, eu tenho que ir até lá e dizer pro Mutisha
que...”. “Você não vai dizer nada pra ele! Quer bancar o bom moço, pra quê, pra foder
o emprego de todo mundo aqui? Ele quanto está nervoso não mede conseqüências,
você sabe bem disso!”. Kamus olhou sério para Milo... “Eu não pensei que você fosse covarde...”. Milo passou as mãos pelos cabelos loiros e encaracolados, aflito: “Não se trata de covardia, apenas não ponho a mão em casa de marimbondo,
droga! Não vê que o garoto fez isso pra atiçar o Mu? Era exatamente isso que ele
queria, aumentar o pagamento, e conseguiu! Acorde, Kamus, não são todos que são
tolos e ingênuos como você, caia na real! O cara não é uma donzela em apuros é
um puto de programa! Ele pediu por isso!”. Kamus respirou fundo, os lindos olhos claros, magoados, procurando as íris
azul-turquesa de Milo. Ingênuo? Tolo? Era assim que Milo o enxergava? Como um
idiota? Um estúpido qualquer? “Acho que estou sobrando por aqui... Vou para o meu flat”. Milo abriu os braços em um gesto inconformado, céus... será que nunca teria
uma chance com aquele cabeçudo? “Ah, Kamus, não é justo, você veio e agora amarela e logo foge na primeira
que confusão que dá!”. “Então agora eu é que sou o covarde puxa-saco de patrão?”. Milo ficou furioso... “Não sou puxa-saco de ninguém! E só não te soco agora, cara, porque você
sabe, e eu sei, que não é disso que você está fugindo... É de mim! E... Do que
nós dois sentimos!”. “VOCÊ SURTOU, MILO, DEFINITIVAMENTE, O ÁLCOOL JÁ TE SUBIU A CABEÇA!”. Sem esperar pela resposta, Kamus empurrou Shura que estava na frente dele e
saiu dali, espumando de raiva. No seu coração, bem lá dentro, uma vozinha mental
lhe dizia, para seu tremendo desconforto, que talvez Milo tivesse razão quando
gritara que ele, Kamus, estava mesmo fugindo... ..:..O..:.. Dite viu Kamus sair rápido da boate se esgueirando pela multidão, sem se
despedir de ninguém... Mas que noite infernal! No bolso esquerdo da sua calça, o
cheque que Mutisha lhe dera parecia queimar a sua pele. Seu coração se
apertava... Será que Shaka estava bem? Ah, diabos, era um puto, não era? Sabia
se virar sozinho e quando visse o cheque que haviam recebido, iria engolir o seu
maldito orgulho... Além disso... Dite não conseguiu terminar o que estava pensando, porque viu, de repente,
uma figura linda como uma aparição divina surgir diante de seus olhos, desviando
dos que dançavam na pista com uma graciosidade de corsa... Seu sorriso era
delicioso e malévolo... “Olá, priminho, se Maomé não vai a montanha, a montanha vem até ele...”. “Misty, mas que diabos você está fazendo aqui?”. “Justamente, o diabo quer um lugar quente, não a chatice do lar, primo! Você
abre uma boate em Atenas, e achou mesmo que eu ficaria em Paris embaixo da saia
da mamãe sem vim conhecer esse Paraíso? Eu não ia ficar esperando o seu convite,
porque sei que ele não chegaria nunca!”. Os dois agora discutiam bem no meio da pista, esquecidos do resto do
mundo... “Não iria chamar você mesmo! Para quê? Para tia Kathy ficar gritando que eu
ponho você no mau caminho?”. Misty deu um riso adorável, os cabelos eram tão claros quanto os de Afrodite,
e era difícil resolver quem, dentre os dois, era o mais bonito ali. Nem uma
enquête ‘in loco’ com os freqüentadores da boate iria resolver um dilema tão
difícil... Os dois eram absurdamente belos! Carlo, que estava mais próximo dos dois, não resistiu a vontade de alfinetar
Afrodite... “Ora, ora, então você não é o único esquisito na família...”. Olhava com atrevimento e descaso para Misty, mas este ao invés de se ofender
com a antipatia do outro, sorriu, um sorriso cheio de promessas... “Esquisito é ele, querido, eu sou... Um Deus!”. Carlo riu, mostrando aquela pseudo-indiferença heterossexual irritante, mas,
na verdade, estava mesmo era flertando descaradamente com Misty, por sacanagem
mesmo, só para ver Afrodite irritado! E conseguiu. Dite só faltou ter um ataque
dos nervos... “Escute aqui, Misty, eu não quero você aqui pra infernizar a minha vida,
gastar dinheiro, embebedar e foder até com a própria sombra pra depois dizer a
nossa família que eu sou o puto e que você é o santinho que fica tentando me
colocar no caminho do bem! Já conheço bem as suas hipocrisias, eu não quero você
comigo!”. Misty percebeu de imediato que a raiva de Dite era por causa do italiano ter
lhe dado alguma atenção. Já ouvira as fofocas dos amigos em comum e sabia muito
bem que o amor platônico e intocável na vida do seu primo era aquele italiano
lindo e sem coração. Riu. Aquelas férias prolongadas iriam ser muito
divertidas... Iria mostrar a Afrodite quem seria o gostoso do pedaço por
ali... “E quem disse que eu quero você bancando a minha babá? Vou para um hotel...
Depois alugo um apê chegado...”. “Você não gostaria de me mostra alguns lugares onde eu poderia ficar...?”.
Virou-se para Carlo, quase se jogando em cima dele. Foi Shura quem respondeu: “Que tal no meu colo?”. Misty riu. “Deve ser o melhor lugar do mundo...”. Misty sentou-se ao lado de Shura, insinuante, mas percebeu com os cantos dos
olhos que, enquanto Carlo se afastava para a pista, Dite dava para o italiano um
olhar amoroso e melancólico... Ah, sim, então seu priminho gostava mesmo do
machão italiano! Dite era sempre o mais belo, o mais querido, o certinho da
família... Todos perdoaram a sua homossexualidade, mesmo este ainda não sabendo
disto, mas não a dele, Misty, porque até nisso Dite tinha mais sorte do que ele!
E agora, ah, o tolo se apaixonava pelo machão... Iria mesmo ser muito divertido
ficar ali para ver Afrodite se dar mal... Nesse instante, Mutisha chegou, os olhos ainda brilhando o fogo selvagem do
sexo bem feito. Milo foi para perto dele, tenso, muito irritado ainda com a
saída de Kamus... “Tudo bem?”. “Não poderia estar melhor. Vamos arrumar companhia, beber e dançar. A noite
mal começou...”. ..:..O..:.. Shaka gritou de dor quando se ergueu. Uma dor conhecida e familiar, mas nem
por isso, menos sofrível, porque, pior do que o martírio físico, era a sensação
de fracasso e humilhação. Jurara nunca mais passar por isso e agora... O mestiço hindu entrou vagarosamente no chuveiro e deixou que as lágrimas e o
sangue se misturassem com a água quente que escorria para o ralo... Aos poucos, sua dor e angústia foram se transformando em ódio... E esse ódio
foi aumentando... Saiu rápido do chuveiro, e, sem se enxugar, se vestiu o mais rápido que a dor
lhe permitiu... Céus, que dor maldita... Gotículas de suor corriam pela sua
testa, porque era grande o seu esforço para se mexer. Ainda deveria estar
sangrando... Estava mesmo ferrado, diabos! Mas aquilo NÃO iria terminar daquele
modo. Não daquela vez. Não mesmo. Seu ódio lhe daria forças! Shaka apanhou o taco de baisebal com que gostava de treinar nos fim de
semanas e saiu rápido para a entrada da boate, tomando o cuidado para não ser
notado por ninguém. Viu ali, no livro de convidados vips, os que teriam direitos
a tratamento especial. O nome que ouvira Dite dizer nas apresentações... “Mutisha Dzogchen Dorje” “Mutisha... Mu... Eu não vou me esquecer desse dia... E nem de você...”. ..:..- O- ..:.. Observações da fic: Moeda: A moeda grega é o dracma. Há moedas de 1, 2, 5, 10, 20, 50 e
100Dr; e notas de 50, 100, 500, 1000, 5000 e 10.000. 1US$ vale cerca de 360
dracmas. x.x.x.x.x.x.x.x.x - Litha – Nossa, esta fic esta me dando gosto de escrever. Não
que as minhas outras não estejam, mas é a primeira fic que faço em dupla e com
uma pessoa mega fofa como a Jade, e acredite ou não, conheço-a a tão pouco
tempo, mas temos uma sintonia perfeita. Ta certo que sou um pouquinho dominadora
né Jadinha XDD, mas ela com jeitinho sabe abaixar o meu facho escorpiano,hehehe.
E não... ela não me mostra a espada suntuosa dela não ‘olhando de lado para a
Excalibur da Jade’. Agradeço a você por ter proposto esta parceria e por ter
curtido a idéia da fic. ‘sorriso feliz’. - Jade - Gente, espero que vocês gostem da fic, mas acho que
ninguém está curtindo ela mais do eu,eh,eh,eh... só não digo isso com todas as
letras aqui porque a Litha vai dizer que ela está, sabe como é esse lance: somos
criadoras apaixonadas pelas criaturas... Comentem a nossa baby Beijos |
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